Divulgação/Família Bolsonaro
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Relembre as declarações da família Bolsonaro sobre a morte do capitão Adriano

Presidente Jair Bolsonaro culpou PM da Bahia; senador Flávio Bolsonaro rechaçou tentativas de vinculá-lo à milícia

Bruno Nomura, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 05h00
Atualizado 21 de fevereiro de 2020 | 11h50

A morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, tem sido assunto de declarações da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O ex-capitão do Bope e miliciano morto em uma operação policial no interior da Bahia está envolvido em uma investigação que implica o clã Bolsonaro.

Segundo o Ministério Público do Rio, o capitão Adriano se beneficiou de um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A mãe e a ex-mulher dele, Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, foram nomeadas assessoras de Flávio durante o período investigado. Elas teriam transferido parte de seus salários para Fabrício Queiroz, então assessor parlamentar e considerado o operador do esquema.

Flávio também é o elo entre o miliciano e a família Bolsonaro em outra história. Em 2005, capitão Adriano foi homenageado pela Alerj a pedido de Flávio. O miliciano estava preso à época, acusado de matar um guardador de carros.

Relembre, em ordem cronológica, o que disse a família Bolsonaro sobre a morte do capitão Adriano:

09/02 - Capitão Adriano é morto em Esplanada, na Bahia

Ex-capitão do Bope e apontado como chefe da milícia Escritório do Crime, Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto em uma operação do Batalhão de Operações Policiais da Bahia, com apoio do setor de inteligência da Polícia Civil do Rio. Capitão Adriano, como era conhecido, foi localizado na área rural do município de Esplanada, no interior da Bahia. Segundo a polícia, houve troca de tiros e Adriano foi atingido por dois disparos.

12/02 - Flávio Bolsonaro quebra o silêncio

Três dias depois da morte do capitão Adriano, Flávio se manifesta publicamente sobre o caso nas redes sociais. É a primeira vez que alguém da família do presidente fala do assunto.

 

15/02  - Presidente Bolsonaro sai em defesa do filho

Em um evento no Rio, o presidente Bolsonaro defendeu a homenagem ao capitão Adriano solicitada por Flávio em 2005 e disse que foi ele quem pediu a condecoração. “Naquele ano (2005, quando o então policial estava preso e era processado por matar um civil), ele é um herói da Polícia Militar”, disse o presidente.

Bolsonaro acusou a polícia da Bahia pela morte de Adriano.

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Quem foi responsável pela morte do capitão Adriano foi a PM da Bahia do PT. Precisa dizer mais alguma coisa?
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A menção ao PT é uma referência ao governador da Bahia, Rui Costa, filiado ao partido.

Nas redes sociais, Bolsonaro relacionou a morte de Adriano ao assassinato do então prefeito petista de Santo André, Celso Daniel, em 2002. 

 

15/02 - Flávio se manifesta novamente

Flávio publicou um vídeo gravado no mesmo evento ao qual o presidente compareceu no Rio. Em entrevista a jornalistas, o senador aparece ao lado do pai e diz que a condecoração ao capitão Adriano é um fato antigo. “Não adianta querer me vincular à milícia”, criticou.

 

15/02 - Bolsonaro x Rui Costa

No fim da noite, Bolsonaro voltou a criticar Rui Costa em uma nota publicada nas redes sociais. O governador da Bahia respondeu aos ataques de horas antes e sugeriu que o capitão Adriano mantinha “laços de amizade com a Presidência”. Bolsonaro rebateu e afirmou que é Costa que mantém “fortíssimos laços de amizade com bandidos”, mencionando a relação do governador com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT.

Bolsonaro voltou a justificar a condecoração do capitão Adriano pelo filho Flávio, defendendo que o homenageado não tinha nenhuma sentença condenatória transitada em julgado até a data de sua “execução”. Reafirmou ainda que a PM da Bahia, sob o comando do governo do Estado, procurou a “provável execução sumária” do capitão Adriano, relacionando novamente o caso ao assassinato do prefeito Celso Daniel.

 

16/02 - “Bom termo”

Na entrada do Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a ser questionado sobre o tema. Afirmou que já havia dito o que precisava dizer e que esperava que as investigações sobre a morte do capitão Adriano chegassem a um “bom termo”.

18/02 - Presidente cobra perícia independente

Bolsonaro publicou, logo no início da manhã, questionamentos sobre a morte do capitão Adriano. Falou em “queima de arquivo”, relacionou as investigações ao assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) e colocou em dúvida a perícia nos celulares do miliciano: “Poderiam forjar trocas de mensagens e áudios recebidos? Inocentes seriam acusados do crime?”

Mais tarde, a jornalistas, o presidente cobrou uma perícia independente no corpo de Adriano.

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Pelo o que estou sabendo, o Ministério Público Federal da Bahia, não tenho certeza, vai cobrar uma perícia independente hoje. É o primeiro passo para começar a desvendar as circunstâncias em que ele (Adriano) morreu e por quê. Poderia interessar para alguém a queima de arquivo. Contra quem ele teria para falar? Contra mim que não era nada. Contra mim teria certeza que os cuidados seriam outro para preservá-lo vivo.
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Sobre a possibilidade de federalizar o caso, Bolsonaro afirmou que está em uma “sinuca de bico". "Podem achar que, ao federalizar, eu teria alguma participação, alguma influência no desfecho, na investigação. É zero. Se o (ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio) Moro achar que deve federalizar, a decisão é dele. Eu não vou falar para ele não ou sim", disse o presidente.

18/02 - Eduardo se manifesta

“Tem gente que não quer uma investigação decente, por quê?”, questionou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em uma postagem que repercute uma reportagem da revista Veja e as perguntas publicadas pelo pai horas antes.

 

18/02 - Flávio ironiza perícia baiana

O senador Flávio voltou às redes com um vídeo do suposto cadáver do capitão Adriano. São 21 segundos de imagens sem áudio. O corpo é apresentado de costas com uma etiqueta em que é possível ler “Adriano Magalhães”. A publicação insinua que o miliciano foi torturado antes de ser morto, versão descartada pela necropsia oficial.

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Perícia da Bahia (governo PT), diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros a queima-roupa (um na garganta de baixo p/cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões.
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Na perícia oficial, não há menção à coronhada ou à queimadura, e os tiros não teriam sido disparados à queima-roupa, como escreveu Flávio. Os ferimentos seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis. O Estado apurou que o presidente Bolsonaro teria concordado com a publicação do vídeo.

20/02 - Presidente minimiza visitas de Flávio à prisão

O vereador, sargento da PM do Rio e ex-colega de Adriano na prisão, Ítalo Ciba (Avante) afirmou ao jornal O Globo que Flávio visitou o miliciano "mais de uma vez" na cadeia. A assessoria de Ciba confirmou as informações ao Estado.

Questionado, o presidente minimizou a declaração.

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Para começar, eu já fui, olha só, bota aí, eu já fui várias vezes no BEP, Batalhão Especial Prisional lá no Rio de Janeiro, eu já fui no presídio da Marinha no passado também, está certo?
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20/02 - Flávio segue a linha do pai

Flávio não mencionou diretamente as declarações do vereador Ítalo Ciba, mas alegou nas redes sociais que visitou várias vezes o Batalhão Especial Prisional do Rio, mencionado pelo pai, para "ouvir PMs presos injustamente".

 

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