GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
GABRIELA BILÓ/ESTADÃO

'Não sou coveiro, tá?', diz Bolsonaro sobre mortos por coronavírus

O presidente repetiu a afirmação e não comentou o registro de mais de 2500 mortes pela doença

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2020 | 19h56

BRASÍLIA - Ao responder nesta segunda-feira, 20, à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não é "coveiro". Bolsonaro deu a declaração no final da tarde, na portaria do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, enquanto conversava com jornalistas e apoiadores.

Segundo o Ministério da Saúde, até esta segunda-feira, o Brasil registrava 2.575 mortes e 40.581 casos confirmados de pessoas contaminadas pelo coronavírus. "Presidente, hoje tivemos mais de 300 mortes. Quantas mortes o senhor acha que...", perguntava um jornalista quando Bolsonaro o interrompeu."Ô, cara, quem fala de... Eu não sou coveiro, tá certo?", declarou o presidente. O repórter, então, tentou fazer novamente a pergunta. "Não sou coveiro, tá?", repetiu o presidente da República.

Pela manhã, ao sair do Palácio da Alvorada, ao fazer um comentário sobre a epidemia, Bolsonaro disse que 70% da população será contaminada e "não adiante querer correr disso".

"Aproximadamente 70% da população vai ser infectada. Não adianta querer correr disso. É uma verdade. Estão com medo da verdade?", afirmou. No mês passado, após voltar de um passeio por Brasília, Bolsonaro disse que todos vão "morrer um dia" e que para se enfrentar o vírus é necessário agir "como homem".

Essa é uma realidade, o vírus 'tá aí. Vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, porra. Não como um moleque. Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Todos nós iremos morrer um dia.

Cloroquina

Questionado se na reunião de hoje, o presidente discutiu com Teich o uso da cloroquina, Bolsonaro disse que o novo ministro é pesquisador e que ele "não aposta fichas 100% em lugar nenhum".

"Ele (Teich) acha que a droga que tiver que usar agora – a droga não, remédio – que possa realmente curar ou evitar que a pessoa seja entubada ele não tem nenhuma oposição a isso aí”, afirmou.

Na chegada ao Palácio da Alvorada, quando parou para falar com jornalistas, Bolsonaro também disse que "torce e pede a Deus" que algo de concreto apareça como a solução para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus.

"Pode ser que apareça algo melhor que a hidroxi (cloroquina), mas até o momento é uma possibilidade sim, mas tem uma interrogação", disse. As recomendações do uso da hidroxicloroquina foi amplamente defendida pelo presidente antes da saída do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. O chefe anterior da Saúde pedia cautela na prescrição do remédio, que ainda não tem eficácia comprovada cientificamente.

Flexibilização

Bolsonaro afirmou que  Teich quer avaliar os número do novo coronavírus no País antes de decidir sobre orientações de flexibilização de medidas de isolamento. 

As divergências sobre as indicações de distanciamento social, recomendadas por autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para conter a propagação do coronavírus e o posicionamento do presidente, que pede reabertura de comércio e a volta de aulas, contribuíram para a saída de Mandetta do ministério. 

Bolsonaro e Teich se reuniram hoje no Palácio do Planalto para um encontro "rápido", segundo o mandatário. "Ele está arrumando nomes para compor o Ministério. Ele é uma pessoa bastante equilibrada. Ele quer se inteirar dos números para poder realmente em cima de números concretos traçar uma diretriz para que lado ele vai", disse na chegado ao Palácio da Alvorada.

O presidente destacou que Teich também é economista e, por isso, foi um bom nome para estar na liderança da pasta. O chefe do Executivo afirmou que tem apenas uma indicação de composição do corpo técnico que Teich deverá organizar. "Ele vai fazer o ministério dele. Mas assim como todos os ministros, eu tenho poder de veto", ressaltou.

Bolsonaro comentou ainda sobre as medidas de flexibilização adotadas pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). "Flexibilizou bastante", disse. Ele citou também ter conversado com Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal, para analisar a reabertura de colégios militares e cívico-militares a partir de segunda-feira, 27.

Sobre a agenda do dia, Bolsonaro mencionou ter se reunido hoje com o ministro da Economia, Paulo Guedes. "Também conversei com Paulo Guedes hoje. A intenção nossa é ajudar. Mas ajudar até quando? Os governadores tem que sinalizar também", declarou, mas sem detalhar o que os chefes estaduais precisam indicar para o governo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.