Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cronologia da crise: Entenda a relação entre Bebianno e o presidente

Bolsonaro e seu ministro da Secretaria-Geral da Presidência estão no mesmo partido há pouco mais de um ano; acompanhe a linha do tempo

Tânia Monteiro, Renata Agostini e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 15h01

Cronologia do Caso Bebianno

5 de janeiro de 2018

De olho nas eleições para o Planalto, o então deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) desistiu de se filiar ao PEN, que seria rebatizado de Patriota. A decisão foi vista como uma vitória de Gustavo Bebianno num duelo que se arrastava desde novembro com os irmãos Flávio e Carlos Bolsonaro.

7 de março

Agora como pré-candidato ao Planalto, Bolsonaro se filiou ao PSL, presidido por Luciano Bivar (PE). Bebianno foi escalado por Bolsonaro para comandar o partido durante a campanha eleitoral. A contragosto dos filhos de Bolsonaro, Bebianno atuou para aproximar Julian Lemos, um militante da Paraíba, do comando da campanha e tornar o senador Magno Malta (PR-ES) candidato a vice na chapa presidencial. As negociações irritaram Carlos e Flávio.

Julho

Bebianno procura o presidente do PR, Valdemar da Costa Neto, para costurar uma aliança do partido com o PSL na disputa presidencial. Valdemar exigiu coligação proporcional em São Paulo, para reforçar a legenda e eleger mais deputados na onda de votos de Eduardo Bolsonaro. Eduardo se opôs.

15 de agosto de 2018

Flávio Bolsonaro foi convencido pelo pai a registrar o empresário Paulo Marinho, ligado a Bebianno, como suplente na sua candidatura ao Senado. E Carlos reclamou que Bebianno também atuou para impedir que disputasse uma cadeira na Câmara Federal pelo Rio. Com isso, o filho do presidente permaneceria como vereador e ficaria longe do pai numa eventual vitória nas eleições presidenciais.

21 de novembro de 2018

Durante o governo de transição, Bebianno antecipou o anúncio da escolha de Carlos Bolsonaro como chefe da Secretaria de Comunicação do governo (Secom), surpreendendo o filho do presidente que ainda estudava se a situação configurava nepotismo. No Twitter, Carlos afirmou que “não tem nada disso”. Em seguida, informou que deixaria o controle das redes sociais do pai.

6 de dezembro de 2018

O ‘Estado’ revelou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou em relatório “movimentações atípicas” de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O filho do presidente reclamou ao pai que Bebianno não estaria atuando para estancar a crise.

17 de janeiro de 2019

Supremo Tribunal Federal suspendeu as investigações sobre o relatório do Coaf contra Flávio no âmbito do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. Bebianno teria atuado para que a Corte analisasse o caso mesmo no recesso. A decisão de recorrer ao Supremo foi vista como um erro no núcleo do governo. A partir daí, Flávio passou a apoiar Carlos na luta do irmão contra o ministro.

1º de fevereiro de 2019

Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara. A campanha dele à reeleição contou com apoio de Bebianno. Carlos e outro filho de Bolsonaro, Eduardo, deputado do PSL por São Paulo, eram contra a aproximação do Planalto e a candidatura de Maia.

12 de fevereiro de 2019

Em meio a denúncias de supostas irregularidades nas candidaturas do PSL, Bebianno disse ao ‘Globo’ que o caso não criou crise no governo e tinha conversado sobre o assunto com Bolsonaro – naquele momento internado. “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei 3 vezes com o presidente”, afirmou o ministro.

No começo da tarde do dia 13, Carlos escreveu no Twitter: “É uma mentira absoluta de Bebianno que ontem teria falado 3 vezes com Bolsonaro”. Também postou: “Não há roupa suja a ser lavada! Apenas a verdade: Bolsonaro não tratou com Bebiano o assunto exposto pelo O Globo como disse que tratou”. Horas depois, Bolsonaro retuitou as mensagens. Numa entrevista à noite divulgada pela TV Record, o presidente disse que Bebianno poderia “voltar às origens” caso estivesse envolvido em irregularidades.

15 de fevereiro de 2019

Bebianno fica no governo. Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro afirmam que ele decidiu atender aos apelos políticos e manter o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, no cargo. O presidente ainda não conversou com o ministro. A informação foi dada a Bebianno pelos colegas Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo).

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