Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Na UTI com covid, Maguito Vilela é eleito prefeito de Goiânia

Emedebista, de 71 anos, está entubado em um hospital de São Paulo para tratar a covid-19 desde 15 de novembro

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2020 | 18h53
Atualizado 30 de novembro de 2020 | 08h45

BRASÍLIA - Internado e sem saber da vitória, Maguito Vilela (MDB) foi eleito prefeito de Goiânia com 52,6% dos votos neste domingo, 29. O ex-governador de Goiás, Maguito, de 71 anos, está entubado em um hospital de São Paulo para tratar a covid-19 desde o último dia 15, quando passou para o segundo turno contra o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Rogério Cruz, do Republicanos, é o vice-prefeito eleito.

No pronunciamento feito após confirmada a vitória, Daniel Vilela, filho do prefeito eleito, disse aguardar a melhora do pai porque caberá a Maguito definir as equipes de transição e de governo. 

"Tenho muita confiança de que, até o final desta semana, estaremos recebendo a orientação do prefeito Maguito. Caso ele, presencialmente, ainda esteja impossibilitado de tomar as decisões e fazer as conversas necessárias, que possa orientar a todos nós que estivemos nas coordenações da campanha", afirmou Daniel.

Com a suspeita de infecção pelo novo coronavírus, Maguito teve seu último compromisso de campanha em 18 de outubro. O diagnóstico de covid-19 ocorreu dois dias depois. Desde então, seu quadro de saúde se agravou.  

O candidato, que havia perdido duas irmãs para a doença em agosto, foi hospitalizado no Hospital Albert Einstein nem 27 de outubro, de onde não saiu até agora. A primeira entubação foi no dia 30 daquele mês.

Após apresentar alguma melhora, os médicos retiraram a sedação no último dia 8. No dia da votação em primeiro turno, porém, o candidato precisou voltar para a entubação, situação em que permanece.

O boletim médico deste domingo informa que Maguito está "traqueostomizado, sedado e conectado a ventilação mecânica com parâmetros satisfatórios de oxigenação". Também está submetido a "oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) e hemodiálise".

A mulher do candidato tem ficado no hospital, mas viajou a Goiânia para votar no marido. O afastamento dos atos de campanha não impactou negativamente seu desempenho. Ao contrário. Maguito veio crescendo nas pesquisas. Coube ao vice na chapa, Rogério Cruz, desmentir boatos de que Maguito teria falecido. 

"Recebi várias informações que estava sendo anunciado pelas ruas que Maguito estava morrendo, outros falando que ele já morreu. Olhe, isso é mentira, isso é fake news", disse, em entrevista a uma rádio local. O filho de Maguito, Daniel Vilela, presidente do MDB estadual e ex-deputado federal virou porta-voz da campanha. O grupo tem evitado falar sobre eventual complicação no quadro de saúde do eleito e sobre a posse.

"Nada do que eu disser estará à altura das inúmeras mensagens de apoio, orações e carinho que estamos recebendo. Quero até ver a cara do meu pai quando a gente contar para ele tudo o que aconteceu e como vocês foram solidários a ele", disse Daniel Vilela, na última mensagem publicada nas redes sociais.  

Maguito vai suceder Iris Rezende, 86 anos. O atual prefeito é do mesmo grupo político, mas optou por não concorrer à reeleição. 

A campanha do emedebista girou em torno do estado de saúde de Maguito e seus aliados chegaram a ser criticados por explorar politicamente o drama do candidato.

O quadro dificultou a estratégia da campanha adversária, de Vanderlan Cardoso (PSD). Logo na largada do segundo turno, o candidato acusou, sem provas, a coligação rival de cometer "estelionato eleitoral" por suposta falta de transparência nas informações sobre o quadro clínico de Maguito, mas recuou depois do tom agressivo.

Ao comentar o resultado das urnas, Vanderlan lamentou a falta de debates. "Não tivemos com quem debater. Foi uma campanha atípica. O principal concorrente lutando pela vida em um leito de UTI em São Paulo e o vice não saiu para o debate. O eleitor ficou confuso", disse Vanderlar, que é senador e continuará a cumprir o mandato em Brasília.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.