Tomaz Silva/Agência Brasil
Tomaz Silva/Agência Brasil

Base de Crivella contabiliza apoio para barrar impeachment

Vereadores aliados ao prefeito do Rio afirmam ter 30 votos para frear processo que será discutido hoje na Câmara Municipal

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 05h00
Atualizado 12 Julho 2018 | 16h20

RIO - Vereadores da base governista esperam rejeitar com pelo menos 30 votos em 51 a proposta de impeachment do prefeito Marcelo Crivella PRB,) em sessão extraordinária hoje na Câmara Municipal carioca.  Os parlamentares interromperam o recesso para avaliar o comportamento de Crivella, flagrado oferecendo supostas vantagens, como cirurgias grátis para fiéis e facilidades para isenção de IPTU para templos, a líderes religiosos. As ofertas suspeitas foram feitas em reunião fechada no Palácio da Cidade, na semana passada, à qual o jornal O Globo teve acesso.

Na quarta, a avaliação da prefeitura e seus apoiadores era que a oposição não teria muito mais do que os dezessete apoios que conseguiu para o requerimento de convocação da reunião – foram apresentados dois outros. Isso daria a Crivella uma “folga” confortável na votação de hoje.

Inicialmente, vereadores avaliavam que, para aprovar o impeachment, seriam necessários no mínimo 34 votos favoráveis – dois terços dos 51 parlamentares. Na manhã desta quinta-feira, 12, a Procuradoria da Casa esclareceu que a proposta será aprovada por maioria simples - metade mais um dos vereadores presentes. 

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Mesmo fontes ligadas à oposição avaliavam que a proposta de impeachment não passará. A disposição é desgastar ao máximo a base de Crivella.

As articulações do governo estão a cargo do secretário da Casa Civil, Paulo Messina. Quadro do PRB e visto como “primeiro-ministro”, Messina obteve uma vitória nesta quarta-feira. O prefeito demitiu Cesar Benjamin, desafeto de Messina, do cargo de secretário de Educação. Os dois secretários estavam em atrito.

Quadro do PRB e visto como “primeiro-ministro” do prefeito, Messina é considerado uma peça relevante quando a Câmara analisa o processo de impeachment. Ele divulgou ontem carta em que volta atrás em seu pedido de exoneração, no dia 4, por atritos com Benjamin. Afirmou ainda que, “em vez de se preocupar em produzir frutos para a cidade, (Benjamin) comporta-se como que preocupado em produzir frutos para si”.

“Isso não é governar; apenas divide a equipe e provoca o caos”, disse. Ex-guerrilheiro ligado à esquerda, Benjamin protagonizava uma aliança peculiar com Crivella. Também publicou uma carta em sua página no Facebook. comentando a notícia de sua exoneração e da nomeação da professora Talma Suane, sua chefe de gabinete, para o seu lugar. Segundo o ex-secretário, a sua saída “era esperada”, pois não cedeu” à politicagem e aos inimigos da educação”.

“Toda a articulação para a minha saída foi feita pelas minhas costas. Não recebi sequer um telefonema. O prefeito agradeceu desta maneira a minha dedicação à causa da educação”, escreveu.

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A Prefeitura não comentou a demissão. A Secretaria de Educação é vista como um ativo importante na disputa política de hoje. A sessão está marcada para começar às 14h.

Manifestação. Há outros percalços para a base de Crivella na Câmara. A vereadora Teresa Bergher (PSDB) anunciou ontem que pedirá a abertura da “CPI da Márcia”. Trata-se da servidora Marcia Nunes, que, segundo o prefeito disse na reunião, poderia resolver para os líderes religiosos as questões de saúde, como as cirurgias. Ainda hoje, o Tribunal de Contas do Município também vota o julgamento das contas da gestão do prefeito.

Ontem, manifestantes invadiram o 13º andar da sede administrativa da Prefeitura do Rio, no Centro, mas foram expulsos por guardas municipais. Eles pediam, com ironia, para falar com a Márcia.

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Segundo a prefeitura, o ato acabou em poucos minutos, e o grupo “só aceitou se retirar após um pedido da Guarda Municipal”. O vereador David Miranda (PSOL), que acompanhava os manifestantes, porém, relatou que a corporação agiu com truculência.

“O movimento estava pacífico até a hora que tentaram agredir a gente. A Guarda Municipal, truculenta mais uma vez, machucou uma de nossas companheiras. Tivemos que agarrá-la porque agarraram ela (sic) fortemente. Mas nós mostramos o nosso recado”, disse Miranda, em um vídeo divulgado em seu Facebook, falando ainda de dentro do prédio. 

Em nota, a Secretaria da Casa Civil afirmou que “o vereador David Miranda, liderando um grupo de cerca de 10 pessoas, alegando serem funcionários da saúde, invadiu o 7° e o 13° andar da prefeitura para, entre outras coisas, convocar servidores para apoiarem a saída do prefeito”. 

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