Delator diz que pagou R$ 120 mil para Zelada, sucessor de Cerveró

Delator diz que pagou R$ 120 mil para Zelada, sucessor de Cerveró

Pedro Barusco afirmou que Jorge Zelada, que assumiu Diretoria de Internacional no lugar de Nestor Cerveró, se beneficiou de esquema de propinas na estatal

Redação

05 Fevereiro 2015 | 14h59

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

Em sua delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco afirmou que o ex-diretor da área Internacional da estatal Jorge Zelada também fez parte do esquema de propinas na companhia. Segundo o delator, Zelada teria recebido os pagamentos enquanto ocupava o cargo de gerente.

Zelada sucedeu Nestor Cerveró na Diretoria de Internacional. Cerveró está preso desde janeiro na Custódia da Polícia Federal no Paraná, sob suspeita de ter recebido R$ 30 milhões em propinas.

“Que Jorge Zelada, á época em que foi Gerente Geral das obras que a engenharia fazia para a Área de Exploração e Produção, era beneficiário na divisão de propinas, mas em poucos casos”, diz o termo de colaboração. “Não sabe dizer se Jorge Zelada, já na condição de Diretor Internacional, recebeu vantagem indevida.”

Jorge Zelada prestou depoimento à CPI da Petrobrás no Senado, em maio de 2014. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Jorge Zelada prestou depoimento à CPI da Petrobrás no Senado, em maio de 2014. Foto: Ed Ferreira/Estadão

Barusco contou que entregou R$ 120 mil, em mãos, na casa de Zelada. Ele não soube afirmar quanto dinheiro o ex-diretor recebeu indevidamente. O ex-gerente da Petrobrás disse acreditar que Zelada recebeu propina no exterior, pois ambos tinham conta no mesmo banco, na Suíça.

“Que o declarante (Pedro Barusco) recebia em nome de Jorge Zelada, mas na realidade fazia um “encontro de contas” com ele, pois Zelada negociava propinas diretamente junto a algumas empresas que não sabe dizer quais, em contratos na Área de Exploração e Produção”, diz Barusco.

Zelada substitui Nestor Cerveró no cargo em 2008. Indicado por lideranças do PMDB, ele permaneceu na direção da área Internacional até julho de 2012.

O ex-gerente da estatal contou ainda que, ao assumir a Diretoria Internacional, Zelada convidou o funcionário Roberto Gonçalves para o cargo de gerente executivo.

Segundo Barusco, o funcionário Roberto Gonçalves também participou do esquema de propina. O delator afirmou que Gonçalves recebeu “muito pouco” em duas negociações de propina. Menos de US$ 1 milhão da Engevix e mais de US$ 1 milhão da SeteBrasil.

“Que se recorda que houve um projeto de cascos do pré-sal que Roberto participou e houve ajuste para recebimento de propina da Engevix, sendo o contrato no âmbito da Diretoria de Exploração e Produção; que neste caso, acredita que Roberto tratava diretamente com Milton Pascovitch, operador da Engevix”, disse.

Em maio de 2014, Jorge Zelada prestou depoimento à CPI da Petrobrás no Senado. Na ocasião, ele afirmou que uma decisão da Justiça validou o laudo da arbitragem favorável à compra a segunda metade de Pasadena. Segundo o ex-diretor, a decisão da arbitragem foi de fazer a compra com o valor abaixo do que tinha sido negociado inicialmente. “O acordo final, depois que saíram todas as decisões judiciais, foi conduzido pela área Corporativa da Petrobras”, afirmou.

COM A PALAVRA, A ENGEVIX.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Engevix informou. “As relações entre as empresas do Grupo Engevix e de Milton Pascowitch existem há 17 anos. Ele prestou e presta serviços às empresas do Grupo.”

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