Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Bolsonaristas fazem atos presenciais de 1.º de Maio; críticos se manifestam nas redes sociais

Apoiadores do presidente se reúnem em Brasília, São Paulo e Rio com faixas que criticam o STF e sem distanciamento social; nas redes, João Doria e Guilherme Boulos criticam a atuação federal

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2021 | 11h37
Atualizado 01 de maio de 2021 | 23h40

SÃO PAULO, BRASÍLIA E RIO - Os primeiros atos do 1.º de Maio, Dia do Trabalho, reuniram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parte dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, e manifestações em redes sociais de políticos contrários à gestão do governo federal frente à pandemia do novo coronavírus.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, apoiadores do presidente se aglomeraram nesta manhã para o ato “Supremo é o povo”, com críticas ao STF, ao governador João Doria (PSDB) e ao fechamento do comércio e outros setores durante as fases mais restritivas da pandemia. Muitos manifestantes estavam sem máscara e o distanciamento social não foi respeitado.

"A raiz do mal no nosso País está no Supremo Tribunal Federal. Quem é que amarrou as mãos do presidente?", disse o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) em caminhão de som à tarde. Ele tem atuado como um dos principais influenciadores bolsonaristas nas redes sociais. Jefferson se referiu à decisão do STF que assegurou a Estados e municípios a autonomia para tomar medidas contra a propagação do coronavírus. A decisão, contudo, não exime a União de realizar ações e promover acordos com gestores locais.

Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro sobrevoou de helicóptero uma manifestação que ocupou o gramado em frente ao Congresso Nacional. O público segurava faixas pedindo intervenção militar e gritava “Bolsonaro, eu autorizo”, em referência a uma fala do presidente do dia 14 de abril, em que disse que esperava “um sinal do povo” para agir.

Entre os grupos de extrema direita, a fala do presidente foi interpretada como um pedido de autorização para endurecer a relação com os demais Poderes. Em vídeo publicado hoje pelo canal “Cafezinho com Pimenta” no Youtube, os manifestantes na Esplanada carregam faixas com as frases: “Intervenção militar com Bolsonaro no poder” e “Presidente Bolsonaro acione as Forças Armadas (FFAA)”.

No Rio de Janeiro, manifestantes interromperam o trânsito na orla de Copacabana, na zona sul da cidade. Os apoiadores do presidente Bolsonaro se aglomeraram na Avenida Atlântica, à beira da praia, carregando bandeiras do Brasil e faixas de protesto contra o STF. Também executaram o hino nacional e gritaram palavras de apoio ao presidente.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, a Avenida Atlântica foi interditada nos dois sentidos na altura da Rua Figueiredo de Magalhães, no Posto 5. O protesto provocou congestionamento no bairro.

Mais cedo, o presidente Bolsonaro aproveitou o tradicional discurso de abertura da feira ExpoZebu 2021 para criticar de forma velada partidos de esquerda e centrais sindicais. "Em anos anteriores, no dia 1.º de maio, o que mais víamos no Brasil eram camisas e bandeiras vermelhas, como se fôssemos um país socialista. Hoje temos prazer e satisfação de vermos bandeiras verde e amarelas, com homens e mulheres que trabalham de verdade e sabem que o bem maior que podemos ter na nossa pátria é a liberdade", afirmou.

Redes sociais

Ainda pela manhã, políticos críticos ao governo registraram as suas mensagens aos trabalhadores por meio de postagens em redes sociais.

João Doria, governador de São Paulo, afirmou que o dia não é de “celebração”, mas “de solidariedade”. “Me solidarizo com os quase 15 milhões de brasileiros que estão desempregados”, escreveu o político no Twitter. Doria havia chegado a gravar um vídeo para um ato virtual organizado por centrais sindicais, mas o conteúdo foi vetado pela organização do evento.

Guilherme Boulos, que concorreu à Prefeitura de São Paulo nas últimas eleições pelo PSOL, publicou um vídeo em que voltou a defender o impeachment de Jair Bolsonaro, além de listar críticas à gestão do governo federal durante a pandemia do novo coronavírus.

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, compartilhou vídeo de evento que ocorreu na manhã deste sábado, em que entregou cartões de auxílio emergencial a catadores de resíduos sólidos.

Boulos e Dino tiveram suas participações confirmadas no ato virtual de 1.º de Maio das centrais sindicais. O evento deve reunir pela primeira vez antigos adversários políticos no mesmo palanque virtual.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), parabenizou os trabalhadores também por meio de um tuíte. “Hoje é dia de quem dorme tarde, acorda cedo, de quem faz e bota o Brasil pra frente”, diz a mensagem. / MATHEUS LARA, EDUARDO RODRIGUES, DANIELA AMORIM, MARCIO DOLZAN E BRENDA ZACHARIAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.