Ex-assessor entrega ao STF extratos da suposta devolução de salário para família de Geddel

Ex-assessor entrega ao STF extratos da suposta devolução de salário para família de Geddel

Os recibos mostram que nos dias subsequentes ao recebimento do salário da Câmara dos Deputados eram realizados vários saques na conta de Job Brandão. Para o advogado Marcelo Ferreira, dinâmica comprova devolução para familiares do ex-ministro

Fabio Serapião, de Brasília

27 Novembro 2017 | 21h58

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-assessor parlamentar Job Brandão entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) cópias dos extratos de sua conta bancária que, segundo ele, confirmam a devolução de cerca de 80% do seu salário para a família de Geddel Vieira Lima. Em petição assinada por seu advogado Marcelo Ferreira, o ex-homem de confiança da família Vieira Lima anexou extratos da movimentação financeira de sua conta no período entre janeiro de 2012 e novembro de 2017.

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“O declarante acrescenta que realizou diversos saques bancários para cumprir a determinação de devolução mensal, em dinheiro vivo, da maior parte do que recebia, à dona Marluce Quadros Vieira Lima.(…) A dinâmica das movimentações bancárias é caracterizada por saques sucessivos e habituais na boca do caixa, de forma e quantidade incomum, com o aparente propósito de burlar os mecanismos de identificação de pagamento e recebimento de vantagens indevidas”, diz o documento.


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Em depoimento à Polícia Federal, Job já havia revelado a devolução dos valores à mãe de Geddel, Marluce Quadros Vieira Lima. Após a revelação, o ex-assessor prometeu entregar as provas dos repasses. Com a entrega dos recibos e dos extratos, o advogado Marcelo Ferreira pretende conseguir os benefícios de uma colaboração premiada e alcançar o perdão judicial para seu cliente. Job, atualmente, está em prisão domiciliar. Ele foi preso após a PF, na operação Tesouro Perdido, encontrar vestígios de suas digitais em parte dos R$ 51 milhões armazenados por Geddel em um apartamento em Salvador (BA).

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Na semana passada, em entrevista ao Estado, o advogado havia afirmada que Job é uma vítima da família Vieira Lima. De acordo com o advogado, a família de Geddel “exigia” a devolução de 70 a 80% do salário. “Tive a oportunidade de visitá-lo e pude constatar a simplicidade de sua casa e a real condição financeira, totalmente incompatível com o salário de um secretário parlamentar”, disse o advogado ao Estado.

Os recibos mostram que nos dias subsequentes ao recebimento do salário da Câmara dos Deputados eram realizados vários saques na conta bancária de Job. Por exemplo, no dia 21 de março de 2012 a conta recebe o crédito de R$ 7 mil. Nos dias 22, 23, 26, 27, 28 e 29 são registrados, segundo o extrato anexado à petição, saques diários no valor de R$ 1 mil. Por fim, no dia 30 do mesmo mês, outros R$ 990,00 são sacados. Para o advogado Marcelo Ferreira, essa dinâmica de saques em espécie confirma que o ex-assessor “sempre devolveu a maior parte de seu salário à família Vieira Lima”.

Transferências. No documento, o advogado de Job, Marcelo Ferreira, elenca 10 pontos com base nos quais solicita o perdão judicial ao ex-assessor de Lúcio Vieira Lima. Além de detalhar por meio dos extratos bancários da conta de Job a dinâmica de saques mensais para devolução da maioria dos seus rendimentos à mãe de Geddel, Marluce Quadros Vieira Lima, o advogado elenca outras transferências de valores para pessoas ligadas ao peemedebista.

Marcelo Ferreira cita quatro transferências, – duas em 2016, uma em 2015 e outra em 2014 -, para o pai de Geddel, o ex-deputado Afrisio Vieira Lima (falecido). No total, os repasses para o patriarca da família somam R$ 5.800.

O advogado cita também no documento que, “atendendo à determinação de Geddel”, Job transferiu R$ 511,00, em 25 de junho de 2010, para a conta do motorista César Lopes da Cunha. O dinheiro, segundo Job, teria sido utilizado na compra de remédio para uma filha de Geddel. Outra transferência para a conta do motorista, em 29 de agosto de 2011, no valor de R$ 984,67, teria sido utilizado no pagamento de uma conta de Geddel.

No ano de 2016, segundo a defesa de Job, o deputado Lúcio Vieira Lima ainda solicitou que Job transferisse valores para uma poupança. A quantia de R$ 19.471,17, diz o documento entregue ao STF, “pertencia a família Vieira Lima”. Posteriormente, entre os dias 3 e 5 de abril de 2017, diz o advogado, parte desse valor (R$ 13 mil) foi repassada a mãe de Geddel.

O advogado Gamil Föppel, que representa a família Vieira Lima, disse que não irá comentar a petição protocolada no STF uma vez que não teve acesso ao documento.