Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Após retirar cálculo da bexiga, Bolsonaro tem 'ótima evolução', diz boletim médico

Procedimento em hospital de São Paulo durou uma hora e meia e não teve intercorrências, segundo médicos

Fernanda Boldrin e Nicholas Schores, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2020 | 11h08
Atualizado 25 de setembro de 2020 | 17h43

O presidente Jair Bolsonaro teve seu cálculo na bexiga removido na manhã desta sexta feira, 25, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Segundo boletim médico divulgado no fim da tarde, o presidente tem "ótima evolução clínica". O procedimento durou uma hora e meia.

Bolsonaro está sem febre e está usando sonda vesical, diz o boletim assinado pelo cardiologista Leandro Echenique, pelo urologista Leonardo Lima Borges, e por Miguel Cendoroglo, diretor-superintendente do hospital. O presidente iniciou dieta oral e caminhou no quarto.

Bolsonaro é acompanhado pela primeira-dama, Michelle. No fim da tarde, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou para visitar o presidente. A Secretaria Especial de Comunicação do governo (Secom) não divulgou quando será a alta. De acordo com especialistas consultados pelo Estadão, cirurgias como a de Bolsonaro em geral são acompanhadas de um ou dois dias de internação. 

De início, a operação estava prevista para ser realizada com o urologista Miguel Srougi. A mudança de planos, porém, veio após o presidente tomar conhecimento de críticas de Srougi à sua atuação diante da pandemia da covid-19.

Esta é a sexta cirurgia pela qual o presidente passa desde setembro de 2018, quando foi atingido com uma facada em ato de campanha. Desde então, o presidente passou por quatro cirurgias em decorrência do ferimento. Bolsonaro ainda realizou no início deste ano uma vasectomia.

A necessidade da nova cirurgia foi contada pelo presidente a apoiadores em 1º de setembro, no Palácio da Alvorada. Bolsonaro disse que estava com um cálculo na bexiga “maior que um grão de feijão”.

“Esse cálculo aqui é de estimação. Eu tenho há mais de cinco anos, está na bexiga. É maior que um grão de feijão. Resolvi tirar porque deve estar aí ferindo internamente a bexiga”, afirmou ele, na ocasião.

Saiba mais sobre o procedimento e relembre cirurgias anteriores de Bolsonaro

O que é e como se forma um cálculo na bexiga?

Segundo o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Urologia, Alfredo Canalini, cálculos urinários podem aparecer quando substâncias presentes na urina, como cálcio, fosfato e ácido úrico se aglutinam, formando uma pedra. 

Canalini diz que algumas situações podem favorecer o aparecimento dos cálculos, como quando a pessoa não bebe muita água. “É uma situação relativamente comum”, afirma o urologista, que explica que os cálculos urinários em geral se formam no rim e podem descer pelo ureter, caindo na bexiga. “Ou você pode ter o cálculo que se forma primariamente na bexiga, mas isso não é o mais comum.”

“(O cálculo urinário) é uma doença muito frequente”, afirma o professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo Roni de Carvalho Fernandes. “As pedras dentro do sistema urinário podem ser de vários tamanhos, e um cálculo do tamanho de um grão de feijão não é tão grande.”

Quais os sintomas?

Segundo o urologista Alfredo Canalini, o cálculo em geral provoca dor quando obstrui a passagem do ureter, causando acúmulo da urina e inchando o rim. “E, quando o rim incha, dói. Essa é a cólica renal”. 

Já os cálculos na bexiga, segundo o médico, não costumam ser motivo de dor, embora isso possa acontecer. Mesmo assim, Canalini diz que costuma aconselhar a retirada da pedra, uma vez que a tendência é que os cálculos cresçam, levando à necessidade de cirurgias mais complexas para sua remoção.

O urologista Roni de Carvalho Fernandes pontua ainda que pedras na bexiga também podem gerar sintomas na hora de urinar. “(O paciente) pode ter dor, sangramento para urinar, aumento da frequência e urgência para ir ao banheiro.”

Como é feita a cirurgia para retirar o cálculo?

O procedimento é considerado simples e minimamente invasivo. A cirurgia é feita com um endoscópio, que segue através da uretra (canal pelo qual urinamos) até chegar à bexiga. “Pela visão da endoscopia, você localiza o cálculo e dá ‘tirinhos’ de laser na pedra, que vai se fragmentando.

Se ela se fragmenta muito bem, o paciente vai até uriná-la espontaneamente. Ou você pode quebrar essa pedra em pedaços e, com pinças delicadas, tirar essas pedrinhas pelo aparelho endoscópico”, afirma Alfredo Canalini. “O paciente dorme durante o procedimento e não sente absolutamente nada da barriga para baixo. E a recuperação, em geral, é bem tranquila.”

“O procedimento é de baixa complexidade, com período de internação curto e uma boa evolução no pós operatório. Normalmente, a gente orienta o paciente a ficar um ou dois dias internado”, diz Roni de Carvalho Fernandes. 

Por quais outras cirurgias Bolsonaro já passou desde 2018?

  • 6 de setembro de 2018 -  Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora (MG): Operação de urgência após ser atingido com uma facada por Adélio Bispo em ato de campanha
  • 12 de setembro de 2018 - Hospital Albert Einstein, em São Paulo: Cirurgia de emergência em razão de uma complicação causada pela aderência das paredes do intestino
  • 28 de janeiro de 2019 - Hospital Albert Einstein, São Paulo: Retirada da bolsa de colostomia
  • 8 de setembro de 2019 - Hospital Vila Nova Star, São Paulo: Cirurgia para correção de uma hérnia incisional na região da área atingida pela facada
  • 30 de janeiro de 2020 - Hospital das Forças Armadas (HFA), Brasília: Vasectomia. Foi a segunda vez que ele passou pelo procedimento médico de esterilização para homens que não desejam ter mais filhos biológicos

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