Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Internação de candidato vira tema central de campanha na capital de Goiás

Favorito à vitória em Goiânia, Maguito Vilela, do MDB, está há cinco semanas em UTI após ter contraído o novo coronavírus

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2020 | 05h00

Favorito à vitória no segundo turno das eleições em Goiânia, o candidato Maguito Vilela, do MDB, está há cinco semanas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ter contraído o novo coronavírus. A disputa pela capital de Goiás passou a ter como tema principal os boletins médicos e não as propostas para a cidade. 

Apoiada pelo atual prefeito, Íris Rezende (MDB), a chapa de Maguito enfrenta o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Nas últimas duas semanas, Vanderlan, que tem o apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM), aumentou o tom das críticas aos rivais. Vice de Maguito, o vereador Rogério Cruz (Republicanos), bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, tem concedido entrevistas no lugar do cabeça de chapa após ficar cerca de 15 dias afastado depois também contrair, ele próprio, a covid-19. 

Maguito, que tem 71 anos, foi intubado no dia da votação do primeiro turno das eleições. 

Governador de Goiás entre 1995 e 1999, o candidato do MDB foi senador até 2008, e depois prefeito por dois mandatos da segunda maior cidade do Estado, Aparecida de Goiânia. Ele entrou na disputa pela capital após seu correligionário, Íris, decidir que não se candidataria à reeleição.

“Ele (Vanderlan) quis criar, na verdade, um clima de disputa com o vice para tentar se sobressair, numa estratégia de campanha que obviamente nós não iríamos cair”, diz Daniel Vilela, filho de Maguito e presidente do diretório estadual do MDB em Goiás. “Os adversários acabaram tendo uma derrota no primeiro turno, que eles não esperavam, e partiram para o tudo ou nada. Foi para uma campanha ‘abaixo da linha da cintura’, questionando a saúde dele, os próprios boletins médicos, para tentar confundir a cabeça do eleitor.”

Vanderlan é considerado o “candidato da direita” na disputa. Ele já chegou a defender em eventos de campanha que seu relacionamento com o presidente Jair Bolsonaro e figuras do Congresso Nacional facilitariam sua gestão na Prefeitura. Terceira colocada na disputa do primeiro turno, a deputada estadual Adriana Accorsi (PT) declarou apoio a Maguito e teve Vanderlan como um de seus principais alvos ao longo da disputa.

A campanha de Vanderlan diz que preferia que o debate em torno da cidade tivesse sido mais propositivo, e que os adversários aproveitaram o clima de comoção em torno da doença para impedir a discussão de políticas públicas. 

“Tivemos o Vanderlan a todo tempo fazendo uma campanha altamente propositiva, e a campanha adversária aproveitando esse momento de comoção e desconstruindo o nosso candidato a todo tempo, uma verdadeira enxurrada de fake news”, diz o coordenador da campanha do PSD, Simeyzon Silveira. “Nós também estamos extremamente comovidos com a situação, porque gostaríamos de ter nosso adversário inteiro.”

Maguito seguia na liderança na véspera da votação, segundo apontou pesquisa Ibope divulgada ontem. O candidato do MDB aparecia com 59% dos votos válidos; Vanderlan, 41%. O levantamento foi encomendado pela TV Anhanguera e ouviu 602 eleitores de Goiânia entre 26 e 28 de novembro. O nível de confiança é de 95%. Está registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) sob o protocolo GO-05266/2020.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.