Operação My Way cita Vaccari e mais 10 operadores de propinas na Petrobrás

Operação My Way cita Vaccari e mais 10 operadores de propinas na Petrobrás

Entre os suspeitos está o tesoureiro do PT; Polícia Federal, Procuradoria e Receita miram 26 empresas, a maioria de fachadas

Redação

05 Fevereiro 2015 | 10h21

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

A Operação My Way, nona fase da Lava Jato, anunciou nesta quinta feira, 5, que um grupo de onze operadores agia na Diretoria de Serviços da Petrobrás para pagamento de propinas. A Diretoria de Serviços foi comandada por Renato Duque, alvo da investigação, que foi indicado para o cargo pelo PT.

Segundo a Procuradoria da República e a Polícia Federal, o tesoureiro do PT João Vaccari Neto é suspeito de ser o principal operador na diretoria de Serviços, área estratégica da estatal petrolífera. Por ela passavam todos os procedimentos de licitações e contratações.

Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Vaccari chega à sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

A PF faz buscas na casa de Vaccari, em São Paulo. Contra ele foi expedido mandado de condução coercitiva. Vaccari foi acusado pelo delator Pedro Barusco, ex-gerente da Diretoria de Serviços, de receber propinas. Barusco chamava Renato Duque de ‘My Way’, por isso o nome da operação deflagrada nesta quinta feira.

Vaccari afirmou à Polícia Federal que todas as contribuições obtidas por ele para o partido “foram absolutamente dentro da lei”.  O tesoureiro desmentiu as declarações de Barusco, por meio de seu advogado.

“Essa informação não procede”, rechaçou com veemência o criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende o tesoureiro do PT.

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima disse que a My Way está na fase de “semeadura de provas”. Ele declarou que a força tarefa quer saber de Vaccari Neto “informações a respeito de doações que ele solicitou, legais ou ilegais, envolvendo pessoas que mantinham contratos com a Petrobrás”.

“Esse é basicamente o motivo pelo qual está sendo ouvido neste momento”, declarou o procurador. Indagado se o dinheiro ia para o PT, o procurador disse: “Não posso dizer exatamente o destino porque nem sempre doações passam pelo caminho legal.”

Uma grande empresa de Santa Catarina também foi alvo de busca. Segundo a polícia, a companhia supostamente pagaria propina em negócios com a BR Distribuidora em troca de informações privilegiadas e contratos direcionados para ela.

PF falou sobre a nona Operação da Lava Jato em Curitiba. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

PF falou sobre a nona Operação da Lava Jato em Curitiba. Foto: Ricardo Brandt/Estadão

VEJA ONDE ESTÃO SENDO CUMPRIDOS OS MANDADOS DA PF:

SP – 10 mandados de busca e 2 de condução coercitiva (todos na Capital);

RJ – 12 mandados de busca, 8 de condução coercitiva e 1 de prisão preventiva (todos na Capital);

BA – 2 mandados de busca e 1 de condução coercitiva (todos na Capital);

SC – 16 mandados de busca, 7 de condução coercitiva e 3 de prisão temporária nas seguintes cidades:

– Itajaí – 8 mandados de busca, 5 de condução coercitiva e 2 de prisão temporária;

– Balneário Camboriú – 3 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva;

– Piçarras – 2 mandados de busca;

– Navegantes – 1 mandado de busca e 1 mandado de condução coercitiva;

– Penha – 1 mandado de busca;

– Palmitos – 1 mandado de busca.