Najara Araújo/ Agência Câmara
Najara Araújo/ Agência Câmara

‘Ele está fugindo de alguém?’, pergunta Maia sobre ida de Weintraub aos EUA

Presidente da Câmara disse não entender viagem do ministro da Educação, que tem apoio do governo; ‘ninguém está sentindo falta dele’, diz

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2020 | 16h58

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), questionou a viagem do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, aos Estados Unidos, e disse não ter entendido a situação que foi criada. 

“Eu não entendi o porquê. Ele estava fugindo de alguém? Estranho, não é?”, disse Maia ao comentar os motivos que levaram o Palácio do Planalto a republicar a exoneração do ex-ministro. “Essa é a primeira vez na história que alguém diz que está exilado e tem o apoio do governo. Geralmente é o contrário, as pessoas fogem porque estão sendo perseguidas por um governo. Acho que é uma coisa meio atabalhoada. Não faz muito sentido.” 

Após uma “retificação” no Diário Oficial da União para alterar a data da demissão, o governo admitiu que o pedido de exoneração do então ministro só foi formalizado depois que ele deixou o País, no último sábado, 20. A suspeita é que Weintraub tenha usado a condição de ministro para desembarcar em Miami e, assim, driblar as restrições de viagens para brasileiros em razão da pandemia de covid-19. 

“Ninguém está sentindo falta dele no Ministério da Educação. Ninguém queria que ele ficasse no Brasil de qualquer jeito”, afirmou Maia. “É uma pessoa que mais atrapalhou do que ajudou. Não entendi essa necessidade de se criar um ambiente para ele sair correndo do Brasil, até porque ele está sendo indicado para um banco internacional, certamente ele teria autorização dos EUA para entrar no país”, disse Maia. 

Maia sempre deixou claro suas restrições em relação a Weintraub e chegou a declarar, no plenário da Câmara, que não era possível “acreditar nesse ministro”, durante a polêmica sobre o adiamento do Exame do Ensino Nacional do Ensino Médio (Enem).

Weintraub, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal em duas frentes, por ter chamado os integrantes da Corte de vagabundos e pedido sua prisão e por suposto crime de racismo contra os chineses, chegou a admitir em entrevista que temia ser preso.

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