Reprodução/Youtube
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A produtores rurais, Bolsonaro diz que vai rever emenda que permite expropriação de terras

Na abertura da ExpoZebu 2021, presidente afirmou que a quantidade de multas ambientais caiu bastante em seu governo, além de aproveitar o espaço para criticar a esquerda e centrais sindicais no 1.º de Maio

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2021 | 09h54
Atualizado 01 de maio de 2021 | 17h21

BRASÍLIA -  O presidente Jair Bolsonaro prometeu, em discurso a produtores rurais na abertura da ExpoZebu 2021, na manhã deste sábado, 1.º, a revisão da emenda constitucional n.º 81, que permite a expropriação de propriedades autuadas por trabalho escravo. O mandatário aproveitou a mesma fala para criticar de forma velada partidos de esquerda e centrais sindicais no 1.º de MaioDia do Trabalho.

Na mensagem, o presidente elogiou os produtores rurais que continuaram produzindo durante a crise e listou uma série de medidas tomadas pelo seu governo para o setor. "O homem do campo é um forte e não parou na pandemia, continuou na vanguarda da economia", afirmou.

Segundo Bolsonaro, a emenda constitucional n.º 81 colocaria em risco a propriedade privada. A emenda, aprovada em 2014, possibilita a expropriação de terras onde for encontrado trabalho escravo ou a plantação de drogas. "Devemos rever a emenda 81, que tornou vulnerável a questão da propriedade privada. Essa emenda ainda não foi regulamentada e com certeza não será no nosso governo", completou.

O presidente disse ainda que a quantidade de multas do Ibama e o ICMBio caíram bastante no seu governo. "Preferimos aconselhamento e observações, e somente em último caso a 'multagem', o que trouxe mais tranquilidade para o produtor rural", acrescentou.

Ele citou a medida que estendeu o porte de armas para o trabalhador rural em toda a propriedade, e não apenas na residência. No discurso, elencou ainda investimentos em rodovias e ferrovias para escoar produção do campo.

Bolsonaro também confirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), colocará a regularização fundiária em pauta nas próximas semanas. "O homem do campo preserva o meio ambiente e seu local de trabalho e nos ajudará a combater ilícitos", concluiu.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, também cumprimentou os agricultores e pecuaristas pelo Dia do Trabalho. "Nessa pandemia, eles trabalharam sem parar, na primeira e na segunda onda. Os produtores não deixaram de colocar o abastecimento farto na mesa dos brasileiros", completou.

'Bandeiras vermelhas'

"Em anos anteriores, no dia 1.º de maio, o que mais víamos no Brasil eram camisas e bandeiras vermelhas, como se fôssemos um país socialista. Hoje temos prazer e satisfação de vermos bandeiras verde e amarelas, com homens e mulheres que trabalham de verdade e sabem que o bem maior que podemos ter na nossa pátria é a liberdade", afirmou Bolsonaro no mesmo discurso. "Minha lealdade é ao trabalhador de verdade", completou.

O presidente disse ainda que houve poucas invasões no campo em seu governo e disse estar "minando" os recursos para Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "Eles perderam bastante força e deixaram de levar terror ao campo", acrescentou.

Bolsonaro acusou, no entanto, a Liga dos Camponeses Pobres de "levar o terror" a áreas rurais de Rondônia. Ele relatou conversas com o governador do Estado, Coronel Marcos Rocha, e com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para conter o que chamou de "terrorismo" do grupo camponês.

Aos pecuaristas da ExpoZebu, o presidente ainda insinuou que os índios estariam "se comportando melhor" no seu governo. "No nosso governo houve poucas ações negativas por parte dos nossos irmãos índios, que eram levados por maus brasileiros a cometer esse tipo de infração. Hoje em dia vemos os índios participando do progresso, querendo investir e produzir. Temos que driblar entraves burocráticos e mudar leis para que eles possam produzir", completou.

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