DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Candidato de Onyx revoga resolução e decide que presidirá eleição no Senado

Secretaria-Geral havia determinado que Davi Alcolumbre (DEM-AP) não poderia ficar à frente da votação

Eduardo Rodrigues e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2019 | 11h10

Com cenário indefinido, a disputa pela presidência no Senado começou nesta sexta-feira, 1º, com uma "guerra de decisões" e a demissão do secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello. Presidente em exercício e candidato à presidência da Casa, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) revogou logo pela manhã ato do Senado que impediria ele de presidir a sessão e concorrer ao mesmo tempo. Na sequência, demitiu o secretário-geral, que assina o ato.

Bandeira de Mello é aliado de longa data de Renan Calheiros (MDB-AL), adversário de Alcolumbre na disputa pela presidência do Senado.

Ao presidir a sessão que vai definir o comando da Casa, Alcolumbre poderá aceitar requerimento de algum partido - a ser apresentado em plenário - para que a votação seja aberta, o que pode prejudicar Renan. O argumento é que alguns senadores podem ficar constrangidos em votar em Renan publicamente, uma vez que o senador alagoano é um dos símbolos da "velha política".

Denominado "Roteiro para as Reuniões Preparatórias da Primeira Sessão Legislativa da 56ª Legislatura“, a resolução revogada dizia que devido "a situação excepcional de vacância de todos os cargos titulares da Mesa", a sessão deve ser ser aberta e conduzida pelo "senador mais idoso presente dentre aqueles que estavam no exercício do mandato na 55ª Legislatura". No caso, seria o senador José Maranhão (MDB-PB), também aliado de Renan.

Renan e seus seguidores trabalhavam para que a sessão ficasse a cargo de José Maranhão, pela regra de antiguidade. Maranhão é aliado de Renan e também defende o voto secreto. 

A norma ignorava o fato de Davi ser o terceiro suplente da Mesa, o que, no caso de ausência de todos os outros membros, lhe daria o direito de assumir os trabalhos. Essa era a interpretação que vinha ganhando força entre os senadores contrários a Renan. Os candidatos haviam acordado, inclusive, que iriam votar contra questões de ordem que questionassem o direito de senador democrata de presidir a sessão.

A manobra já era esperada por colegas de Renan que estão contrários à sua candidatura dentro do MDB. Segundo um parlamentar do partido que não está simpático ao alagoano, a eleição será marcada por "todo o tipo de chicana" e a sigla precisa definir "se quer participar disso".

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