Sebastião Moreira/EFE
Sebastião Moreira/EFE

Alckmin diz que Tasso fez avaliação 'sincera e honesta' de comportamento tucano

Ao 'Estado', ex-presidente do PSDB chamou de 'erro memorável' que tucanos tenham votado contra os próprios princípios no Congresso só para ser contra o PT, após a derrota nas eleições 2014

Matheus Lara, Caio Rinaldi e Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2018 | 11h19

O presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) comentou nesta quarta, 19, as declarações do ex-presidente do partido, Tasso Jereissati, que disse ao Estado, na semana passada, que os tucanos cometeram três "erros memoráveis" após  perderem a eleição de 2014 para Dilma Rousseff (PT): contestar o resultado da eleição, votar contra seus princípios básicos no Congresso só para ser contra o PT e entrar para o governo de Michel Temer (MDB).

Para Alckmin, Tasso fez uma avaliação "sincera e honesta" do compartamento dos tucanos no Congresso. Mas em sua avaliação, o PSDB não questionou a legitimidade do pleito de quatro anos atrás. Quanto à participação de seus correligionários em ministérios de Temer, Alckmin disse que as indicações tiveram bases técnicas - e não ocorreu exatamente por afinidade com o programa de Temer. "Cedemos quadros importantes, com base e capacidade técnica. Por mim, entretanto, o PSDB não teria participado do governo",  disse, em sabatina da revista Veja.

Alckmin reclamou da forma como a campanha de Fernando Haddad (PT) utilizou as declarações de Tasso. "Ele usou esta esta entrevista, uma avaliação sincera e honesta do Tasso, de forma desonesta. Querer achar que o PSDB é responsável pela crise do governo do PT é inacreditável", afirmou.

O candidato tucano destoou de Tasso ao dizer que o PSDB não questionou a legitimidade da eleição, e pediu mais autocrítica aos partidos políticos. "É muito bom autocrítica. Todos os partidos deveriam fazê-la. Por isso defendo a reforma política. Os partidos estão fragilizados e acho a autocrítica importante. Não houve um questionamento da legitimidade da eleição (em 2014). Ninguém questionou a legitimidade da eleição."

Alckmin disse que a oposição não pode ser responsabilizada pela situação do País durante os governos petistas. "Uma coisa é questionar a legitimidade, outra é dizer que durante o processo (eleitoral), houve abuso politico, econômico. O que aconteceu foi que para ganhar a eleição, como o PT não tem limites para o poder, se comprometeu as finanças publicas. Quebraram o governo federal. Querer responsabilizar a oposição que está há 16 anos fora do governo não é adequado."

Disputa presidencial. Apesar do desempenho enfraquecido nas pesquisas eleitorais, como mostrou o levantamento do Ibope divulgado nesta terça, 18, Alckmin acredita que sua chapa tem condições de crescer consideravelmente. "Vamos estar no segundo turno e vamos ganhar as eleições", disse. A estratégia para melhorar o desempenho e chegar ao pleito decisivo no fim de outubro, comentou, é reforçar à população nas próximas semanas que Jair Bolsonaro (PSL) não é a melhor chance de derrotar o Partido dos Trabalhadores.

Para Alckmin, Fernando Haddad já nome certo na disputa do 2º turno das eleições. Para ele, Bolsonaro já atingiu o "teto" nas pesquisas de intenção de voto, e deve começar a cair. "Nós precisamos escolher quem vai com o PT, pra vencer o PT no segundo turno. Esse é o fato. O PT já está no segundo. Precisamos ver quem vai com o PT no 2º turno pra vencer o PT. Eu vejo que a curva do candidato (Fernando Haddad, do PT) é uma curva ascendente. (A do Bolsonaro) Não, está no teto e tenderá a cair." 

"Muitas pessoas bem intencionadas querem votar no Bolsonaro porque entendem que ele pode derrotar o PT. É o contrário: ele é o passaporte para a volta do PT, pois a eleição é em dois turnos", disse Alckmin. "Bolsonaro perde para qualquer candidato no segundo turno. O radicalismo e o extremismo do PT levou a um radicalismo do outro lado. O Brasil não vai pra lugar nenhum pelos extremos, por esse ódio."

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