Defesa de Aécio insiste na ilegalidade das provas de Joesley Batista

Defesa de Aécio insiste na ilegalidade das provas de Joesley Batista

Advogado Alberto Zacharias Toron, que defende senador, evocou, durante julgamento da Primeira Turma do Supremo que vai decidir sobre abertura de ação penal pelos R$ 2 milhões da JBS, o suposto jogo duplo do ex-procurador Marcelo Miller envolvendo acordo de leniência da hold

Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

17 Abril 2018 | 15h40

O criminalista José Zacharias Toron, um dos defensores dos réus da Lava Jato / Foto: Jf. Diorio/Estadão

BRASÍLIA – O advogado do senador Aécio Neves (PSDB/MG), Alberto Zacharias Toron, durante sustentação oral em julgamento da denúncia contra o parlamentar, defendeu que os ministros da Primeira Turma rejeitem as acusações de corrupção passiva e obstrução à justiça que atingem Aécio. Como tem feito em manifestações durante o processo de investigação, a defesa insiste na declaração de ilegalidade das provas trazidas no acordo de colaboração dos executivos da J&F.

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Toron disse que a própria procuradora-geral da República reconhece que houve atuação do ex-procurador Marcelo Miller na orientação aos executivos da J&F enquanto ainda ocupava o cargo na PGR. “A procuradora reconhece que Marcelo Miller colaborou com os integrantes do grupo J&F”, disse o advogado.

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Uma das estratégias da defesa é tentar invalidar as provas trazidas por Joesley Batista no caso. Os advogados também afirmam que houve “verdadeira ação controlada, sem autorização judicial”, quando Aécio foi gravado pelo empresário.

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Em sua sustentação oral, o advogado Marcelo Leonardo, defensor de Andrea Neves, também destacou as suspeitas de irregularidade em torno da atuação de Miller. “A prova daí resultante é uma prova obtida de forma ilícita, com a participação indevida de um membro do Ministério Público que atuava dos dois lados”, disse Leonardo, ao insistir na nulidade das delações dos executivos do grupo J&F.

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Ao pedir a rejeição da denúncia, a defesa de Andrea Neves, acusada de corrupção passiva, classificou o empresário de Joesley de pessoa “absolutamente desmoralizada”.

Corrupção passiva. De acordo com Toron, o modo de pagamento dos R$ 2 milhões, feitos em dinheiro em favor de Aécio, não define que o que ocorreu foi uma prática de corrupção passiva. A defesa ainda alega que não há nenhum ato que configure que o senador teria cometido algum crime.

“Ministro Alexandre de Moraes, se o sujeito pedir dinheiro em ato de corrupção e recebe via TED ou cheque, há corrupção ou não? É claro que há”, disse Toron, completando que “não é o meio que se recebe o dinheiro que define se há crime de corrupção”. O advogado ainda afirmou que quem sugeriu que os valores fossem repassados em dinheiro foi Joesley Batista.

Sobre a acusação de obstrução à justiça, Toron afirma que a PGR tenta criminalizar a atuação parlamentar. Sobre a acusação da procuradoria de que Aécio teria atuado para aprovar a anistia aos crimes de caixa-dois, o advogado afirmou que, “gostemos ou não da posição adotada”, não há como tipificar a atuação como crime.

Ainda sobre a pressão sobre membros do governo e delegado-geral da Polícia Federal, Toron disse que a conversa com Joesley mostra somente a “contradição do senador com certos delegados”, e que não passou disso. “Esse não pode ser um substrato para receber uma denúncia de obstrução à justiça”, completou o advogado. (Amanda Pupo e Rafael Moraes Moura)