Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Polícia usa bomba de efeito moral para dispersar manifestantes após ato contra Bolsonaro

Poucos apoiadores do presidente se reuniram na avenida Paulista

Pedro Venceslau e Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2020 | 16h13
Atualizado 07 de junho de 2020 | 22h32

O ato neste domingo, 7, contra o presidente Jair Bolsonaroque começou no Largo da Batata, na capital de São Paulo, ocorreu pacificamente até por volta das 18h40, quando a Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral para dispersar manifestantes. Eles estavam se deslocando da região de Pinheiros em direção à Avenida Paulista, onde apoiadores do governo Bolsonaro se reuniram durante a tarde.

"Quem ficou na rua até essa hora, quase 19h, é alguém que não está querendo boa coisa, e fica ali confrontando a polícia", disse o secretário-executivo da PM, coronel Alvaro Camilo, para a emissora CNN. "A polícia vai usar progressivamente a força. Se as pessoas tentarem agredir os policiais, o patrimônio. E isso pode incluir água, munição química. Não queremos isso. Queremos restabelecer a ordem e que as pessoas voltem para suas casas. Essa é a orientação do Governo do Estado."

Segundo o secretário-executivo da PM, 17 pessoas foram detidas. "Meia dúzia de vândalos não representam os manifestantes. O dia inteiro o protesto ocorreu de forma pacífica", afirmou ao Estadão.

"O governo de São Paulo convidou MP, OAB e Defensoria Pública para estarem presentes no Copom [Entro de Operações da PM], acompanhando ao vivo a ação da Polícia Militar nas manifestações para garantir o direito à liberdade de manifestações. Mas sem direito a agressões de vândalos que tentaram comprometer as manifestações pacíficas. A PM agiu com eficiência e de forma correta”, disse o governador de São Paulo João Doria ao Estadão

Além das bombas de efeito moral, a PM acionou a tropa de choque e um caminhão apto para lançar água nos manifestantes nas ruas de Pinheiros. Nos prédios, as pessoas bateram panelas nas varandas e janelas, gritaram palavras de ordem contra o Jair Bolsonaro, e jogaram ovos em direção aos policiais. 

Na dispersão, manifestantes quebraram vidro de agência bancária na Rua dos Pinheiros e viraram caçamba de entulho próximo ao Largo da Batata. O ato contra o presidente terminou oficialmente por volta das 16h20 no Largo de Pinheiros, no entanto um grupo se dispersou e subiu a Rua dos Pinheiros.

 

Manifestação contra Bolsonaro durante a tarde no Largo da Batata

Durante a tarde, a manifestação chegou a fechar as duas vias da Avenida Faria Lima e ocupou parte da Praça até a Igreja Nossa Senhora Senhora do Monte Serrante. Embora a maioria dos manifestantes usasse máscaras, o distanciamento de 1,5 metro entre cada pessoa não foi respeitado totalmente.

A Polícia Militar montou um cordão de isolamento na Rua do Pinheiros, na esquina com Rua Mateus Grou, por volta das 16h45. Segundo oficiais que acompanharam a mobilização, o objetivo era evitar que o protesto anti-Bolsonaro cheguasse até a Paulista.

A manifestação ocorreu de forma pacífica, com manifestantes ocupando uma extensão de quase 700 metros entre o ponto do bloqueio e o Largo da Batata.

Os líderes do ato se revezaram em apenas um carro de som: dirigentes estudantis, do MTST, de torcidas e de grupos antirracismo. Por volta das 18h, eles se dispersaram e deram por encerrada a parte mais institucional do ato. 

No meio da tarde, alguns manifestantes entregaram cravos para integrantes da PM no Largo da Batata - referência à Revolução dos Cravos contra os fascistas em Portugal. Alguns policiais aceitaram as flores, mas depois foram orientados a devolvê-las.

Veja os vídeos:

O ato contra Bolsonaro teve um pequeno tumulto quando uma pessoa estilhaçou o vidro de uma agência bancária, mas os próprios manifestantes a contiveram e a colocaram para fora do protesto.

Apoiadores de Bolsonaro se reúnem na Avenida Paulista

Em outro ponto da cidade, um grupo de manifestantes a favor de Bolsonaro se reuniu na esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, próximo ao prédio da Fiesp. Manifestantes carregavam faixas que pediam "intervenção militar" e com críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Com bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, os manifestantes ficaram a maior parte do tempo sobre a calçada, na esquina, sem número suficiente para ocupar as faixas de trânsito. O tráfego de veículos na via não foi afetado entre 11h e 15h30.

Além de pedir "intervenção militar com militar no poder", alguns manifestantes defendiam interesses de suas categorias profissionais. Duas pessoas carregavam uma faixa que pedia a reabertura de barbearias na cidade. Não houve registro de ocorrências policiais no movimento.

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