TABA BENEDICTO / ESTADÃO
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Seis PMs são identificados por agressão a manifestantes anti-Bolsonaro

Vídeos mostram chutes e golpes de cassetete contra homem caído; Ouvidoria aponta que protocolos podem ter sido desrespeitados

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 18h27

SÃO PAULO – Após vídeos mostrarem agressões contra manifestantes que protestavam contra o presidente Jair Bolsonaro no último domingo, 7, ao menos seis policiais militares responsáveis pelos excessos já foram identificados, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo. Eles devem responder a um procedimento investigatório, acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar, e passar por novos treinamentos, segundo a pasta. 

Gravações que circulam nas redes sociais (assista abaixo) mostraram PMs desferindo pontapés e golpes de cassetete contra manifestantes que corriam na Avenida Teodoro Sampaio, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Um dos vídeos mostra um policial chutando um homem no chão, enquanto outro policial golpeia a mesma pessoa com cassetete. No outro lado da rua, na esquina com a Rua Mourato Coelho, outro PM chuta a perna de uma pessoa para que ela caia na calçada, e fique ao lado de um grupo de quatro pessoas já imobilizadas e deitadas com a barriga no chão, enquanto seus pertences são revistados. 

A identificação dos responsáveis, nesta segunda-feira, 8, foi divulgada após a Ouvidoria da polícia pedir o afastamento dos policiais da corporação até que  investigação seja concluída. Após analisar imagens da dispersão do protesto, o órgão disse que os vídeos “apontam atos de policiais que não correspondem aos protocolos de abordagem estabelecidos pela corporação”.

O órgão instaurou um procedimento interno e pedirá à Corregedoria da PM e à Polícia Civil que investiguem as agressões, com afastamento dos responsáveis. O procedimento à qual os PMs identificados respondem é acompanhado pelo Comando de Policiamento da Capital e pela Corregedoria. 

Além dois seis PMs identificados, neste domingo, 7, a corporação afastou das ruas um cabo que fez postagens ofensivas em suas redes sociais a grupos que protestam contra Bolsonaro. "Eu quero cacetar a lomba dos baderneiros", escreveu o cabo Lemos, da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam). Reportagem do Estadão mostrou, neste domingo, que o governo de São Paulo tem tentado conter o bolsonarismo na corporação e manter a neutralidade e o caráter apartidário da instituição

“Todos os envolvidos serão reorientados e retreinados, de acordo com os procedimentos operacionais padrão da Instituição”, disse a SSP, em nota, sobre os seis agressores identificados. “A PM não tem compromisso com o erro e não compactua com desvios.” 

A nota da secretaria repetiu o tom do governador João Doria (PSDB) que, nesta segunda-feira, 8, o disse que a PM agiu “de forma correta” na dispersão do ato, mas garantiu que as imagens serão analisadas pela Corregedoria. “Se houve erro, que os que erraram sejam punidos. São Paulo não tem compromisso com o erro e não endossa nenhuma atitude de violência da sua polícia”, afirmou o governador.

O ato contra Bolsonaro transcorreu de forma pacífica até por volta das 18h40 do domingo, quando um grupo de participantes decidiu se deslocar em direção aos arredores da Avenida Paulista. Segundo a Ouvidoria, houve uma negociação para que manifestantes seguissem com o ato normalmente até a estação Clínicas do Metrô, na Avenida Doutor Arnaldo. A PM disparou bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar o grupo que avançou nesse trajeto. 

“As manifestações ocorridas no último domingo foram pacíficas”, disse a Ouvidoria, em nota. 

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