Fabio Motta/ Estadão
Fabio Motta/ Estadão

Câmara rejeita abertura de impeachment de Crivella

A base de vereadores do prefeito conseguiu evitar a abertura do processo por 29 a 16 votos

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 17h34
Atualizado 12 Julho 2018 | 21h30

Por 29 a 16 votos a base governista na Câmara Municipal do Rio rejeitou nesta quinta-feira, 12, a abertura de processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella (PRB). Para vencer, a oposição precisava dos votos da maioria simples dos vereadores presentes (metade mais um), mas acabou longe disso. O placar final, com a vitória folgada dos parlamentares alinhados à prefeitura, ficou próximo do esperado, já que 17 vereadores assinaram o requerimento que permitiu a interrupção do recesso parlamentar para a sessão. Houve uma defecção: um dos signatários, o vereador Professor Adalmir (PSDB), mudou de opinião e votou com Crivella.

Os oposicionistas queriam afastar o prefeito por causa de uma reunião que ele protagonizou na semana passada no Palácio da Cidade. No encontro com pastores e líderes religiosos, revelado pelo jornal O Globo, Crivella ofereceu aos convidados facilidades para obter cirurgias gratuitas de catarata e de varizes para fiéis e para obter isenção legal de IPTU para templos religiosos. A votação foi tensa do lado de fora e de dentro da Câmara. A todo momento, manifestantes das galerias pró e contra Crivella trocavam acusações. Seguranças intervieram para acalmar os ânimos. 

Um dos momentos de tensão foi protagonizado pelos vereadores David Miranda (PSOL) e Otoni de Paula (PSC), este da base de Crivella.  Ao terminar sua fala, Otoni se dirigiu ao grupo contrário a Crivella que estava na galeria. David então pediu a palavra e chamou Otoni de hipócrita. Em resposta, o parlamentar do PSC fez uma dancinha ironizando David, ativista homossexual, que entendeu o gesto como homofóbico. Prometeu processar Otoni.

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Aos repórteres no fim da sessão, Otoni disse que David deu um "piti gay", assim como ele também deu um "piti hétero". Afirmou também que seu gesto não foi homofóbico.

Outro momento tenso ocorreu quando a vereadora Rosa Fernandes, do MDB, discursou para justificar seu voto a favor da abertura do processo. Sob gritos de "traidora", vindos da plateia a favor de Crivella, Rosa falou que recebeu uma ameaça por telefone relacionada ao seu voto na sessão.

"Estou dizendo isso porque não vou ser mais uma Marielle, nem vou abrir mão das minhas convicções. Alguém irresponsável usou o telefone para fazer esse tipo de coisa", disse. Ela referia ao caso da vereadora Marielle Franco, do PSOL, morta a tiros em 14 de março com seu motorista Anderson Gomes.

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Quatro vereadores faltaram à sessão: Chiquinho Brazão (MDB), Verônica Costa (MDB), Carlos Bolsonaro (PSC) e Marcelo Siciliano (PHS). A assessoria de Bolsonaro afirmou que o vereador faltou porque está em uma viagem em Santa Catarina. Os demais vereadores não foram encontrados. Em cumprimento ao Regimento Interno da Casa, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (MDB), não votou, assim como o vereador Átila Nunes (MDB), por ter sido autor de um dos pedidos de abertura do processo.

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