Caso Capitão Adriano: Governador da Bahia e Bolsonaro trocam acusações de 'amizade com bandidos'

Rui Costa (PT) reagiu à fala do presidente de que o miliciano capitão Adriano havia sido morto pela "PM da Bahia, do PT"; Planalto respondeu em nota

André Vieira, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 19h26

O governador da Bahia, Rui Costa (PT) e o presidene Jair Bolsonaro trocaram acusações neste sábado, 15, em relação à morte do ex-policial militar Adriano da Nóbrega, acusando um ao outro de ser "amigo de bandido". Por meio de sua conta no Twitter, Rui Costa afirmou que  o governo baiano "não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça". Na rede social, o governador disse também que o Estado "não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem" e que policiais têm direito de salvar suas próprias vidas quando atacados, "mesmo que os marginais tenham laços de amizade com a Presidência".

A declaração foi dada em duas postagens, em referência às afirmações feitas mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, que apontou a "polícia da Bahia, do PT", pela morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, no domingo passado no município de Esplanada, a 170 km de Salvador. 

Em 2005, o então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, concedeu a Medalha Tiradentes, mais alta condecoração da Assembleia Legislativa, ao miliciano. Flávio também empregou a mãe e a mulher de Adriano. 

Bolsonaro responde

Na noite deste sábado, após as manifestações do governador da Bahia, Rui Costa, sobre as falas do presidente Bolsonaro, o Palácio do Planalto divulgou a seguinte nota:

Leia a íntegra da nota:

O atual governador da Bahia, Rui Costa, não só mantém fortíssimos laços de amizade com bandidos condenados em segunda instância, como também lhes presta homenagens, fato constatado pela sua visita ao presidiário Luís Inácio Lula da Silva, em Curitiba, em 27 junho de 2019.

Este Presidente, ao inaugurar o aeroporto de Vitória da Conquista, em 23 de julho de 2019, teve negada, por parte do governador, a presença da Polícia Militar da Bahia, para prestar apoio nas medidas de segurança para a população. 

A atuação da PMBA, sob tutela do governador do Estado, não procurou preservar a vida de um foragido, e sim sua provável execução sumária, como apontam peritos consultados pela revista Veja. É um caso semelhante à queima de arquivo do ex-prefeito Celso Daniel, onde seu partido, o PT, nunca se preocupou em elucidá-lo, muito pelo contrário. 

O então tenente Adriano foi condecorado em 2005. Até a data de sua execução, 09 de fevereiro de 2020, nenhuma sentença condenatória transitou em julgado em desfavor do mesmo. 

É irônico o governador petista falar de más companhias quando, nos últimos anos, os principais dirigentes nacionais do PT foram condenados e presos na Operação Lava Jato.

Os brasileiros honestos querem os nomes dos mandantes das mortes do prefeito Celso Daniel, da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, do ex-capitão Adriano da Nóbrega, bem como os nomes dos mandantes da tentativa de homicídio a Jair Bolsonaro.

Jair Messias Bolsonaro

Presidente da República Federativa do Brasil

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