TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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‘Eu não acredito na sinceridade do Ciro Gomes’, diz Tatto

Candidato do PT vê com ceticismo encontro entre pedetista e Lula e diz que esquerda deve se unir no segundo turno das eleições 2020 em SP

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 15h59

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, defendeu a união do campo da esquerda no segundo turno das eleições 2020, e chegou a dizer que Guilherme Boulos (PSOL) é como um “irmão mais novo” para ele. Questionado sobre a aproximação entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), no entanto, disse não acreditar na sinceridade do pedetista. 

Sobre a aproximação entre PT e PDT, Tatto disse que “gostaria de estar mais animado em relação às intenções do Ciro”. Ele disse que ficou surpreso com o encontro, e classificou o posicionamento de Ciro como “errático”. À exceção do ex-ministro, Tatto evitou ataques a concorrentes do campo da esquerda e disse “ter certeza” que Boulos o apoiaria caso o petista fosse para a segunda etapa. 

“Por que vou falar alguma coisa do Boulos, da Erundina, se estou bastante convicto e quero o apoio deles no segundo turno?”, disse. “Isso vale para o Orlando (Silva, do PCdoB), vale para o Márcio França (PSB), e não há nenhum demérito em relação a isso.” Tatto foi o nono de 11 concorrentes ao cargo que participam da série de sabatinas do Estadão

Organizações Sociais

Tatto prometeu rever contratos com organizações sociais (OSs) na área da saúde. Ele foi questionado sobre a ampliação desse modelo durante a gestão de Fernando Haddad (PT), da qual participou, e disse que o momento agora é outro, pois há investigações de irregularidades nos contratos. Além disso, Tatto argumentou que a pandemia do novo coronavírus evidenciou a necessidade de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de mais investimento público direto.

“A primeira providência é rever os contratos. A segunda é, de forma planejada, fazer a reversão disso (administração por meio de OSs)”, defendeu o candidato do PT. “Nós temos de fortalecer o SUS e fortalecer a administração direta, por isso que nós vamos fazer vários concursos público – não só na área da saúde.” 

“Estamos verificando que tem uma roubalheira danada”, disse Tatto, citando a CPI das Quarteirizações na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Uma das entidades investigadas na CPI, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), foi contratada como OS em 2016 pela gestão Haddad para comandar os serviços de saúde na região central de São Paulo e em Santana, Tremembé e Jaçanã, na zona norte. À época do contrato, o instituto tinha uma dívida de mais de R$ 490 mil com a Prefeitura

Cultura e Carnaval

Tatto prometeu destinar 3% do orçamento municipal para a área de cultura, e metade desse montante para ações em bairros da periferia. Um exemplo é a expansão do patrocínio a blocos de carnaval fora do centro expandido. “Nós tivemos uma experiência exitosa na cidade, que foi o carnaval de rua. Tinha 100 blocos, nós organizamos, disciplinamos e aumentamos para 600”, disse. 

Trânsito

Questionado sobre os limites de velocidade nas marginais do Tietê e do Pinheiros, Tatto não se comprometeu com uma alteração nas velocidades atuais. “Eu quero ouvir os técnicos”, disse o candidato, após argumentar que estudos apontam aumento de mortes e acidentes nos corredores que tiveram aumento no limite de velocidade.

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Quando ele era secretário municipal de Transportes, na gestão Haddad, as marginais e outras avenidas da cidade tiveram o limite reduzido para 50 quilômetros por hora. A medida foi criticada pelo PSDB durante as eleições de 2016 e revertida durante os primeiros meses de João Doria na Prefeitura.

O candidato do PT disse que procura “alguma maneira de você reduzir a quantidade de acidentes e de mortes não só nas marginais, mas na cidade como um todo”, mas não prometeu alteração nos limites de velocidade. 

Transporte público

Durante a sabatina, o candidato prometeu reduções na cobrança de tarifa do ônibus municipal. Entre as mudanças está a volta do intervalo de quatro horas para embarcar em dois coletivos diferentes, pelo preço de uma passagem. Hoje, usuários do bilhete único têm três horas para fazer a baldeação sem cobrança adicional

Tatto também prometeu implantar o passe livre para desempregados, para estudantes e pacientes com consulta marcada pelo programa Hora Certa que utilizam o bilhete único. Outra promessa é a redução no valor da passagem para R$ 2 aos domingos, feriados e durante a madrugada. 

“O fato de reduzir para R$ 2 não necessariamente quer dizer que cai a arrecadação, porque aumenta o número de passageiros”, disse Tatto. Ele disse que a isenção para desempregados pode não valer para todos os dias da semana. “Está caindo o número de passageiros, então não adianta aumentar tarifa porque reduz ainda mais. E essas propostas que eu coloquei é porque tem garantias orçamentárias.”

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Impostos

Tatto disse que quer fazer ajustes na cobrança dos impostos municipais. O candidato levantou a possibilidade de criar um fundo de combate à desigualdade a partir de correções nas cobranças. Um dos exemplos que ele citou é o Imposto sobre Serviço (ISS) pagos por bancos na cidade, que poderia aumentar de 3% para 5%. Ele diz que deseja dialogar com setores da elite paulistana para pensar em cobranças mais justas. 

“Eu acredito na boa fé das pessoas, e tem muita gente boa na cidade, tem muita gente que paga imposto. Não é verdade que são todos sonegadores, esses bilionários”, disse. “Tem uma parte que é verdade.”

Apoio de Marta a Covas

O candidato do PT evitou criticar o apoio da ex-prefeita Marta Suplicy a Bruno Covas (PSDB). Tatto foi uma das figuras mais próximas a Marta dentro do PT, e ocupou quatro secretarias na Prefeitura de São Paulo na gestão petista entre 2001 e 2005. Ele disse encarar com naturalidade que a ex-prefeita tenha seguido “outro caminho” na política, e que eles não se distanciaram. 

“Ela está com a turma do Doria, é disso que se trata, não sou eu que vou responder”, disse o candidato. “A relação de respeito e o reconhecimento do governo que ela fez (se mantém), e não estou omitindo isso.” 

Ele disse ainda que, apesar de Marta e Luiza Erundina (hoje no PSOL) terem deixado o partido, suas realizações na cidade são tratadas como também legado do PT porque “é como time de futebol” e títulos de campeonato. “Não há nada de contraditório nesse sentido”, disse Tatto. / ADRIANA FERRAZ, RICARDO GALHARDO e TULIO KRUSE

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