Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Orlando Silva defende cassar alvará de empresas por casos de racismo

Candidato do PCdoB participou nesta terça, 3, da série de sabatinas do 'Estadão' com concorrentes à Prefeitura de São Paulo

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2020 | 15h55

O candidato a prefeito de São Paulo pelo PCdoB nas eleições 2020Orlando Silva, defendeu endurecer medidas para enfrentar o racismo na cidade. Em sabatina do Estadão nesta terça, 3, ele propôs punir estabelecimentos que registrem de forma reincidente casos de racismo com a cassação de seu alvará de funcionamento. 

“A prefeitura é quem concede o alvará, então ela pode definir as regras. A responsabilidade vai fazer com que o dono do estabelecimento não fale que ‘a culpa é do vigilante’. Ele que treine o vigilante, prepare os funcionários. Ninguém pode ser perseguido num shopping, atacado em mercado, por ser negro.”

Orlando afirmou que o modelo da proposta ainda está sendo debatido e espera poder discutir o tema com vereadores. “Pode ser uma notificação ao estabelecimento no ato e, em caso de reincidência, pode ter o alvará cassado. É uma forma de endurecer, fazer medidas efetivas para inibir esse tipo de conduta. Se não formos ofensivos no enfrentamento ao racismo estrutural, nada vai acontecer. Todo dia morre um George Floyd na periferia de São Paulo.”

Boletim de ocorrência por racismo

O candidato registrou um boletim de ocorrência nesta terça, 3, denunciando ofensas racistas que tem recebido em redes sociais. “Fiz a denúncia porque não podemos naturalizar atos racistas. Eu elevo o tom na crítica ao bolsonarismo, vem uma onda nas redes sociais. Tudo bem me chamar de comunista Agora, você atacar a minha condição de negro? Não é aceitável. Quero que seja apurado quem são os autores, porque é preciso ter pedagogia.”

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Esquerda nas eleições

O deputado criticou outros candidatos do campo da esquerda à Prefeitura. Sem citar nomes, ele disse que um fica falando sobre a eleição para governador em 2018 (em referência a Márcio França, do PSB), outro fica falando do que fez no “século passado” (Jilmar Tatto, do PT, ex-secretário dos governos Marta Suplicy e Fernando Haddad) e outro fica “sorrindo com calhambeque para lá e para cá” (Guilherme Boulos, do PSOL, que tem utilizado seu carro, um Celta, em peças de campanha). “Estamos num Brasil de Bolsonaro. Temos que fazer desse processo eleitoral um momento de denúncia. Não dá para ficar sorrindo o tempo inteiro. Dizem que sou muito sério. Não temos motivos para sorrir.”

Frente ampla

Orlando Silva disse defender a formação de uma frente ampla desvinculada ao período eleitoral contra o presidente Jair Bolsonaro. Ele enfatizou que vê a formação desta frente ampla como um movimento “civilizatório”, e não necessariamente eleitoral. Questionado se a direita anti-Bolsonaro seria bem-vinda nesta frente ampla, o candidato disse que o foco é a derrota do presidente em 2022. “O importante é ter um programa que dê liga, um programa para derrotar o bolsonarismo no Brasil”. 

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Educação

Orlando citou o município cearense de Sobral para citar sua proposta para a educação. Ele prometeu colocar os professores no foco da política educacional adequando as escolas às realidades locais. “Em Sobral tem foco no professor. Tem o cuidado com a infraestrutura, mas também metas claras. Se Sobral conseguiu, São Paulo pode fazer. É pensar como otimizamos os recursos disponíveis para cumprir metas numa área prioritária.”

Volta às aulas 

O deputado defendeu a volta às aulas no ensino municipal apenas após a chegada de uma vacina contra covid-19 e imunização total dos estudantes. “Um candidato disse que não entende como uma criança pode ir a um shopping e não a uma escola. Veja a condição de zeladoria de uma escola pública e veja a de um shopping. Tem muita dificuldade. Dois terços das crianças que testaram positivo não tinham sintoma.”

Sampaprev

O candidato criticou a aprovação das mudanças da Previdência do município, realizadas em votação entre o Natal de 2018 e o réveillon. “Votaram, na calada da noite, uma mudança na  previdência. O tema tem que ser debatido com os professores. Tem espaço de negociação, não (pode) aprovar da forma como foi. A regra tem que valer para quem entrar depois.”

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Emprego e renda

O candidato prevê um “esforço extraordinário” no ano que vem para a geração de emprego e renda. Ele pretende revisar contratos com organizações sociais (OSs) e aplicar estes recursos na retomada econômica da cidade pós-pandemia. “A situação está muito difícil, e estaria ainda pior sem o auxílio emergencial. O desemprego entre os jovens é mais que o dobro da população adulta. O que eu indico é usar recurso conquistado com auditoria e revisão de subsídios. Existe margem. Tem muita OSs ganhando muito dinheiro.”

Comunismo

Orlando foi questionado se seu partido tentava “esconder” o “comunismo” ao apostar na marca “Movimento 65”. Ele defendeu a ideologia e afirmou que a nova marca tem servido para atrair para o debate público pessoas que não sejam necessariamente “comunistas de carteirinha”. “Eu sou comunista, graças a Deus. Estudei pensamento de Marx, Engels. Sou convencido que o mundo é injusto e desigual. No capitalismo, poucos se apropriam da riqueza do trabalho. A sociedade hoje se organiza dessa forma. No futuro, outras formas virão. O Movimento 65 tem muitos líderes admirados. (Flávio) Dino (governador do Maranhão), Manuela (D’Ávila, candidata a prefeita de Porto Alegre). As pessoas querem somar a isso sem a identidade total do programa. É uma relação democrática, não exatamente comunistas de carteirinha.” / TULIO KRUSE, RICARDO GALHARDO e MATHEUS LARA

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