Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Congresso decreta luto oficial por quase 10 mil mortes por covid-19 no Brasil

Segundo Ministério da Saúde, foram 9.897 óbitos relacionados à doença até sexta-feira; número deve passar 10 mil neste sábado

Marlla Sabino e Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2020 | 14h10

BRASÍLIA - O Congresso Nacional decretou luto oficial de três dias em razão das dez mil mortes causadas pelo novo coronavírus no Brasil. O País deve atingir a marca ainda neste sábado, 9. Até sexta-feira, 8, o Ministério da Saúde contabilizava  9.897 óbitos por covid-19. 

A bandeira em frente ao Congresso, na praça dos Três Poderes, em Brasília, será hasteada a meio-mastro às 14h. De acordo com o ato, publicado em edição extra do Diário Oficial, ficam proibidas quaisquer celebrações, comemorações ou festividades enquanto durar o luto.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, usou as redes sociais para falar sobre a decisão do Congresso. Segundo Maia, não faltará solidariedade do Parlamento durante a crise.

"Esta homenagem é à sua memória e em respeito ao luto das famílias que, em muitos casos, nem puderam se despedir por causa do risco de contaminação", escreveu Maia. E completou, em outra publicação: "Não faltará solidariedade do Congresso durante este período. E reiteramos o compromisso de manter o trabalho com o foco absoluto na aprovação de medidas que minimizem o impacto do vírus na nossa sociedade, tanto no âmbito da saúde quanto da economia".

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também se manifestou sobre a homenagem. "O Parlamento também sofre a dor de tantas famílias brasileiras que perderam seus entes queridos, sem poder render-lhes as justas homenagens", escreveu.

Alcolumbre ainda disse que o Parlamento não está indiferente "a este momento de perda, de tristeza e de pesar" e que tem feito sua parte ao "tomar medidas legislativas de suporte às pessoas, aos governos e às empresas". "É um momento difícil para todos. Quando se trata de proteger a vida dos brasileiros, que é o valor maior, não há dúvida quanto ao caminho a ser trilhado."

As falas dos presidentes da Câmara e do Senado são feitas no mesmo dia em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, pretendia realizar um churrasco no Palácio da Alvorada. Na quinta-feira, 7, Bolsonaro disse que receberia “uns 30 convidados” para o evento, que seria bancado com “vaquinha” de R$ 70 reais por pessoa. Segundo o presidente, os convidados ainda fariam uma "peladinha".

No entanto, após forte repercussão negativa pela realização da confraternização em meio ao avanço de mortes pela covid-19, o presidente voltou atrás da decisão. Bolsonaro ainda chamou o evento que ele mesmo anunciou de “churrasco FAKE” (falso) em publicação nas suas redes sociais. Nesta sexta-feira, em tom de ironia, ele declarou que esperava receber 3 mil pessoas no churrasco.

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