Marcos Corrêa / PR
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Bolsonaro passeia de jet ski em dia que número de mortes por covid-19 passa de 10 mil

Durante passeio, que não estava previsto na agenda oficial, apoiadores tiraram fotos; embora decreto do DF determine uso de máscaras, todos estavam com rostos descobertos

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2020 | 18h10
Atualizado 11 de maio de 2020 | 12h52

BRASÍLIA - No dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil mortes por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro andou de jet ski no Lago Paranoá, próximo ao Palácio da Alvorada. As imagens do passeio do presidente foram publicadas ontem à tarde pelo portal Metrópoles e logo passaram a ser compartilhadas nas redes sociais. Questionada sobre o episódio, a Secretaria de Comunicação da Presidência não confirmou a informação do passeio e disse que se trata de agenda privada. Lideranças da oposição criticaram a postura do mandatário.

Durante o passeio, que não estava previsto na agenda pública do presidente, alguns apoiadores se aproximaram para tirar fotos. Uma mulher, em outra embarcação, brinca com a polêmica causada por Bolsonaro nos últimos dias, quando disse que faria um churrasco. “A gente veio fazer o teu churrasco”, diz ela, segundo a gravação. A mulher e outras pessoas dizem que trabalham na área de aviação e que enfrentam dificuldades.

A volta na moto aquática aconteceu após o presidente desistir de realizar um churrasco no Palácio do Alvorada. Bolsonaro chamou o evento de “churrasco fake” em suas redes sociais. A deputada federal Lidice da Mata (PSB-BA) criticou a postura do presidente e disse que ele cria e divulga suas próprias fake news

O Estadão apurou com aliados de Bolsonaro que o churrasco seria feito, mas o presidente recuou após repercussão negativa. Como a Coluna do Estadão mostrou ontem, já se discutia na noite de sexta-feira, a desidratação ou até mesmo o cancelamento do churrasco, após Bolsonaro ter sido alertado de que o “timing” para a realização da festa não era bom. 

O evento foi anunciado pelo próprio presidente na quinta-feira, 7. Bolsonaro afirmou que faria uma confraternização com cerca de 30 pessoas. Nessa sexta-feira, 8, ele voltou ao assunto e, de forma irônica, afirmou que esperava receber 3 mil pessoas no Palácio.

Apesar do avanço do novo coronavírus, o presidente têm minimizado a doença. Após se referir a doença como uma "gripezinha", Bolsonaro afirmou no final de abril que não tinha o que fazer sobre as mortes. “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre", disse, no dia em que País ultrapassou a China no número total de óbitos. 

Neste sábado, 9, o Congresso Nacional decretou luto oficial de três dias em razão das mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil, que passou da marca de 10 mil. Às 14h, a bandeira em frente ao Congresso, na praça dos Três Poderes, em Brasília, foi hasteada a meio-mastro. No período, ficam proibidas quaisquer celebrações, comemorações ou festividades.

Oposição crítica passeio de jet ski

Lideranças de oposição criticam, por meio das redes sociais, o passeio de jet ski do presidente em meio ao recorde de mortes. "Nosso país já é o sexto com mais mortes no mundo! Enquanto isso, Bolsonaro foi andar de jet ski. Enquanto o país inteiro está em isolamento. Enquanto famílias choram. Bolsonaro se diverte no sangue!", escreveu o senador Randolfe Rodrigues (Rede), em seu perfil no Twitter.

"O maior inimigo do Brasil não é o vírus. É Bolsonaro. Se ele for contido, o país vai superar essa pandemia sem churrascos para dezenas de pessoas e passeios de jet ski. Toda a nossa solidariedade aos familiares das vítimas do coronavírus", escreveu Humberto Costa (PT).

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), compartilhou a notícia do passeio do presidente e afirmou que, se depender do mandatário, "o luto vai se ampliar a milhares de outras famílias". "E incluirá o luto pela morte da democracia", acrescentou. Guilherme Boulos, que disputou a Presidência em 2018 pelo PSOL, também criticou o mandatário no Twitter. / COLABOROU PAULA REVERBEL

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