Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Presidenciáveis repudiam ataque contra Jair Bolsonaro em Minas Gerais

Candidato já foi operado e segue para o Centro de Terapia Intensiva da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora

Daniel Weterman, Cristian Favaro, Camila Turtelli, Ana Neira, Roberta Pennafort e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 17h02
Atualizado 06 Setembro 2018 | 20h03

Após o candidato à Presidência da República do PSL nas eleições 2018Jair Bolsonaro, ser esfaqueado durante ato de campanha em Juiz de Fora na tarde desta quinta-feira, 6, os demais presidenciáveis se manifestaram repudiando o ocorrido. 

Bolsonaro já foi operado e estava a caminho do Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora às 19h15. A informação de seu estado de saúde foi passada por uma fonte da campanha, segundo a qual o candidato reagiu bem ao procedimento e que deve ser recuperar sem grandes complicações. A Santa Casa não está divulgando detalhes de seu quadro. O candidato está sendo acompanhado pelo presidente nacional do PSL, Gustavo Bebiano, e integrantes do partido.

O candidato a vice-presidente pelo PT, Fernando Haddad, classificou como "lastimável" e "absurdo" o ataque. Durante entrevista ao canal MyNews, no Youtube, e ao site Congresso em Foco, Haddad disse que as pessoas não podem entrar "em provocação" por causa do comportamento de Bolsonaro.

"Lastimável, absurdo. A gente não pode entrar em um discurso... a pessoa tem lá as suas idiossincrasias, seu temperamento, mas nós, democratas, temos que garantir um processo tranquilo e pacífico", disse Haddad. "Não se pode entrar em provocação de jeito nenhum, sob nenhum pretexto."

Em seu Twitter, Ciro Gomes (PDT) disse que se solidariza com seu opositor. "Exijo que as autoridades identifiquem e punam o ou os responsáveis por esta barbárie", disse.

Comentando a agressão, o candidato ao Planalto Guilherme Boulos (PSOL) também se manifestou pelo Twitter declarando que "violência não se justifica" e cobrou uma investigação sobre o fato.

Alvaro Dias (Podemos) repudiou o ataque e afirmou que "violência nunca deve ser estimulada". 

O presidente Michel Temer classificou como lamentável o esfaqueamento de Jair Bolsonaro. O presidente disse também que o episódio demonstra a falta de tolerância da sociedade brasileira.

"Isso revela algo que nós devemos nos conscientizar porque é intolerável justamente a intolerância que tem havido na sociedade brasileira. [...] É intolerável em um Estado democrático de Direito que não haja a possibilidade de uma campanha tranquila, uma campanha em que as pessoas vão e apresentem seus projetos", afirmou Temer ao participar da cerimônia de lançamento de edital para ações para populações extrativistas da Amazônia.

O presidente afirmou que o episódio é "triste para a nossa democracia". "Mas que sirva de exemplo. O candidato Bolsonaro, se Deus quiser, passará bem. Esperamos que não haja nada mais grave", disse.

A candidata à Presidência Marina Silva (Rede) disse, em nota, que o ataque sofrido pelo presidenciável é "inadmissível" e precisa ser "investigado e punido com todo rigor."

"A violência contra o candidato Jair Bolsonaro é inadmissível e configura um duplo atentado: contra sua integridade física e contra a democracia", escreveu Marina. "Este atentado deve ser investigado e punido com todo rigor. A sociedade deve refutar energicamente qualquer uso da violência como manifestação política." 

 O candidato do MDB ao Planalto, Henrique Meirelles, lamentou o ataque.

Meirelles desejou pronta recuperação a Bolsonaro e disse lamentar "todo e qualquer tipo de violência". "O Brasil precisa encontrar o equilíbrio e o caminho da paz. Temos que ter serenidade para apaziguar a divisão entre os brasileiros", publicou o emedebista.

O candidato do Novo à Presidência, João Amoêdo, usou seu Twitter para se manifestar sobre o atentado ao também candidato Jair Bolsonaro (PSL). Segundo Amoêdo, "é lamentável e inaceitável o que aconteceu".

"Independentemente de divergências políticas, não é possível aceitar nenhum ato de violência", acrescentou, pedindo também punição ao agressor.

 

O candidato do PSDB à Presidência nas eleições 2018, Geraldo Alckmin, também lamentou o ataque sofrido pelo concorrente.

"Política se faz com diálogo e convencimento, jamais com ódio. Qualquer ato de violência é deplorável. Esperamos que a investigação sobre o ataque ao deputado Jair Bolsonaro seja rápida, e a punição, exemplar. Esperamos que o candidato se recupere rapidamente", escreveu o tucano no Twitter.

A presidente cassada e candidata ao Senado nas eleições 2018 Dilma Rousseff (PT) disse ser "lamentável" o ataque contra Jair Bolsonaro, mas declarou que "incentivar o ódio" cria esse tipo de episódio.

"Eu acho lamentável. Agora, acho que incentivar o ódio cria esse tipo de atitude", disse Dilma, em entrevista a jornalistas. "Você não pode falar que vai matar ninguém, não pode fazer isso, principalmente um candidato à Presidência."

Dilma cobrou punição contra a agressão. "Quem fez isso tem que pagar, não pode ficar impune. Porque tem de servir de exemplo para ninguém ousar fazer isso com nenhum um candidato", declarou a petista, complementando que uma agressão como a que sofreu Bolsonaro não se admite contra ninguém, "não interessa quem seja."

Ao lado de Dilma, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também cobrou responsabilização do agressor. "Nenhum ato de violência é justificável. A política não pode ser uma seara de violência. Não podemos ter na política ações de violência e normalizar isso", afirmou Gleisi. "Nós lamentamos muito o que aconteceu, e acho que quem praticou tem que responder e ser chamado à responsabilidade."

A candidata do PSTU ao Planalto, Vera Lúcia, publicou nota sobre o ataque ao também candidato Jair Bolsonaro. Segundo Vera, "deve ser totalmente repudiada a agressão com uma faca ao candidato" e considerou "inaceitável" tais atos na disputa eleitora.

Entretanto, a representante do PSTU defendeu que o discurso de ódio adotado por Bolsonaro seria um estímulo a atos como este. "A pregação do próprio Bolsonaro a favor de resolver tudo à bala, de "fuzilamento dos petralhas", entre outras mensagens de ódio, acaba por estimular este tipo de atitude da qual ele agora é vitima, embora não a justifique", defendeu.

O candidato à Presidência Cabo Daciolo (Patriota) afirmou, por meio de sua página no Facebook, que está orando por Jair Bolsonaro e repudiou a agressão sofrida pelo presidenciável em Juiz de Fora (MG).

Daciolo publicou uma foto em que ele aparece na frente de Bolsonaro durante debate na RedeTV!, no último dia 17. "A nossa guerra não é contra homens, mas contra principados e potestades. Estimamos melhoras ao Jair Bolsonaro. Vamos ficar todos em oração!", escreveu o candidato do Patriota.

O diretório nacional da Democracia Cristã (DC), de José Maria Eymael, emitiu nota de repúdio classificando como "brutal e covarde" o atentado. "Essa agressão afronta o Estado democrático de direito e fere, também, de forma vil toda a nação."

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