Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sem detalhar planos, novo ministro da Saúde diz que foco ‘são as pessoas’

Na posse, Nelson Teich afirma que está assumindo o 'maior desafio' da sua carreira

Emilly Behnke e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 12h59

BRASÍLIA - Sem detalhar quais medidas pretende tomar, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou nesta sexta-feira, 17, durante a sua posse, que a atuação da pasta será focada nas pessoas e que os mais pobres sofrerão com maior intensidade os efeitos da pandemia do coronavírus.

No discurso, em cerimônia no Palácio do Planalto, Teich não deixou claro se vai mudar a orientação sobre isolamento social, por exemplo, um dos motivos de divergência entre o seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, e o presidente Jair Bolsonaro. "O foco que a gente tem aqui é nas pessoas. Por mais que se fale em saúde e economia, não importa o que se falem, o final é sempre gente", disse.

O novo ministro destacou que esse é o "maior desafio" de sua carreira profissional e reforçou a necessidade de reunir informações para conhecer melhor a covid-19.

Teich destacou que há uma "pobreza" de informação sobre o novo coronavírus e defendeu a integração de informações dos ministérios sobre a doença para embasar melhor o planejamento de combate ao vírus. "Pessoas que perderem planos de saúde vai impactar no SUS (Sistema Único de Saúde)", disse.

Ontem, ao discursar logo após ser anunciado como novo ministro, Teich afirmou que pretende elaborar um "programa de testes" para ampliar a quantidade de informações sobre a disseminação do novo coronavírus no País e, com isso, "conhecer a doença". A ampliação da testagem da população, no entanto, não foi citada no pronunciamento de hoje.

Segundo apurou o Estado, quando ainda tratava sobre o convite para assumir a pasta, Teich e representantes da Associação Médica Brasileira (AMB) afirmaram a Bolsonaro que viam muitas medidas de restrições de circulação tomadas por prefeitos e governadores sem dados sólidos. Eles defenderam um isolamento pontual,  em cidades com maior número de casos , como São Paulo e Rio de Janeiro. Também citaram que o isolamento "exagerado" esvaziou até serviços médicos, pois pacientes de outras doenças temem hoje ir ao hospital.

Com tom otimista, Teich citou que já existem medicamentos em estudo para o tratamento da doença e que a solução para a pandemia pode ser encontrada "mais rápido do que se imagina".

O novo ministro é médico oncologista e foi consultor da área de saúde da campanha de Bolsonaro à Presidência em 2018. Chegou a ser cotado ao Ministério da Saúde à época

Teich agradeceu as ações da gestão anterior de Mandetta, que também participou da cerimônia, e destacou que trabalhará na formação de uma equipe escolhendo "as pessoas certas para os problemas certos. Na despedida, Mandetta desejou sabedoria ao sucessor.

Demissão

Teich assumiu o cargo do lugar de Luiz Henrique Mandetta após sucessivos desentendimentos entre Bolsonaro e o ex-ministro sobre a diretriz das políticas públicas de combate à pandemia do novo coronavírus. Mandetta é a favor de medidas de isolamento social, na linha do que defende a Organização Mundial de Saúde (OMS). Já o presidente defende flexibilizar as medidas de distanciamento para a retomada da atividade econômica.

O ex-ministro também pedia cautela no uso da cloroquina para tratar a covid-19, com o argumento de que não há pesquisas científicas sobre a comprovação da eficácia contra o vírus. Enquanto Bolsonaro aposta no medicamento,usado no tratamento contra  a malária, como um tipo de cura para a doença.

Já ontem, após o anúncio da demissão de Mandetta, Teich afirmou em pronunciamento que não fará mudanças "bruscas" na pasta. O novo ministro disse ainda que existe um alinhamento com o presidente. “Saúde e economia: as duas coisas não competem entre si. Quando polariza começa a tratar pessoas versus dinheiro, o bem versus mal, emprego versus pessoas doentes”, afirmou Teich.

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