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São Paulo: PSOL cresce e PSDB perde assentos em Câmara com mandatos coletivos e vereadores trans

Nova composição do Legislativo paulista tem mais vereadores nas pontas do espectro político; nem Boulos nem Covas teriam maioria com nova configuração

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 13h33
Atualizado 19 de novembro de 2020 | 21h34

Correções: 19/11/2020 | 13h19

Com uma taxa de renovação próxima do que foi obtido nas eleições passadas (38%), a Câmara Municipal terá dois vereadores trans na próxima legislatura, dois mandatos coletivos e a manutenção de antigos caciques. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou o nome dos 55 eleitos na manhã desta segunda-feira, 16. PT e PSDB perderam vagas, mas continuam sendo as maiores bancadas (com oito vereadores cada). O PSOL, partido do candidato Guilherme Boulos, foi o que mais cresceu, partindo dos 2 assentos atuais para 6 vereadores eleitos. 

Com a nova composição do Legislativo paulista, foram apliadas as vagas ocupadas por nomes nos extremos do espectro político. Do lado da direita, o Movimento Brasil Livre (MBL) emplacou três nomes na casa. O PSL manteve um assento. A cidade terá a primeira vereadora apoiada diretamente pelo presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o Novo ampliou de um para dois os assentos. Seriam assim sete nomes

No outro extremo, PSOL e PT têm, juntos, 14 vagas. 

Dessa forma, o prefeito Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição, já largaria sem 21 vereadores (ou com 34 parlamentares em sua base) caso seja reeleito. Segundo as regras da Câmara, para votações mais importantes, como a revisão do Plano Diretor programada para este ano, são necessários 37 votos. 

Guilherme Boulos (PSOL), adversário de Covas no segundo turno, começaria o governo com apenas 14 votos garantidos (justamente os do PT e do PSOL). É uma quantidade que não permite aprovação de nenhum projeto de lei, o que faria com que o candidato obrigatoriamente tivesse de negociar na desvantagem com o Legislativo.

Nova configuração da Câmara

Auxiliares de Covas já avaliavam um crescimento da bancada do PSOL por causa da campanha do adversário da legenda. O PSDB perdeu quatro cadeiras e passou de 12 para 8 vagas na próxima legislatura. 

Os campeões de votos, mais uma vez, foram Eduardo Suplicy (PT), pela terceira vez o mais votado do País, e Milton Leite (DEM), aliado do prefeito Bruno Covas que teve a campanha para vereador mais cara do Brasil neste ano. Entre as novidades, há Erika Hilton (PSOL), primeira mulher trans eleita na cidade, e Thammy Miranda (PL), primeiro homem trans. Foram dois mandados coletivos, ambos do PSOL: Bancada Feminista e Quilombo Periférico. O número de mulheres eleitas foi recorde: 13.

Parlamentares antigos da casa, como José Police Neto (PSD), Soninha Francine (Cidadania) e Claudio Fonseca (Cidadania), não conseguiram se reeleger. 

Embora o PT continue uma das maiores bancadas, o partido não conseguiu eleger nenhum nome novo e ainda perdeu a vaga do vereador Reis, que chegou a ser líder da bancada no ano passado. 

O Novo, que tinha uma cadeira, com Janaína Lima, fez o segundo assento com a vereadora Cris Monteiro, apesar de o partido sofrer um revés com a candidatura de Filipe Sabará para a Prefeitura.



Pelo Republicanos, foi eleita a primeira vereadora abertamente bolsonarista na cidade, Sonaira Fernandes. A Câmara paulistana já tinha um vereador com discurso de apoio a Jair Bolsonaro, com Rinaldi Digilio, mas o parlamentar não tinha o suporte direto do presidente. Sonaira já chegou a participar das lives de Bolsonaro. 

Fernando Holiday, do Movimento Brasil Livre (MBL), que possui mandato pelo Patriota, viu a bancada do partido triplicar. Na próxima legislatura, o partido de direita terá também Rubinho Nunes e outro youtuber, Marlon do Uber. 

Dois herdeiros de vereadores históricos, George Hato (filho de Jooji Hato), do MDB, e Rodrigo Goulart (PSD), filho do vereador Goulart, que haviam obtido o primeiro mandato nas eleições passadas, conseguiram se reeleger. 

E a Câmara terá também dois irmão que se ajudaram na política no passado mas, nas eleições, haviam se tornado rivais: Roberto Trípoli (PV) e Xexéu Trípoli (PSDB) conseguiram se eleger, ambos defendendo a causa animal e a sustentabilidade. O discurso de defesa animal foi também o que impulsionou Felipe Becari (PSD), um dos novos nomes na Casa.

 

Correções
19/11/2020 | 13h19

Diferentemente do que foi informado inicialmente nesta reportagem, o vereador não reeleito do Cidadania é Claudio Fonseca. A vereadora bolsonarista eleita é Sonaira Fernandes. O vereador do PSL é Rinaldi Digilio. 

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