Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bolsonaro é oficializado candidato e fala que é o 'patinho feio' das eleições 2018

Em seu discurso, presidenciável do PSL disse que não é 'salvador da pátria', que vai trabalhar pela governabilidade e que é preciso 'realismo' para enfrentar os problemas do cenário atual; cerca de 2.500 pessoas participaram

Daniela Amorim e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2018 | 11h03
Atualizado 23 Julho 2018 | 12h34

RIO - O Partido Social Liberal (PSL) oficializou neste domingo, 22, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro à Presidência da República, em convenção nacional, no Rio de Janeiro, em meio a indefinições sobre o nome escolhido para compor a chapa no cargo de vice. Em seu discurso, Bolsonaro disse que não é o salvador da pátria e que sabe que está causando desconforto nas eleições 2018. "Sou o patinho feio dessa história", afirmou. 

Ovacionado sob gritos de “Mito!” e “Eu vim de graça!”, Bolsonaro discorreu sobre sua trajetória profissional. Ele também criticou novamente, como outros pré-candidatos à Presidência, o acordo de Geraldo Alckmin (PSDB) com o Centrão. "Obrigado, Geraldo Alckmin, por ter unido a escória da política brasileira", discursou Bolsonaro. "No mínimo 40% desses deputados (do Centrão) estão conosco e não concordam com as decisões tomadas por essas legendas", afirmou, em alusão à aliança que rendeu ao tucano o maior tempo de TV entre os presidenciáveis. 

O evento, que começou no fim da manhã, reuniu partidários do presidenciável num centro de convenções na região central da cidade. Cerca de 2.500 pessoas participaram. Jair Bolsonaro se emocionou com a recepção calorosa de seus partidários e chorou quando foi executado o hino brasileiro. Muitos apoiadores tinham as cores verde e amarela e estavam com bandeiras do Brasil. 

Janaína Paschoal critica pensamento único

Cotada como possível vice, a advogada Janaína Paschoal foi a segunda pessoa mais aplaudida em sua chegada à convenção. Ela discursou pedindo moderação e tolerância, criticou a defesa de um pensamento único e afirmou ser necessário pensar na governabilidade. “A minha fidelidade não é ao deputado Jair Bolsonaro. A minha fidelidade é ao meu País”, disse. 

"Ainda não decidi sobre o convite para a integrar a chapa como vice", afirmou. "A possibilidade muito me honra. Mas algo tão sério precisa ser bem discutido", afirmou. Segundo ela, é preciso pensar na campanha, mas também na governabilidade caso saiam vitoriosos do pleito. “Enquanto procuramos pessoas que estejam dentro da totalidade do nosso pensamento, eles estão se unindo”, alertou.

Janaína tem a opinião dela, diz Bolsonaro

Após o evento, o presidenciável tentou minimizar o mal-estar causado pelas palavras da advogada. “Tem que ter a liberdade de se expressar. Ela tem a opinião dela. Não dá para afinar 100% o discurso", disse Bolsonaro a jornalistas, em coletiva de imprensa. 

"Ela tinha pretensão de ficar na Assembleia Legislativa em São Paulo. Ela foi chamada há pouco tempo. Ela é mãe, tem dois filhos pelo que eu saiba. Ela tem que consultar a família sobre isso", argumentou Bolsonaro.

Questionado sobre a possibilidade de ter que recorrer a outro vice na chapa, Bolsonaro apontou o deputado Marcelo Álvaro Antonio ou Luciano Bivar, presidente de honra do partido. “A nossa lagoa é muito pequena para pegar um vice”, disse Bolsonaro, que não descarta aliança com outro partido. “Desde que não seja de esquerda, estamos abertos a conversar”.

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse que a advogada está 95% tendendo a aceitar ser vice. Bebianno também afirmou que Janaína é "uma mulher de personalidade e não uma mera peça decorativa" e que é aceitável que ela tenha algumas opiniões diferentes do partido. Como exemplo, citou que Janaína é contra a redução da maioridade penal, uma pauta defendida por Bolsonaro.

"Existem alguns pontos de divergência que são naturais, só agregam valor. Nada nos atrapalhou, o partido é democrático", disse. "Janaína está tendendo em 95% a assumir esse desafio. Estamos trabalhando sem pressão. Ela tem o tempo dela para pensar e a gente também", afirmou.     

Programa prevê união de ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura

Sobre seu programa de governo, Bolsonaro afirmou que ele terá realismo para enfrentar as questões do cenário atual, que pretende fundir os ministérios da Fazenda e do Planejamento, assim como os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, “para acabar com essa briga”, contou. 

Sobre as privatizações, o presidenciável disse que é a favor de buscar boas parcerias. “Alguns braços da Petrobras você pode privatizar, o miolo ainda é cedo para falar no assunto”, disse na conversa com jornalistas. “Eu sou a favor de privatizar, mas não gostaria que fosse essa a tônica (do programa de governo). Senão é atestado de incompetência”, completou.

Sobre a governabilidade que teria num futuro mandato, Bolsonaro reforçou que tem o apoio de mais de 40% dos parlamentares que integram as siglas do chamado “Centrão”. Ele disse ter se reunido em sete ou oito oportunidades com esses parlamentares para debater possíveis soluções para os problemas do País. “Seria irresponsabilidade da minha parte tentar uma eleição sem condições de governabilidade”, afirmou.

Na convenção, também foram oficializadas as candidaturas do filho mais velho do presidenciável, Flávio Bolsonaro, que tentará eleição como senador, e demais escolhidos pelo partido para concorrer aos cargos de deputado estadual e federal pelo Rio de Janeiro.

Veja vídeos da convenção do PSL: 

Integrantes do movimento monarquista comparecem ao lançamento da candidatura. No vídeo, a conversa com José Geraldo Fajardo, artista plástico, 57 anos, (à esquerda) e Bruno Hellmuth, médico, 68 anos. 

Apoiador de Jair Bolsonaro fala sobre os motivos que o fazem votar no candidato do PSL. 

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