REUTERS/Ricardo Moraes
REUTERS/Ricardo Moraes

Cronologia: as alianças e crises entre Bebianno e os Bolsonaro

Ex-ministro que morreu neste sábado foi braço direito de Bolsonaro até protagonizar uma das primeiras crises do governo

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2020 | 11h17

O ex-secretário-geral da Presidência da República Gustavo Bebianno, que morreu neste sábado, 14, foi o primeiro ministro a ser demitido no governo de Jair Bolsonaro

Ele era braço direito do presidente, coordenou sua campanha em 2018 e, em menos de dois meses à frente de uma pasta em Brasília, protagonizou a primeira crise do governo, sendo alvo do verador carioca Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente. 

Relembre a cronologia que levou à crise no governo Bolsonaro e os desdobramentos:

5 de janeiro de 2018

De olho nas eleições para o Planalto, o então deputado Jair Bolsonaro (na época filiado ao PSC-RJ) desiste de mudar para o PEN, que seria rebatizado de Patriota.

7 de março de 2018

Agora como pré-candidato ao Planalto, Bolsonaro se filia ao PSL, presidido por Luciano Bivar (PE). Bebianno é escalado por Bolsonaro para comandar o partido durante a campanha eleitoral. A contragosto dos filhos de Bolsonaro, Bebianno atua para aproximar Julian Lemos, um militante da Paraíba, do comando da campanha e tornar o senador Magno Malta (PR-ES) candidato a vice na chapa presidencial. As negociações irritam Carlos e seu irmão Flávio.

Julho de 2018

Bebianno procura o presidente do PR, Valdemar da Costa Neto, para costurar uma aliança do partido com o PSL na disputa presidencial. Valdemar exige coligação proporcional em São Paulo, para reforçar a legenda e eleger mais deputados na onda de votos de Eduardo Bolsonaro. Eduardo se opõe.

15 de agosto de 2018

Flávio Bolsonaro é convencido pelo pai a registrar o empresário Paulo Marinho, ligado a Bebianno, como suplente na sua candidatura ao Senado. E Carlos reclama que Bebianno também teria atuado para impedir que disputasse uma cadeira na Câmara Federal pelo Rio. Com isso, o filho do presidente permaneceria como vereador e ficaria longe do pai numa eventual vitória nas eleições presidenciais.

21 de novembro de 2018

Durante o governo de transição, Bebianno antecipa o anúncio da escolha de Carlos Bolsonaro como chefe da Secretaria de Comunicação do governo (Secom), surpreendendo o filho do presidente que ainda estudava se a situação configurava nepotismo. No Twitter, Carlos afirma que “não tem nada disso”. Em seguida, informa que deixaria o controle das redes sociais do pai.

6 de dezembro de 2018

O ‘Estado’ revela que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou em relatório “movimentações atípicas” de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O filho do presidente reclama ao pai que Bebianno não estaria atuando para estancar a crise.

1º de janeiro de 2019 

Com a posse de Bolsonaro, Bebianno assume o cargo de Secretário-Geral da Presidência da República.

17 de janeiro de 2019

O Supremo Tribunal Federal suspende as investigações sobre o relatório do Coaf contra Flávio no âmbito do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. Bebianno teria atuado para que a Corte analisasse o caso mesmo no recesso. A decisão de recorrer ao Supremo é vista como um erro no núcleo do governo. A partir daí, Flávio passa a apoiar Carlos na luta do irmão contra o ministro.

1º de fevereiro de 2019

Rodrigo Maia (DEM-RJ) é reeleito presidente da Câmara. A campanha dele à reeleição conta com apoio de Bebianno. Carlos e Eduardo, deputado do PSL por São Paulo, eram contra a aproximação do Planalto à candidatura de Maia.

12 de fevereiro de 2019

Em meio a denúncias de supostas irregularidades nas candidaturas do PSL, Bebianno diz ao Globo que o caso não criou crise no governo e tinha conversado sobre o assunto com Bolsonaro – naquele momento internado. “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei 3 vezes com o presidente”, afirmou o ministro.

13 de fevereiro de 2019 

Carlos Bolsonaro diz que Bebianno mentiu e expõe áudio do presidente, No começo da tarde do dia 13, Carlos escreve no Twitter: “É uma mentira absoluta de Bebianno que ontem teria falado 3 vezes com Bolsonaro”. Também postou: “Não há roupa suja a ser lavada! Apenas a verdade: Bolsonaro não tratou com Bebianno o assunto exposto pelo O Globo como disse que tratou”. Horas depois, Bolsonaro retuitou as mensagens. Numa entrevista à noite divulgada pela TV Record, o presidente disse que Bebianno poderia “voltar às origens” caso estivesse envolvido em irregularidades.

15 de fevereiro de 2019

Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro afirmam que ele decidiu atender aos apelos políticos e manter Bebianno no governo, a contragosto dos filhos.

18 de fevereiro de 2019

Após um fim de semana tenso, Bolsonaro decide demitir Bebianno. Porta-voz Otávio Rêgo Barros anuncia a saída do ministro e o presidente aparece em vídeo agradecendo a "dedicação" de Bebianno. Após demissão, Bolsonaro sugere trégua a Bebianno.

19 de fevereiro de 2019

Depois do embaraço em que se envolveu por longos seis dias, o governo finalmente publica no Diário Oficial da União (DOU) a exoneração de Gustavo Bebianno do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Ele sai do governo sob acusações de supostas irregularidades em campanhas eleitorais do PSL.

19 de fevereiro de 2019

Áudios divulgados pela revista Veja confrontam a versão de Bolsonaro sobre conversas com Bebianno. Datados a partir de 12 de fevereiro, os áudios são uma discussão longa por meio do aplicativo Whatsapp, com troca de acusações entre eles, relacionadas à TV Globo, a uma viagem à Amazônia, revelada pelo Estado, e às suspeitas de que haveria candidaturas laranjas no PSL. As mensagens dão ideia do conjunto de razões para a demissão do ex-ministro, que, segundo a Presidência da República, foram de “foro íntimo” de Bolsonaro. 

14 de março 

Bebianno fala ao Estado que ainda mantém “carinho e lealdade” pelo presidente, com quem conviveu nos últimos dois anos. “Minha amizade e respeito por ele continuam os mesmos. Ele tem o meu carinho e lealdade.” O ex-ministro diz considerar ainda como “grande equívoco” o episódio que levou a sua queda. "O tempo é o senhor da razão”, disse. 

19 de agosto de 2019

Em entrevista ao Estado, Bebianno diz que presidente vai ficar isolado e que ‘fenômeno de 2018’ não se repetirá. "Bolsonaro atira pelas costas nos seus soldados". Neste momento, Bebianno já tem se aproximado de João Doria (PSDB) e fala em ser candidato nas eleições de 2020. 

Outubro de 2019

Bebianno decide se filiar ao PSDB, a convite de Doria. “Meu objetivo é olhar para o País. Tem que acabar com esse extremismo. Entre os dois polos existe um espaço imenso e João Doria representa isso”, afirmou.

1º de dezembro de 2019

Bebianno filia-se ao PSDB e diz que Bolsonaro põe democracia em risco. “Tudo que o presidente quer é um pretexto para a adoção de medidas autoritárias.”

Dezembro de 2019

Em entrevista à Rádio Jovem Pan, Bebianno afirma que tinha provas fora do Brasil contra o presidente Jair Bolsonaro. "Tenho material, sim, inclusive fora do Brasil. Porque eles podem achar que fazendo alguma coisa comigo aqui no Brasil, uma coisa tão terrível, que fosse capaz de assustar quem tivesse ao meu redor e, portanto, inibir a divulgação do material. Eu tenho muita coisa, sim, inclusive fora do Brasil", afirmou na ocasião.

5 de março de 2020

Escolhido pelo PSDB como pré-candidato do partido à prefeitura do Rio do Janeiro, Bebianno adota um discurso duro contra Bolsonaro. "Bolsonaro ignora o Rio de Janeiro, tanto o Estado quanto a cidade. Ele enxerga no Rio uma fonte de problemas e prefere se manter à distância", diz o advogado ao Estado.

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