Reprodução/Youtube
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Bolsonaro convida Damares Alves para Direitos Humanos e desagrada bancada evangélica

Advogada e pastora está lotada no gabinete do senador Magno Malta, derrotado na reeleição, que esperava convite para compor 1º escalão

Leonêncio Nossa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 10h34

Na composição do governo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, provocou mal-estar com a bancada evangélica. Depois de rejeitar nomes defendidos pela bancada para a pasta de Cidadania, ele convidou a advogada e pastora Damares Alves para chefiar o novo Ministério de Direitos Humanos, Família e Mulheres. O detalhe é que Damares é assessora lotada no gabinete do senador e candidato derrotado à reeleição Magno Malta (PR-ES), um dos políticos mais próximos de Bolsonaro na campanha, que espera um convite para compor o primeiro escalão.

Nesta sexta-feira, 30, Bolsonaro afirmou em uma formatura de tenentes da Força Aérea Brasileira (FAB), acompanhado de militares escolhidos para seu governo e do senador eleito Major Olímpio (PSL), que Magno Malta não será abandonado em seu governo, porém não será possível entregar um ministério a ele. 

Até agora, 20 ministros já foram anunciados . Na campanha, ele dizia que faria um governo com apenas 15 pastas. O número de ministérios pode, no entanto, chegar a pelo menos 22. Além da pasta de Direitos Humanos, Família e Mulheres, o presidente eleito anunciou nesta manhã o nome para Minas e Energia: Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, diretor geral de desenvolvimento nuclear e tecnológico da Marinha. Deve ainda anunciar o titular de Meio Ambiente. Ele ainda analisa se mantém como ministérios Trabalho e Indústria e Comércio.

Para boa parte dos 88 deputados federais e quatro senadores da bancada evangélica, a escolha de Damares "atravessou" os líderes do grupo e foi uma "afronta" e "ingratidão" a Magno Malta. O nome de Damares na lista de cotados para assumir uma pasta foi divulgado pela revista digital Crusoé na tarde desta quinta-feira (29). Auxiliares da equipe de Bolsonaro disseram que a própria Damares teria demonstrado desconforto quando recebeu o convite do presidente eleito na última quarta-feira no CCBB, sede do governo de transição. Para integrantes da bancada evangélica, qualquer convite a Malta a partir de agora é "tardio" e não deveria ser aceito por uma questão de "bom senso". Não se cogita, porém, rompimento.

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Magno Malta enfrenta forte resistência do núcleo militar do governo de transição. Os generais da reserva que compõem o grupo reiteraram a Bolsonaro que o senador não agrega à equipe ministerial. Pessoas próximas de Malta avaliam que o senador se desdobrou na campanha de Bolsonaro, especialmente depois do atentado sofrido pelo então candidato à Presidência em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro, que o tirou das ruas.

No começo da semana, Bolsonaro pediu à bancada evangélica que apresentasse uma lista tríplice de nomes para a pasta da Cidadania. Numa decisão que não foi unânime, a bancada acabou entregando os nomes ao presidente eleito, que, no entanto, anunciou o nome do deputado gaúcho Osmar Terra (MDB), para melhorar o trânsito no partido. Integrantes do grupo avaliaram que houve um desgaste desnecessário e injusto. O coordenador da bancada, Hidekazu Takayama (PSC-PR), chegou a afirmar que retirou os nomes indicados para integrar o novo governo.

Um dos poucos que quiseram falar sobre a relação da bancada com o futuro governo, o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) admitiu que há um "mal-estar" diante desse vai e vem da transição. "É lógico que isso provoca um mal-estar. Mas o governo está no seu início, nem começou", contemporiza o parlamentar. Entre os evangélicos, Sóstenes é dos que avaliam que não cabe à bancada pleitear cargos, pois em votações de determinados projetos não há consenso no grupo, especialmente em propostas das áreas política e econômica. "Avalio que as frentes não existem no Parlamento para essa finalidade."

 

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