Dida Sampaio
Dida Sampaio

Ministro da Defesa diz que sobrevoou ato com Bolsonaro para 'checar segurança'

Em nota, Fernando Azevedo diz que estava junto com presidente em helicóptero durante manifestação para checar segurança da Esplanada e da Praça dos Três Poderes

Jussara Soares e Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2020 | 21h53

BRASÍLIA – Vinte e quatro horas depois de o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, sobrevoar ao lado do presidente Jair Bolsonaro uma manifestação antidemocrática, a assessoria de imprensa do ministério justificou a presença dele no helicóptero como necessária para "checar as condições de segurança" da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos Três Poderes. 

A segurança do presidente, porém, é feita pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, que não estava presente, e não pelo Ministério da Defesa.

A pasta também comentou o uso de um avião camuflado pelo presidente. Como mostrou o Estadão, Bolsonaro costuma utilizar uma aeronave branca.  Segundo a Defesa, o modelo foi escolhido porque tem uma abertura na porta que permitiria "melhor visualização do local". Esse detalhe permitiu que Bolsonaro acenasse para os manifestantes do alto e ao lado do ministro Fernando Azevedo.  

Na ocasião, manifestante exibiam faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor de uma "intervenção militar". De acordo com a Defesa, o ministro não participou do ato após a aterrissagem. Não foi a primeira vez que militares acompanharam Bolsonaro em atos com pauta antidemocrática. Os ministros general Heleno (GSI) e Luiz Augusto Ramos (Secretaria de Governo) também já o acompanharam. A Defesa não comentou sobre a agenda dos protestos deste fim de semana. 

Procurado pelo Estadão, o governo não informou o valor das despesas que teve com o sobrevoo de helicóptero. A aeronave levou o presidente do Palácio da Alvorada ao Palácio do Planalto. De carro, o trajeto seria feito em minutos. 

Quando retornou ao Palácio do Planalto, o presidente se juntou aos manifestantes,  cumprimentou apoiadores que se aglomeravam em frente à sede do governo e, em seguida, montado num cavalo da Polícia Militar do Distrito Federal percorreu novamente o local, antes de retornar à residência oficial.

A presença do ministro da Defesa ao lado de Bolsonaro gerou críticas. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse não ver a participação no ato como uma sinalização positiva para os outros Poderes. "Isso vai gerando consequências. Consequências porque a gente sabe que a grande maioria da população discorda, diverge e não aceita que o valor democrático seja desrespeitado", afirmou o deputado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.