Carl de Souza/AFP
Carl de Souza/AFP

Manifestantes voltam às ruas contra Bolsonaro neste sábado; acompanhe

Organização diz que atos ocorreram em mais de 300 cidades; em SP, protesto foi menor que anteriores e houve confronto com a PM

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2021 | 12h05
Atualizado 26 de julho de 2021 | 12h22

Uma nova rodada de manifestações em nível nacional contra o governo do presidente Jair Bolsonaro volta a acontecer neste sábado, 24. Os protestos de hoje defendem, assim como os anteriores, o impeachment do chefe do Executivo e criticam a condução da pandemia a nível federal. Segundo os organizadores, foram marcados mais de 400 atos, que ganharam o nome de #24JContraBolsonaro, em todos os Estados do País.

Esta será a quarta manifestação organizada pela oposição ao presidente em dois meses. A primeira aconteceu em 29 de maio; a segunda, em 19 de junho; e a terceira, em 3 de julho. A movimentação do dia 19 foi a maior até o momento, com 457 atos registrados. Ao menos 24 capitais brasileiras estão com manifestações em curso ou já registraram atos contra o presidente neste sábado, segundo publicações dos organizadores nas redes sociais. São elas: BrasíliaSão PauloRio de Janeiro, Belo Horizonte, VitóriaSalvadorRecife, Fortaleza, AracajuSão Luís, João Pessoa, NatalMaceió, TeresinaBelém, Porto Velho, ManausPalmas, GoiâniaCampo Grande, Cuiabá, FlorianópolisPorto Alegre Curitiba.

As manifestações atuais reforçam os pedidos de vacinação e de ampliar a distribuição do auxílio emergencial, além de criticarem a alta nos preços de alimentos e apoiarem as investigações da CPI da Covid, em recesso até agosto. Ganharam força, contudo, com as recentes ameaças de membros do governo federal às eleições de 2022. Conforme revelado pelo Estadão, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, condicionou a realização do pleito no ano que vem ao voto impresso, fazendo coro a acusações infundadas de fraude por parte de Bolsonaro.

De acordo com os organizadores, a fala foi suficiente para aumentar a força dos atos de hoje. Segundo Raimundo Bonfim, líder da Central de Movimentos Populares (CMP) e um dos principais líderes das manifestações, foram agendados 123 novos atos pelo Brasil nas 24 horas seguintes à divulgação das ameaças. Outra fonte de incentivo foi o acordo com o Centrão de entregar o comando da Casa Civil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).

O deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, também deve voltar a ser foco dos manifestantes, que tentam pressionar a análise dos mais de 100 pedidos de impeachment entregues à Casa. No último sábado de protestos, eram comuns as menções ao parlamentar, chamando-o de “cúmplice” do presidente.

São Paulo

Os manifestantes voltaram a ocupar parte da Avenida Paulista em defesa do impeachment neste sábado. O ato desta vez foi menor e mais disperso que os anteriores.  Todos os 15 quarteirões da Avenida Paulista foram fechados para carros, mas os manifestantes se dividiram em bolsões entre os 8 quarteirões entre a avenida Consolação e a rua Pamplona.  Onze carros de som estavam estacionados em pontos estratégicos. No primeiro, no começo da Paulista, estavam o PSDB, PDT, Cidadania, grupos de renovação de matriz liberal como Livres e Acredito, e outras lideranças.

Bandeiras com o nome de Ciro Gomes e Bruno Covas dividiram espaço com faixas do Solidariedade e movimentos de mulheres. Nos bastidores, os organizadores se esforçaram para evitar um novo confronto entre militantes do Partido da Causa Operária (PCO) e do PSDB, como aconteceu na última manifestação. O PCO montou uma barraca em frente ao Masp, onde estava o carro de som que reuniu as principais lideranças do ato.

Foi lá que o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o líder do MTST, Guilherme Boulos (PSOL) discursaram. Eles foram os políticos de maior expressão presentes na manifestação. Desta vez, o ex-presidente Lula sequer cogitou aparecer. "Não vamos esperar sentados até 2022. O barco do Bolsonaro começou a afundar, e eles chamaram o centrão para conduzir o barco. Logo ele que na eleição de 2018 dizia que era da fora da política e ia acabar com a mamata. Ele veio do esgoto da política", disse Boulos em um discurso inflamado.

"Ele está ficando desesperado com as manifestações, com a CPI e a queda popularidade, e aí começa a ameaçar. Veio com a baboseira de que se não tiver voto impresso não vai ter eleição em 2022.  Nós vamos trabalhar para que antes da eleição tenha impeachment. Para que em 2022 o Bolsonaro não esteja na urna, mas no Tribunal de Haia", finalizou o líder do Psol.

"O Braga Neto deve estar com medo do que vai acontecer a partir da semana que vem. Esse povo universitário, secundarista, quando esse povo estiver vacinado, vamos encher as ruas deste país. São  507 cidades unidas contra o Bolsonaro", disse Haddad em sua intervenção.

A avaliação do coordenador da Central de Movimentos Populares e um dos líderes do movimento, Raimundo Bonfim, é de que o número de manifestantes na Avenida Paulista foi menor do que no dia 3 de julho, embora argumentem que os atos chegaram a um número maior de cidades em todo o País. Ele diz que a organização optou por reconhecer um número menor de manifestantes em relação ao último ato para dar credibilidade aos número divulgados pela organização dos atos. 

"Na minha opinião, não significa que está havendo uma fadiga", disse Bonfim. "Nós não temos mais como sair das ruas, porque o governo é a própria crise. É o primeiro governo no Brasil, independentemente da matiz política, em que não há perspectiva de que o presidente converse com os Poaderes para resolver as crises, porque ele é a própria crise."

À noite, alguns manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar. A PM informou em seu Twitter que algumas pessoas quebraram vidros do banco Itaú e tentaram tirar tapumes da frente de uma concessionária da Hyundai, na Avenida da Consolação. A Tropa de Choque foi deslocada para atuar no local e usou bombas de gás lacrimogênio. A PM também informou Alguns manifestantes permanecem na Praça Roosevelt.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), fez críticas aos episódios de vandalismo que ocorreram durante o protesto. "Condeno o vandalismo nas manifestacões de hoje", escreveu Doria em sua conta oficial no Twitter na noite deste sábado. "Quem age como vândalo é tão autoritário e violento como aquele que é alvo do protesto. Democracia significa dialogo, equilíbrio, jamais baderna. PM de SP agirá sempre que houver quebra da ordem. Ato democrático sim, violência não." 

Rio de Janeiro

Manifestantes saíram em caminhada no Centro do Rio por volta das 11h30. O grupo começou a concentrar às 10h perto do Monumento Zumbi dos Palmares, ocupando a pista central da Avenida Presidente Vargas, via que liga a zona norte à região central da cidade.

Por volta de 11h15, a pista central em sentido oposto também foi fechada ao tráfego para comportar o ato, que é acompanhado por policiais militares e guardas municipais. Em seguida, foi fechada uma das pistas laterais -- a via tem 14 faixas de rolamento no total, em quatro pistas. A concentração da manifestação se estendia por cerca de 300 metros.

Muitos manifestantes levavam cartazes e usavam adesivos de repúdio a Bolsonaro. Havia também adesivos e camisetas de apoio aos direitos das pessoas LGBTQI+, de repúdio ao machismo e de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Um boneco inflável do ex-presidente usando a faixa presidencial se destacava na parte final do cortejo. A caminhada seguiu até a Igreja da Candelária, no cruzamento da Presidente Vargas com a Avenida Rio Branco, principal via do Centro carioca, um percurso de cerca de 2,7 quilômetros.

Na capital carioca, o ato foi convocado pela Campanha Fora Bolsonaro RJ, organizada por partidos políticos de oposição (PT, PCdoB, PSOL, PCB, PSB, PDT, PSTU, Cidadania, PV, Rede Sustentabilidade e Avante) e movimentos sociais, com a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, o Fórum por Direitos e Liberdades, o Comitê em Defesa da Vida e a Coalizão Negra por Direitos.

Do principal carro de som do protesto, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) pediu a prisão de Bolsonaro por negligência na condução do combate à pandemia de covid-19 e criticou a tentativa do ministro da Defesa de pressionar o Legislativo pela aprovação do voto impresso nas eleições gerais de 2022. Molon frisou que o voto impresso será decidido pelo Congresso Nacional e não por Braga Netto.

“Quem com suas ações e omissões provocou a morte de meio milhão de brasileiros não pode ficar no Planalto”, disse o deputado. “Não pode apenas ser tirado da presidência, tem que ir para a cadeia.”

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, a concentração começou na praça da Liberdade, às 13h30. Os manifestantes pediam a saída do presidente Bolsonaro, mais vacinas e repudiavam as ameaças de golpe. Num trajeto diferente do adotado em atos anteriores, os manifestantes saíram às 15h30 em caminhada pela avenida Brasil, rumo à Praça Sete, no centro. Um momento emocionante ocorreu pouco antes de saírem: uma salva de palmas de um minuto em homenagem aos 545 mil mortos na pandemia.

O megaboneco inflável, caricatura de Bolsonaro vestido de morte e segurando uma embalagem de “cloropina”, alusão às investigações sobre o escândalo da vacina Covaxin, esteve de volta. O uso de máscara, como de costume, foi respeitado.

Enquanto as primeiras pessoas chegavam ao centro, por volta de 16h, ainda havia gente saindo da praça da Liberdade. O percurso, que foi todo ocupado, é calculado em cerca de 1,5 km de extensão. A PM de Minas não divulga estimativa de público.

A caminhada foi dividida em blocos: centrais sindicais, grupos indígenas e de defesa dos direitos da mulher, partidos políticos, professores, profissionais de saúde, entre outros. Carros de som entre esses blocos, em maior número em relação aos protestos anteriores, eram palanque para discursos das lideranças.

Ao som de batuques, alguns dos gritos de ordem foram: “Doutor, eu não me engano, o Bolsonaro é miliciano”; “Ai, Ai! Ai, ai, ai, ai, ai, se empurrar o Bozo cai”; e “Mobilização! Para derrubar o Bolsonaro e o Mourão!”. No fim da tarde, já no entorno da praça Sete, os manifestantes tocaram “Vida de gado”, quando o protesto começava a se dispersar. Um bloco de ciclistas também participou do ato. 

Salvador

O protesto contra o presidente Bolsonaro reuniu centenas de pessoas em Salvador e em outras oito cidades baianas. Como ocorre tradicionalmente, o ponto de encontro na capital baiana foi o Largo do Campo Grande. Sob chuva em alguns pontos, os manifestantes começaram a marchar às 10h e chegaram às 12h30 na Praça Municipal. Eles cobraRam o impeachment de Bolsonaro, a culpabilização do governo pelas 548 mil mortes causadas pela covid-19 no país, vacina e auxílio emergencial.

Pelo percurso, havia pessoas fantasiadas de jacarés e com blusas em homenagem ao Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria delas usava máscara. A manifestação, que foi pacífica do início ao fim, reuniu lideranças estudantis e de esquerda, torcidas organizadas, funcionários dos Correios, contra a privatização da estatal, e grupos de evangélicos.

Crianças também participaram do ato. Uma delas, Nicolas Nunes, 8 anos, foi para cima de um minitrio e discursou: “Precisamos de um presidente que seja humano. Sem olhar gênero, raça e condição social”.

Recife

"Essa é a vontade do povão, o Bolsonaro vai pra prisão"; "a nossa luta unificou, é estudante junto com trabalhador"; "aqui está o povo sem medo, sem medo de lutar". Esses foram alguns dos gritos de ordem que os manifestantes entoaram na manhã deste sábado no Recife.

A concentração começou às 10h, na Praça do Derby, região central da capital pernambucana e conhecido ponto de encontro de manifestantes de esquerda. No local, bandeiras de partidos como o PT, PSOL, PDT, PSB, PSTU e PCO eram comuns. Também havia bandeiras de movimentos sindicais; movimentos estudantis e de trabalhadores. Diversos manifestantes levaram bandeiras do Brasil, Palestina e Cuba.

Para evitar aglomerações e confusão, o Governo de Pernambuco criou Agentes Conciliadores, que entraram em contato com os organizadores do ato antes da passeata para organizar horários, trajeto e normas de segurança contra a covid-19. Os servidores estiveram por toda a caminhada da Praça do Derby, passando pela Avenida Conde da Boa Vista até a Avenida Guararapes diante de um sol forte e temperatura de 26°C.

Apesar dos cuidados dos organizadores, distribuindo máscaras PFF2 e passando álcool na mão das pessoas que acompanhavam o protesto, foi comum encontrar aglomerações e manifestantes sem máscara. Por volta das 13h, entre a Avenida Guararapes e a Ponte Duarte Coelho, os militantes começaram a se dispersar e o ato, completamente pacífico, teve fim.

O senador Humberto Costa (PT-PE), membro da CPI da Covid, esteve na manifestação e avaliou que o ato de hoje foi o que contou com o maior número de participantes na capital pernambucana. Segundo o parlamentar, os manifestantes estavam "muito indignados com os fatos recentes", em referência às questões reveladas pela CPI no Senado e às ameaças às eleições feitas por Bolsonaro e agora também pelo ministro da Defesa, como revelou o Estadão nesta semana.

"Os manifestantes defenderam a democracia e a realização de eleições livres", disse Costa ao Estadão. "(Ficou) Muito caracterizada a defesa do Estado Democrático de Direito no ato", completou.

Porto Alegre

O quarto protesto unificado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realizado em Porto Alegre neste sábado manteve a média de público dos atos anteriores. Organizado por movimentos e partidos de esquerda, o evento iniciou mais uma vez por volta das 15h em frente a prefeitura e teve a participação de mais de 30 mil pessoas.

Mas o percurso, desta vez, foi diferente. Ao invés de se deslocar até o Largo Zumbi dos Palmares pela orla do Guaíba, os manifestantes optaram por percorrer as ruas do centro e do bairro Cidade Baixa. Ao chegar à esquina das avenidas João Pessoa e Salgado Filho, moradores de dois prédios atiraram água e ovos nos manifestantes. Não houve repercussões graves e os manifestantes apenas xingaram de volta. O restante da caminhada foi pacífica, sem conflitos.

A manifestação acontece 13 dias após Bolsonaro ter realizado uma motociata com cerca de 20 mil apoiadores na cidade. Um fato que chamou atenção foi a presença de bandeiras do PDT e do PSB, partidos que estavam contidos nas manifestações anteriores. Mesmo assim, a predominância ainda era de bandeiras do PT, PSOL e PCdoB.

São Luís

Na capital maranhense, os manifestantes se concentraram na região central da cidade para a quarta demonstração contra o governo Bolsonaro. Com frases de “Vacina no braço e comida no prato” e “Evangélicos pelo Fora Bolsonaro”, o ato foi marcado por críticas ao presidente da República e também aos altos preços do arroz, feijão, óleo e gasolina.

“Defendemos a saída irrestrita do presidente, seja por impeachment ou pela mobilização das pessoas, contra a má gestão de Bolsonaro que levou à morte de mais 500 mil pessoas. O presidente cometeu um crime contra a humanidade. É um governo genocida”, afirmou o jovem e co-vereador do Coletivo Nós, Eni Ribeiro.

O protesto, que teve fim na Praia Grande, contou com a participação dos partidos PT, PSOL, PCO, PCdoB, PSTU e de entidades e classes sindicais CTB, Movimento dos Trabalhadores Rurais, UBES, CUT, Sinproessema, UJS e UNE.

Maceió

Na capital alagoana, cerca de 5 mil pessoas, na estimativa dos organizadores, saíram às ruas na manhã deste sábado para pedir o impeachment do presidente da República. Com faixas, cartazes e gritos de "Fora Bolsonaro", os manifestantes percorreram cerca de três quilômetros da área nobre da cidade.

Os manifestantes também pediram para que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, dê prosseguimento aos pedidos de impeachment de Bolsonaro registrados na Casa. "Não é possível que diante de tantas evidências de, no mínimo, prevaricação, o Arthur Lira mantenha os vários pedidos de impeachment engavetados", disse Lenilda Luna, líder da Unidade Popular e uma das organizadoras dos protestos em Alagoas.

Goiânia

Goiânia e mais 22 cidades de Goiás têm manifestações contra o governo Bolsonaro neste sábado. Na capital, o grupo protestou pela saída do presidente da República, contra cortes na Educação no Estado e pediu mais vacinas contra a covid. Em outros municípios goianos, o protesto ocorre no período da tarde. Este é o quarto ato registrado e, segundo os organizadores, vem atingindo as metas. Eles calculam que 8 mil pessoas compareceram à manifestação.  

Com faixas e cartazes com dizeres como "Vacina sem propina e comida no prato" e que lembravam os mortos pela covid, a concentração do ato na capital começou às 9h na Praça do Trabalhador, e foi subindo a Av. Goiás, cruzando todo o centro até chegar à Praça Cívica (sede do governo estadual).

A manifestação, que foi pacífica, foi organizada pelo Fórum Goiano e entidades sindicais, populares e estudantis. Diversos setores estiveram presentes como a Central Única de Trabalhadores (CUT), Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas no Estado de Goiás (STIUEG), Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (SINPRO), entre outros.

Fortaleza

Em Fortaleza, o #24J movimentou grupos sociais, como o Coletivo Juntos, Coletivo Rebento, formado por médicos cearenses, e Rede Emancipa, para mais um ato contra o presidente Jair Bolsonaro.

A concentração aconteceu à tarde na Praça Portugal, que fica no bairro Aldeota, área nobre da capital. Os manifestantes usavam máscaras do tipo PFF2 e orientavam uns aos outros quanto ao distanciamento mínimo de 2 metros, mas, pela quantidade de pessoas, não foi possível ser respeitado.

Em faixas e cartazes, eles pediam “vacina no braço, comida no prato”, auxílio emergencial de R$ 600, mais emprego e “seriedade contra a pandemia”, além do impeachment do presidente.

A concentração aconteceu de forma pacífica e, em seguida, todos seguiram para a Praia de Iracema, onde o ato foi encerrado.

Ainda durante a manhã desta sábado, manifestantes de outras cidades do interior do Ceará também foram às ruas protestar contra o atual governo. O decreto do governo do estado vai permitir, a partir da próxima segunda-feira, 26, eventos com até 100 pessoas em ambientes fechados e com até 200 em ambientes abertos. Por enquanto, até domingo, 25, eles seguem proibidos.

Curitiba

Cerca de quatro mil pessoas, segundo a organização, se reuniram na Praça Santos Andrade, em Curitiba (PR), para protestar contra o governo federal e pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A manifestação foi pacífica e os organizadores pediam para que fosse mantido o distanciamento social. O protesto reuniu sindicatos, movimentos sociais, partidos políticos e lideranças indígenas. No final da tarde, o grupo saiu em passeata pelas ruas centrais da cidade.

Segundo o guarani Elói Jacinto, que estava com outros integrantes indígenas, o governo federal tem feito um discurso de ódio contra os povos indígenas e além disso, beneficiado ruralistas. “Somos contra a aprovação da PL 490 que retira direitos indígenas, além disso, somos contrários ao atual governo desde antes de sua eleição, pois sempre nos ameaçou e foi favorável aos desejos da bancada ruralista, que é a maior no Congresso”, comentou.

Na opinião do diretor da Associação dos Professores da Universidade Federal (Apufpr), Paulo Vieira Neto, as recentes declarações de membros do governo contra a democracia, voto impresso, têm unido ainda mais a defesa pela democracia. “Temos fortalecido essas ações em todo o país, as manifestações mostram que queremos defender nossa democracia e termos um governo que preze pela ciência, ao contrário do que tem acontecido”, analisou.

Pela manhã, um grupo de motociclistas que apoia o presidente Bolsonaro realizou uma motociata pela rodovia BR-277. A PM não divulgou o número de participantes da motociata e da manifestação contra o presidente.

Manaus

Cerca de 3 mil pessoas participaram da manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro na capital do Amazonas. Além do presidente, o governador Wilson Lima (PSC) também foi alvo do protesto.

A concentração teve início às 15h. O movimento partiu da Praça da Saudade, percorreu as avenidas Epaminondas, 7 de Setembro e Eduardo Ribeiro, encerrando o ato de forma pacífica no Largo de São Sebastião. Dez partidos políticos de centro-esquerda, centro-direita e movimentos sociais fizeram parte do protesto.

Os manifestantes carregavam faixas e cartazes com mensagens: “Fora Bolsonaro”, “Impeachment Já”. Em determinado momento, o grupo gritou “Wilson Lima, a CPI vai te pegar”, fazendo uma referência à investigação que ocorre no Senado. Além disso, foram exibidos bonecos em sacos pretos para representar os mortos na pandemia. 

Para o coordenador do evento e da Frente Brasil Popular (FBP), Yann Evanovick, há um sentimento de revolta e busca por justiça que resultou da morte de milhares de pessoas durante a pandemia.

“Manaus foi uma das cidades que deu vitória ao presidente Bolsonaro, mas isso começa a mudar. A imagem dele está derretendo. Nós esperamos que a Câmara Federal tome uma atitude e coloque o pedido de impeachment em pauta. O presidente já deu uma gama de provas de fatos que levam ao crime de responsabilidade, a crimes contra a vida, então não dá pra Câmara esperar mais”, disse.

Segundo Yann, outros cinco municípios do interior também participaram do ato: Itacoatiara, Tefé, Humaitá, Coari e Benjamin Constant.

A aposentada Maria Madalena da Silva, de 67 anos, participa de manifestações há mais de 20 anos, e defendeu a união de todos para mudar o cenário atual. “A nossa participação é muito importante para a transformação do Brasil. Nós não estamos satisfeitos com esse governo, ele está acabando com o Brasil. Ele tem que cair”, declarou.

Segundo o universitário Marcelo Augusto, de 22 anos, a má gestão de Bolsonaro frente à pandemia ceifou a vida de brasileiros, incluindo seu pai, que morreu em decorrência da covid-19.

“A partir da nossa organização a nível nacional vamos derrubar o Bolsonaro. Foram mais de 500 mil mortes para esse vírus. Tomamos todos os cuidados, eu já fui vacinado, estou usando máscara. A gente não pode mais ficar em casa, sem fazer nada, vendo esse desgoverno”, declarou. 

Interior de São Paulo

Nas principais cidades do interior de São Paulo, manifestantes voltaram a protestar contra o governo do presidente Bolsonaro. Os grupos pediram, a exemplo de atos anteriores, mais vacina, auxílio emergencial de R$ 600 e cobraram dos parlamentares a abertura de processo de impeachment contra o presidente.

Faixas e cartazes acusaram o governo de Bolsonaro de corrupção nas negociações para compra de vacina contra a covid-19. O governo também foi acusado de omissão na pandemia. Houve protestos em ao menos 17 cidades de médio e grande porte, sem incidentes graves, mas com registros de aglomerações. Desta vez, muitas pessoas vestiam amarelo e levavam bandeiras do Brasil.

Em Campinas, os manifestantes se concentraram no Largo do Rosário e caminharam pela Avenida Francisco Glicério, interditando todas as faixas. A passeata prosseguiu pelas ruas do centro, em ato que durou cerca de três horas. Linhas organizadas para manter o distanciamento foram desfeitas durante o percurso devido ao excesso de pessoas. Oradores se revezaram em críticas ao governo.

Em Sorocaba, organizações sociais e partidos políticos participaram da manifestação, iniciada na Praça Coronel Fernando Prestes e encerrada com uma passeata pelo centro. Muitas pessoas estavam de verde e amarelo e empunhavam bandeiras do Brasil, além de um cartaz com os dizeres: “vamos resgatar nossa bandeira”. Outros cartazes chamavam o governo de “corrupto” e “genocida”. Políticos do PT e do PSOL participaram dos atos.

O protesto em Bauru começou com uma concentração na Praça Rui Barbosa, seguida de passeata pela Rua 1º de Agosto. Grupos de aldeias indígenas da região participaram do ato pedindo a retomada na demarcação de terras indígenas. Em Marília, o ato aconteceu na Rua 9 de Julho, no centro.

Em Jundiaí, os manifestantes estenderam uma faixa de 30 metros que dizia "fora Bolsonaro". A concentração aconteceu em frente à Câmara, de onde o grupo se deslocou para a Igreja Matriz.  

Manifestantes com faixas e bandeiras realizaram uma passeata pelas ruas de São José dos Campos, após se concentrarem na Praça Afonso Pena. Houve discursos contra o governo e algumas pessoas vestiam verde e amarelo.  

Em Piracicaba, além de pedir o impeachment do presidente Bolsonaro, os manifestantes cobraram também o governo municipal, pedindo moradias e emprego. O ato começou no Terminal Central e terminou na Praça da Catedral, após caminhada pelas ruas do centro. Nesse local, houve xingamentos entre manifestantes e apoiadores do presidente.

Pela primeira vez este ano, houve protestos contra Bolsonaro na região central de Presidente Prudente, cidade de ruralistas. Os manifestantes levaram cartazes pedindo "fora Bolsonaro" e defendendo o SUS.

O protesto em Araraquara, cidade governada pelo PT, reuniu 400 manifestantes, segundo a Polícia Militar. Os manifestantes se concentraram na Praça Santa Cruz e seguiram até a Praça Nove de Julho. Em São Carlos, cerca de 200 manifestantes, segundo a Guarda Civil Municipal, se reuniram na Praça do Mercado e caminharam até a Praça Coronel Salles, aos gritos de “genocida”.

Houve manifestações também em Ribeirão Preto, Taubaté, Jacareí, Caçapava, Assis, Santa Cruz do Rio Pardo e Jaú - nesta cidade, os manifestantes fizeram 500 cruzes de papel para homenagear as mais de 500 mil vítimas da covid-19.

No exterior

Assim como aconteceu nas organizações passadas, comunidades de brasileiros no exterior também se uniram em protestos contra Bolsonaro. Neste sábado, conforme mostram publicações nas redes sociais dos grupos organizadores, aconteceram atos em Berlim, na Alemanha, em Tóquio, no Japão, e em Lisboa, em Portugal, entre outros.

Organização

Novamente, os principais organizadores dos atos pelo Brasil são centrais sindicais e movimentos sociais como as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, Coalizão Negra por Direitos, MTST, UNE e CMP, além de partidos da esquerda como PT, PSOL e PCdoB. Há, porém, registros localizados de apoio de grupos de outros espectros políticos, como o PSDB, em São Paulo.

A organização tenta, inclusive, evitar atos isolados de violência, como os do último protesto na capital paulista. Militantes do Partido da Causa Operária (PCO) se confrontaram com um grupo do PSDB na Avenida Paulista e, à noite, outros participantes do ato atearam fogo a uma agência bancária. Para evitar situações do tipo, a organização deve encerrar o ato antes do anoitecer. / COM VINICIUS NEDER, DO RIO, JULIA AFFONSO, DE BRASÍLIA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, DE SOROCABA, PEDRO VENCESLAU E TULIO KRUSE, DE SÃO PAULO; FERNANDA SANTANA, DE SALVADOR, RICCO VIANA, DE RECIFE, DAVI MAX, DE SÃO LUÍS, CARLOS NEALDO, DE MACEIÓ, SHISLENY GOMES, DE GOIÂNIA, LÔRRANE MENDONÇA, DE FORTALEZA, JULIO CESAR LIMA, DE CURITIBA, EDUARDO AMARAL, DE PORTO ALEGRE, ALINE RESKALLA, DE BELO HORIZONTE, e THAISE ROCHA, DE MANAUS, ESPECIAIS PARA O ESTADÃO.

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