Ex-assessor de Geddel e Lúcio diz ter feito ‘coletas’ de dinheiro na Odebrecht

Ex-assessor de Geddel e Lúcio diz ter feito ‘coletas’ de dinheiro na Odebrecht

Irmãos são delatados por executivos da empreiteira; Job Ribeiro Brandão, homem de confiança dos peemedebistas preso na Operação Tesouro Perdido, confessou ter operado repasses

Fabio Serapião e Beatriz Bulla / BRASÍLIA

18 Novembro 2017 | 15h07

Geddel em sua primeira audiência de custódia, quando foi preso por suposta pressão para evitar que o doleiro Lúcio Funaro firmasse acordo com a Procuradoria para confessar seus crimes. Foto: Reprodução de vídeo da 10ª Vara Federal de Brasília

O ex-assessor parlamentar do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), Job Ribeiro Brandão, afirmou em depoimento à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) que fez “coletas de dinheiro em espécie” na sede da Odebrecht em Salvador (BA).

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Ele disse ter ido “cerca de 5 ou 6 vezes” na sede da empreiteira ontem esteve “com uma senhora de nome Lúcia com quem pegou dinheiro em espécie nessas ocasiões”. As coletas foram feitas a pedido do ex-ministro Geddel Vieira Lima e de Lúcio, segundo depoimento ao qual o Estado teve acesso.

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Segundo Brandão, Lúcio orientou que ele procurasse a “sua xará no prédio da Odebrecht”. Ele foi informado de que o dinheiro eram “doações de campanha”. Lúcia da Odebrecht era Maria Lúcia Tavares, delatora e ex-secretária do Setor de operações estruturadas da Odebrecht. O depoimento dela que levou a Lava Jato ao chamado ‘departamento de propina’ da empreiteira baiana.

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Job Brandão tem intenção de fazer um acordo de colaboração premiada. Ele virou alvo da Tesouro Perdido após a PF identificar suas digitais em parte dos R$ 51 milhões encontrados. O ex-ministro e o deputado Lúcio Vieira Lima são investigados pelo crime de lavagem de dinheiro.

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Lúcio Vieira Lima é alvo de um dos inquéritos abertos com base na delação de executivos da Odebrecht, suspeito de ter recebido R$ 1 milhão da empreiteira para ajudar na aprovação de legislação favorável aos interesses da companhia.

O nome de Geddel também é um dos citados em depoimentos de executivos da Odebrecht, sob suspeita de recebimento de propina enquanto esteve à frente do Ministério da Integração Nacional. Recentemente, o também delator Lúcio Funaro afirmou em acordo de colaboração premiada que o presidente Michel Temer dividiu com Geddel propina da Odebrecht. O presidente nega envolvimento em qualquer irregularidade.

Procurado pelo Estadão, Marcelo Ferreira, advogado de Job, declarou que “tem uma especial preocupação com a segurança de Job e que tem por objetivo demonstrar que sua condição de vida é totalmente incompatível com a renda de um secretário parlamentar”. Para o advogado, o ex-assessor é “vítima da situação e que, além da liberdade, pretende buscar, judicialmente, o ressarcimento dos valores de seu salário que era obrigado a repassar à família Vieira Lima”.

A defesa de Geddel Vieira Lima e o deputado Lúcio Vieira Lima não atenderam contatos da reportagem até o momento.