DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Autoridades brasileiras e italianas divergem sobre trajeto de extradição de Battisti

Fontes da PF afirmam que italiano não passará pelo Brasil

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

13 Janeiro 2019 | 12h28
Atualizado 14 Janeiro 2019 | 16h20

Apesar do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, ter informado que o italiano Cesare Battisti seria extraditado à Itália depois de passar pelo Brasil, fontes da Polícia Federal a autoridades italianas disseram que Battisti vai direto para a Itália.

Inicialmente, Heleno disse que um avião da Polícia Federal buscaria Battisti na Bolívia, onde foi preso e então o italiano mudaria de aeronave em solo brasileiro. Mas isso não acontecerá. O premiê italiano Giuseppe Conte afirmou em sua página do Facebook que Cesare Battisti irá diretamente da Bolívia para a Itália "nas próximas horas".

Conte afirmou também que ligou para o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e agradeceu pela parceria que levou à captura. Ele agradeceu também as autoridades bolivianas envolvidas na prisão. Battisti estava foragido foi preso pela Interpol na cidade boliviana de Santa Cruz de La Sierra. 

Heleno disse que o presidente Jair Bolsonaro ficou “feliz” com a prisão de Battisti, mas negou que ele queria tirar proveito político da extradição: “Ele não quer capitalizar nada, quer botar para fora um bandido, nada além disso". 

O ministro disse considerar ótima a prisão e negou que o Battisti já estivesse fora do Brasil, por ter fugido para a Bolívia, sem que a PF tenha sido capaz de cumprir a ordem de prisão. Relembre a cronologia do caso. 

“Eu acho ótimo, (Battisti) está devendo”, disse Heleno. “Está fora nada. Gastamos muito dinheiro com esse bandido.”

Também participaram da reunião com Bolsonaro os ministros da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ambos deixaram o encontro sem dar declarações aos jornalistas. O vice-presidente Hamilton Mourão não participou da reunião. Mais cedo, o vice, que pedalou ao redor do Palácio da Alvorada, comentou a prisão: "Missão cumprida".

Bolsonaro prometera em campanha que extraditaria o italiano, condenado à prisão perpétua em seu país natal, por quatro assassinatos na década de 1970. O ex-militante de extrema esquerda nega envolvimento e se diz vítima de perseguição política. Ele ganhara refúgio no Brasil no governo Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente Michel Temer revogou o benefício no fim do ano passado e decidiu extraditá-lo. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão dele, mas Battisti escapou. Veja mais detalhes sobre a vida do italiano./ COLABOROU AUGUSTO DECKER.​

 

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