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Vídeo de Doria para 1.º de Maio fala em ‘compaixão’ e ‘diálogo’, mas é vetado pela CUT

Presença de presidenciáveis em ato virtual dividiu centrais sindicais; Ciro, Lula e Dino gravaram declarações

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 18h12

BRASÍLIA – Programado para reunir no mesmo palanque virtual vários pré-candidatos à disputa de 2022 contra o presidente Jair Bolsonaro, o 1.º de Maio virtual dividiu as centrais sindicais que organizam a comemoração a ser transmitida por redes sociais e canais no YouTube. A CUT vetou a participação do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), depois que ele já havia enviado a gravação.

O ato vai exibir vídeos com declarações de prováveis desafiantes de Bolsonaro, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Doria, também pré-candidato nessa corrida, havia chamado de “fake news” a notícia de que participaria do palanque virtual, revelada pelo Estadão, mas encaminhou o vídeo aos sindicalistas. (veja abaixo).

Em recente reunião com representantes de todas as centrais, porém, a CUT voltou atrás no convite feito a Doria para o 1.º de Maio, que terá o slogan “Democracia, Emprego, Vacina para Todos”. O convite pedia que o governador encaminhasse uma gravação de dois minutos com “mensagem especial” para o ato.

Foi o que Doria fez, assim como Lula, Ciro, Flávio Dino e outras autoridades. Nessa lista estão também os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). 

No vídeo, Doria destaca que o momento é de “compaixão” e manifesta solidariedade “aos familiares de quase 400 mil brasileiros” que perderam as vidas na pandemia de covid-19, mas em nenhum momento se refere à Butanvac, a vacina produzida pelo Instituto Butantan. “O 1.º de Maio deste ano tem também um propósito comum: a defesa da vida. Com diálogo, união e vacinas faremos todos um Brasil mais justo e um Brasil melhor. Um Brasil mais inclusivo e um Brasil mais desenvolvido. Um Brasil com emprego, com saúde e com trabalho”, diz o governador.

A ideia inicial dos organizadores do 1.º de Maio Unificado era ampliar a manifestação para o chamado “centro expandido”, que engloba até mesmo alas de centro-direita, desde que todos os convidados fossem contrários a Bolsonaro. Mas a proposta foi rechaçada pela Executiva Nacional da CUT, reunida no último dia 21.

“Não podemos aceitar a presença de inimigos de classe, golpistas, representantes dos capitalistas exploradores, dos políticos que votam medidas de ataques aos nossos direitos, empregos e salários, no palanque da maior data de luta da classe trabalhadora mundial”, afirma a nota da CUT, central próxima ao PT. “A luta da CUT é pelo ‘Fora Bolsonaro’, nenhum dia a mais para esse governo genocida, condição essencial para que o país reencontre o caminho da preservação da vida, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora”.

Apesar dos desentendimentos, até agora nenhuma central prevê um ato paralelo. O 1.º de Maio virtual será promovido pela CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB.

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