Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Entenda a cirurgia de Bolsonaro para retirada de cálculo da bexiga

Procedimento, que foi realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, é considerado simples; relembre outras cirurgias do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2020 | 09h27
Atualizado 25 de setembro de 2020 | 11h28

O presidente Jair Bolsonaro foi submetido nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, a uma cirurgia para retirada de cálculo na bexiga. O procedimento é considerado simples, e a previsão é de que Bolsonaro fique de um a dois dias hospitalizado. Trata-se da sexta cirurgia pela qual o presidente passará desde setembro de 2018, quando sofreu uma facada em ato de campanha.

O procedimento foi realizado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Antes, cogitou-se realizar o procedimento no Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or São Luiz, também em São Paulo. Por decisão médica, a cirurgia foi transferida ao Einstein, onde Bolsonaro ficou internado por três semanas após sofrer a facada.

A necessidade do procedimento foi anunciada pelo próprio presidente a apoiadores no início de setembro, no Palácio da Alvorada. “Esse cálculo aqui é de estimação. Eu tenho há mais de cinco anos, está na bexiga. É maior que um grão de feijão. Resolvi tirar porque deve estar aí ferindo internamente a bexiga", disse Bolsonaro na ocasião. 

A cirurgia foi realizada pelo urologista Leonardo Borges. As informações sobre o procedimento foram confirmadas ao Estadão/Broadcast por integrantes do Palácio do Planalto e da equipe médica. Após participar na tarde de quinta-feira, 24, de um evento na Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Rio, o presidente seguiu para São Paulo. Pela manhã, ele participou de uma formatura na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), onde havia dormido.

Especialistas ouvidos pelo Estadão afirmaram que o tamanho do cálculo anunciado por Bolsonaro não é considerado tão grande, e deram mais detalhes sobre o tipo de procedimento que costuma guiar a retirada de pedras do tipo. 

Saiba mais sobre o procedimento e relembre cirurgias anteriores de Bolsonaro

O que é e como se forma um cálculo na bexiga?

Segundo o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Urologia, Alfredo Canalini, cálculos urinários podem aparecer quando substâncias presentes na urina, como cálcio, fosfato e ácido úrico se aglutinam, formando uma pedra. 

Canalini diz que algumas situações podem favorecer o aparecimento dos cálculos, como quando a pessoa não bebe muita água. “É uma situação relativamente comum”, afirma o urologista, que explica que os cálculos urinários em geral se formam no rim e podem descer pelo ureter, caindo na bexiga. “Ou você pode ter o cálculo que se forma primariamente na bexiga, mas isso não é o mais comum.”

“(O cálculo urinário) é uma doença muito frequente”, afirma o professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo Roni de Carvalho Fernandes. “As pedras dentro do sistema urinário podem ser de vários tamanhos, e um cálculo do tamanho de um grão de feijão não é tão grande.”

Quais os sintomas?

Segundo o urologista Alfredo Canalini, o cálculo em geral provoca dor quando obstrui a passagem do ureter, causando acúmulo da urina e inchando o rim. “E, quando o rim incha, dói. Essa é a cólica renal”. 

Já os cálculos na bexiga, segundo o médico, não costumam ser motivo de dor, embora isso possa acontecer. Mesmo assim, Canalini diz que costuma aconselhar a retirada da pedra, uma vez que a tendência é que os cálculos cresçam, levando à necessidade de cirurgias mais complexas para sua remoção.

O urologista Roni de Carvalho Fernandes pontua ainda que pedras na bexiga também podem gerar sintomas na hora de urinar. “(O paciente) pode ter dor, sangramento para urinar, aumento da frequência e urgência para ir ao banheiro.”

Como é feita a cirurgia para retirar o cálculo?

O procedimento é considerado simples e minimamente invasivo. A cirurgia é feita com um endoscópio, que segue através da uretra (canal pelo qual urinamos) até chegar à bexiga. “Pela visão da endoscopia, você localiza o cálculo e dá ‘tirinhos’ de laser na pedra, que vai se fragmentando. Se ela se fragmenta muito bem, o paciente vai até uriná-la espontaneamente. Ou você pode quebrar essa pedra em pedaços e, com pinças delicadas, tirar essas pedrinhas pelo aparelho endoscópico”, afirma Alfredo Canalini. “O paciente dorme durante o procedimento e não sente absolutamente nada da barriga para baixo. E a recuperação, em geral, é bem tranquila.”

“O procedimento é de baixa complexidade, com período de internação curto e uma boa evolução no pós operatório. Normalmente, a gente orienta o paciente a ficar um ou dois dias internado”, diz Roni de Carvalho Fernandes. 

Por quais outras cirurgias Bolsonaro já passou desde 2018?

  • 6 de setembro de 2018 -  Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG): Operação de urgência após ser atingido com uma facada por Adélio Bispo em ato de campanha
  • 12 de setembro de 2018 - Hospital Albert Einstein, em São Paulo: Cirurgia de emergência em razão de uma complicação causada pela aderência das paredes do intestino

     

  • 28 de janeiro de 2019 - Hospital Albert Einstein, São Paulo: Retirada da bolsa de colostomia
  • 8 de setembro de 2019 - Hospital Vila Nova Star, São Paulo: Cirurgia para correção de uma hérnia incisional na região da área atingida pela facada
  • 30 de janeiro de 2020 - Hospital das Forças Armadas (HFA), Brasília: Vasectomia. Foi a segunda vez que ele passou pelo procedimento médico de esterilização para homens que não desejam ter mais filhos biológicos /COLABORARAM JUSSARA SOARES E EMILY BEHNKE​, DE BRASÍLIA.
Tudo o que sabemos sobre:
Jair Bolsonarocirurgia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.