Dida Sampaio/Estadão
Carlos Bolsonaro, vereador carioca (PSC-RJ) Dida Sampaio/Estadão

Carlos Bolsonaro volta ao Twitter após período 'sabático' nas redes

Filho do presidente reapareceu com a publicação de um GIF do chef turco Salt Bae e foto de perfil em que segura fuzil 7.62

Tânia Monteiro e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2019 | 05h00
Atualizado 09 de dezembro de 2019 | 11h10

BRASÍLIA - Após 26 dias sem publicar nas redes sociais, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, voltou ao Twitter. O parlamentar reapareceu na rede social a três dias do prazo final dado pela empresa para que ele retornasse sem perder a conta. Na foto de perfil, o vereador segura um fuzil de assalto 7.62, que no Brasil é exclusivo das Forças Armadas e de algumas forças policiais.

Na manhã deste domingo, 8, ele postou um GIF do chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae, dono da rede de steakhouses Nusr-Et - e nada disse.

Na pequena biografia, há um link para uma página com seus dados e atuação parlamentar, onde o destaque é o pai, Jair Bolsonaro. Há um link para conhecer "Alguns grandes feitos do governo me menos de um ano" e outro para "Quem é Jair Bolsonaro", além de acesso ao "blog família Bolsonaro", que diz trazer informações "exclusivas".

Veja abaixo a publicação de Carlos Bolsonaro no Twitter:

Pouco mais de uma hora após a publicação, a mensagem já tinha mais de 800 compartilhamentos e 3,5 mil curtidas.

Como mostrou o Estado, Carlos havia sumido das redes sociais desde 11 de novembro, em uma tentativa de se preservar após ter o nome envolvido na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista das Fake News e ver assessores voltarem a prestar depoimento na investigação sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). O "sabático" forçado incomoda o segundo filho do presidente, mas era recebido com alívio por ministros e aliados de Bolsonaro.

Na semana passada, em entrevista ao Estado, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, comemorou o "momento feliz". Desde janeiro, não faltaram críticas abertas às posições de Carlos por parte de autoridades do Planalto, mas quem o recriminou acabou perdendo força no núcleo do governo.

Interlocutores do presidente dizem que a decisão havia sido tomada pelo próprio vereador, sem interferência do pai - Carlos, no entanto, conversa com Bolsonaro por telefone quase todos os dias. Um amigo garantiu à reportagem que ele estava se "coçando" para voltar a postar.

Durante o sabático, o vereador não usou a rede nem mesmo para reagir a ataques. A intenção era reverter a pecha de que sua atuação nas redes engessa o Planalto. A aliados próximos, Bolsonaro reclama que os opositores tentam empurrar seu filho para o centro das investigações. 

O afastamento havia sido recomendado pelos advogados por conta dos trabalhos da CPI das Fake News. O "02" de Bolsonaro foi citado em praticamente todos os depoimentos ouvidos pela comissão, acusado de comandar o "gabinete do ódio", instalado no Palácio do Planalto, de onde partiriam ataques a adversários da família.

Um dos responsáveis por administrar as contas do presidente na internet, Carlos criou problemas políticos para o governo por suas postagens.

Em 17 de outubro, por exemplo, a conta oficial de Twitter do presidente publicou uma defesa da prisão após condenação em segunda instância e da Proposta de Emenda à Constituição sobre o tema que tramita na Câmara. No mesmo dia, o post foi apagado e Carlos pediu desculpas pelo gesto, interpretado como tentativa do Executivo de interferir em outros Poderes.

Carlos tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter. Pelas normas da empresa, ele teria até o dia 11 deste mês para reativar o perfil, sob risco de perder os dados. Antes da postagem deste domingo, assessores informaram que ele não havia desativado em definitivo a conta nem apagou o histórico de interações. /COLABOROU ROBERTO GODOY

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Carlos Bolsonaro fora das redes aumentou sentimentos negativos contra ele, diz estudo

Agência coletou 41.204 tuítes gerados em 145 cidades do País que faziam menções ao segundo filho de Jair Bolsonaro

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2019 | 11h00
Atualizado 09 de dezembro de 2019 | 11h05

BRASÍLIA - A saída do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) das redes sociais levou a um aumento expressivo no Twitter dos sentimentos negativos em relação ao filho do presidente da República. É o que aponta um estudo feito a pedido do Estado pela AP Exata, empresa especializada na análise de dados que circulam na internet. A agência coletou 41.204 tuítes gerados em 145 cidades do País que faziam menções ao segundo filho de Jair Bolsonaro.

O levantamento também identificou que, após o afastamento de Carlos da esfera online, foram intensificados os ataques ao vereador, tentando associá-lo às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, com a disseminação de hashtags como #QuemMandouMatarMarielle e #tictacCarluxo. Carlos não é investigado neste processo. Em novembro, a polícia voltou a ouvir depoimentos de assessores dele. 

A análise de sentimento das mensagens mostrou que medo, tristeza e raiva em relação ao vereador aumentaram, enquanto confiança e alegria caíram. O estudo considerou dois intervalos de tempo: de 23 de outubro a 11 de novembro (período anterior ao desligamento do vereador das redes) e de 12 de novembro (quando Carlos se afastou do Twitter e do Facebook) a 5 de dezembro.

Neste domingo, 8, o vereador encerrou o período "sabático" e voltou às redes sociais ao publicar uma postagem no Twitter.

“Rede é guerra narrativa. A partir do momento em que Carlos Bolsonaro se ausenta, a defesa dele baixa, tem menos pessoas para defendê-lo na internet, porque além dele mesmo se defender, ele angariava seguidores que atuavam de acordo com o que ele falava”, diz Sergio Denicoli, diretor de big data da AP Exata. “A falta dessa narrativa acabou por prejudicar um pouco a imagem dele nas redes.”

Os 20 dias antes da saída de Carlos das redes registraram menos menções ao vereador - foram mapeados 18.641 tuítes no período anterior ao afastamento de Carlos, e 22.563 depois. Na avaliação de Denicoli, o sumiço das redes é uma forma de “desenvolver estrategicamente a propaganda do governo”.

“Apesar de ele sair, os temas que ele colocou durante a campanha eleitoral e durante a atuação dele até a saída, permanecem bem construídos”, diz.

Entre esses temas cristalizados estão críticas à ideologia de gênero, a valorização do trabalho policial, o antipetismo e a defesa da direita.

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