Sebastiao Moreira/EFE
Sebastiao Moreira/EFE

Em queda nas pesquisas, Marina diz que não abre mão de candidatura

Caindo nas pesquisas eleitorais, em que chegou a registrar 12% de intenção de voto e agora tem 6%, candidata criticou o cenário de pressão sobre candidatos com desempenho menor

Caio Rinaldi e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 14h58

Em movimento de queda nas pesquisas eleitorais, a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Palácio do Planalto pela Rede Sustentabilidade, Marina Silva, rejeitou a possibilidade de abrir mão de sua candidatura em nome de uma chapa unificada de Centro como alternativa à polarização que vem se desenhando nas pesquisas eleitorais.

"Uma eleição em dois turnos é para que a gente não se curve ao pensamento autoritário de decidir no primeiro. É para que a pessoa vote de acordo com seu coração", disse, em sabatina no Fórum Páginas Amarelas, da revista Veja. A candidata também refutou a possibilidade de fazer uma aliança com o Centrão, caso seja eleita. "No meu entendimento, não é possível fazer uma aliança programática com o Centrão, que junto aos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer são responsáveis pela situação em que o País está", declarou. 

Marina, que chegou a registrar 12% de intenção de voto e agora tem 6%, criticou o cenário de pressão sobre candidatos com desempenho mais tímido nas pesquisas para que juntem forças em torno de uma terceira opção, além de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). "Agora é que a disputa começa de verdade, com o verdadeiro candidato do PT à frente da chapa. Agora é que começamos a disputar o voto líquido", afirmou.

A candidata da Rede criticou as especulações em torno de um indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Indulto não pode ser instrumento político para ganhar voto", comentou. 

Aborto

A candidata disse que se o Congresso aprovasse uma lei pela descriminalização do aborto e ela fosse presidente, vetaria. “Se por decisão soberana em plebiscito, a sociedade decidir que é isso, assim será. Espero que a sociedade brasileira se mobilize. Se o Congresso decidir, eu vetaria. Tem que ser por plebiscito, isso sim leva o assunto ao patamar que deve estar”, afirmou. 

O aborto é hoje permitido por lei em três casos: anencefalia, estupro e risco à vida da mãe. No entendimento de Marina, contrária ao aborto, qualquer mudança nas regras já estabelecidas deve ser feito por meio de plebiscito. 

Questionada por jornalistas depois do evento se respeita a soberania do Legislativo, disse que sim e reforçou seu compromisso com o Estado laico. A ex-senadora explicou que só vetaria a proposta da descriminalização do aborto se lhe fosse permitido enquanto presidente, ou seja, em casos que não sejam por emenda constitucional, quando o presidente não tem prerrogativa de veto. Depois de responder, seu vice questionou aos jornalistas o porquê só peguntavam sobre aborto a ela. "Engraçado isso", ironizou a candidata. 

Mais cedo, Geraldo Alckmin (PSDB) fez um apelo ao voto útil, alegando que Fernando Haddad (PT) estará no segundo turno e cabe à sociedade escolher quem disputará contra o petista. A declaração de Marina foi em resposta à fala de Alckmin.

CPMF

Assim como Alckmin, Marina Silva criticou a proposta do economista de Bolsonaro, Paulo Guedes, de voltar com a CPMF. A presidenciável se disse contrária e voltou a defender sua ideia de reforma tributária, inspirada pela proposta do Centro de Cidadania Fiscal. 

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