Foto: Hélvio Romero / Estadão
Foto: Hélvio Romero / Estadão

Luiz Marinho defende 'diálogo com movimentos sociais' e fala em aliança com o PCdoB

Pré-candidato do PT para o governo, ele também defendeu a candidatura do ex-presidente Lula, condenado e preso na Operação Lava Jato

Carolina Ercolin, Ricardo Galhardo e Marina Dayrell, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 10h17

SÃO PAULO - O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo nas eleições 2018, o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, disse nesta sexta-feira, 27, que diálogo com movimentos sociais e a criação de projetos habitacionais serão as estratégias para evitar ocupações no Estado, caso seja eleito.

Em entrevista à Rádio Eldorado, ele afirmou que sua proposta para evitar as ocupações é repetir a postura que manteve como prefeito de São Bernardo do Campo, entre 2009 e 2016. “Com a capacidade de propor projetos e dialogar você evita a ocupação. Tem que chamar os governos para discutir os projetos”. O ex-prefeito também afirmou que não houve ocupações em seus oito anos na prefeitura.

Para Marinho, não há um “antipetismo” no Estado – o PT perdeu grande parte das prefeituras da capital: em 2012, foram 72 eleitos e, em 2016, apenas oito -,. “Em 2016, você tinha um ambiente emocional que levou a esse resultado. Em 2018, é outro ambiente. Prova disso é o Lula estar na frente (nas pesquisas de intenção de voto) em São Paulo. Eu falo pela percepção de rua, ela hoje é muito melhor do que foi em 2014”. O candidato também disse acreditar que há desejo de mudança no Estado. “São Paulo é governada por um consórcio há 24 anos (PSDB) e eles não resolveram os problemas do povo paulista”, afirmou.

Para tentar chegar ao Palácio dos Bandeirantes, o PT aposta em uma aliança com o PCdoB, partido que, segundo Marinho, precisa indicar uma candidata a vice da chapa. “A aliança com o PCdoB em São Paulo é firme, só estão faltando detalhes. É notório que espero uma alternativa feminina à vice e o PCdoB não apresentou, isso que atrapalhou”. Segundo ele, “como temos dois quadros masculinos compondo a chapa de senadores e eu de governador, o ideal é que nós tenhamos uma mulher para compor a vice ou as suplências, para chamar a atenção da sociedade para aumentar a participação da mulher na política”.

Marinho ainda defendeu que é preciso esperar até 5 de agosto, prazo que os partidos têm para anunciar candidatos e alianças, para garantir apoio. “Vamos ver se o PDT vai até o fim com o Márcio França (PSB). Não é 100% ainda, vamos aguardar.” Na quinta-feira, 26, o PDT anunciou apoio à pré-candidatura do governador Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo.

Sobre a possível aliança entre PT e PCdoB a nível nacional, Marinho alega que depende da “caracterização do vice de Lula”. “O PT vai ter que refletir nacionalmente a possibilidade da Manuela D'Ávila ser vice”, afirmou. Durante grande parte da entrevista, Marinho defendeu a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - condenado e preso na Operação Lava Jato. “Irresponsabilidade é insistir em manter o Lula preso sem prova. É tirar (da eleição) uma liderança que já tirou o Brasil do atoleiro em 2002. É querer tirar alguém da eleição porque sabe que, se ele competir, ele ganha”, defendeu. Em junho, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR) afirmou que Lula será candidato ainda que a Justiça Eleitoral negue o registro de sua candidatura.

A entrevista com Marinho faz parte de uma série de conversas com o candidatos ao governo de São Paulo mais bem colocados nas pesquisas de intenções de voto. A Rádio Eldorado ainda ouvirá Márcio França (PSB). João Doria afirmou por meio de sua assessoria que não vai participar. Na segunda-feira, 23, a conversa foi com a professora Lisete Arelaro, do PSOL e na quinta-feira, 26, foi a vez de Paulo Skaf (MDB).

 

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