Delator afirma que pagou propina em diretoria que Graça Foster comandou

Delator afirma que pagou propina em diretoria que Graça Foster comandou

Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobrás, relata que PT arrecadava porcentual sobre contratos da área de Gás e Energia, mas ressalva que ex-presidente da estatal desconhecia esquema

Redação

05 Fevereiro 2015 | 13h46

Por Ricado Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-gerente de Engenharia e Serviços da Petrobrás Pedro Barusco afirmou em sua delação premiada que cobrou propina sobre contratos da Diretoria de Gás e Energia, na época em que a unidade era dirigida por Graça Foster.

“Quando os contratos envolviam a Diretoria de Gás e Energia, cujo diretor inicialmente era Ildo Sauer e depois Maria das Graças Foster, o porcentual de propina variava normalmente entre 1% e 2%, mais próximo de 2%”, afirmou Barusco, em depoimento de 21 de novembro.

Barusco afirmou, no entanto, que os dois diretores desconheciam o esquema porque “não havia espaço” para esse tipo de conversa. Ele apontou pelo menos seis contratos da Diretoria de Gás e Energia, onde teriam sido pagas propinas.
Graça Foster deixou a presidência da Petrobrás esta semana, em meio a mais explosiva crise da história da estatal petrolífera, após reunião com a presidente Dilma Rousseff.

Graça Foster foi diretora da área de Gás e Energia da Petrobrás; na época, o presidente da estatal era José Sérgio Gabrielli. Foto: Fábio Motta/ Agência Estado

Graça Foster foi diretora da área de Gás e Energia da Petrobrás; na época, o presidente da estatal era José Sérgio Gabrielli. Foto: Fábio Motta/ Agência Estado. 8-11-2007.

Segundo Pedro Barusco, os valores de propinas oscilavam entre 1% e 2% sobre contratos. O delator é o pivô da Operação My Way, deflagrada nesta quinta feira, 5. Um dos alvos dessa nova etapa da Operação Lava Jato é o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que foi conduzido à Polícia Federal para depor sobre as denúncias que o envolvem.

O ex-gerente afirmou que metade do valor das propinas “era do PT” e a outra metade “para a Casa”, ou seja, para ele próprio e para Renato Duque, de quem foi braço direito. Duque foi indicado pelo partido para a Diretoria de Serviços, área estratégica da Petrobrás.

Ele foi preso em novembro sob suspeita de receber propinas do cartel de empreiteiras que se teria instalado na Petrobrás. Mas o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou solta-lo.

Em seu relato, Pedro Barusco especificou assim a divisão do dinheiro da propina sobre os contratos da Diretoria de Gàs e Energia. “Metade era para o Partido dos Trabalhadores, representado por João Vaccari Neto”, um dos 11 operadores que foram alvo das medidas adotadas nessa nova fase da Lava Jato. Outra metade da propina “era para a ‘Casa’, representada neste caso apenas por Renato Duque” e por ele mesmo, Barusco.

Ele afirmou saber que Vaccari “operacionalizava os recebimentos (de propinas) em favor do PT”. Segundo o delator, “às vezes o pagamento da propina foi integral para o Partido dos Trabalhadores.”