Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Em novo vídeo, Meirelles chama Ciro e Marina de 'candidatos profissionais'

Ex-ministro e presidenciável do MDB vai para o 'tudo ou nada' e critica rivais; único poupado é Geraldo Alckmin

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

03 Julho 2018 | 22h27

BRASÍLIA - Com um tom mais agressivo desde a semana passada, a campanha do pré-candidato do MDB à Presidência nas eleições 2018, Henrique Meirelles, decidiu ir para o "tudo ou nada", na tentativa de atrair os holofotes na disputa e ganhar apoio. Em novo vídeo produzido pela equipe de Meirelles para as redes sociais, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) são chamados de candidatos profissionais e Jair Bolsonaro (PSL) é apresentado como um adversário contraditório, que diz uma coisa e faz outra.

O único "poupado" é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB). Na "ficha" de Alckmin consta apenas que ele é "mais uma vez, candidato à Presidência da República". Na segunda-feira, 2, o coordenador político da campanha de Alckmin, Marconi Perillo, sugeriu que o emedebista poderia ser vice do tucano. A ideia do MDB é mostrar que Meirelles não tem os vícios da velha política, apesar de sua experiência como ministro da Fazenda e presidente do Banco Central.

Marina entrou na mira dos ataques por ter crescido nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento CNI/Ibope, divulgado na semana passada, a ex-ministra e Bolsonaro lideram as preferências, tecnicamente empatados, em um cenário sem o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e preso pela Operação Lava Jato.

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"Fundadora do PT, a cada quatro anos aparece para disputar uma eleição", diz o vídeo, numa referência a Marina. Para o pré-candidato do PDT foi reservada uma alfinetada ainda maior. "Ciro Gomes, candidato profissional. Desde 1982 mudando de cargos, mudando de posições políticas, mudando de ideias", afirma a locutora.

Ex-capitão do Exército, Bolsonaro entra na propaganda como alguém que se esconde atrás de frases de efeito. "Sustenta o seu discurso na crítica aos políticos, mas ele e a sua família vivem da política há 30 anos", destaca o vídeo. Meirelles, por sua vez, é apresentado como "um homem que serve ao País", pois "já tirou o Brasil de duas crises econômicas como presidente do Banco Central e ministro da Fazenda".

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Estagnado em 1% das intenções de voto, o pré-candidato do MDB passará pelo crivo da convenção do partido no fim deste mês. "Meirelles é candidatérrimo", afirmou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ao deixar nesta terça-feira, 3, a reunião da Executiva Nacional do MDB.

Ao ser questionado se a resistência de setores do MDB a Meirelles, como o das seções de Alagoas e Paraná, e também a falta de alianças não inviabilizariam a campanha do ex-chefe da equipe econômica, Padilha abriu um sorriso. "A candidatura dele só ajuda nos Estados. Conversas sobre alianças podem ficar para o segundo turno", afirmou.

Na prática, a preocupação do Palácio do Planalto e da cúpula do MDB é hoje menos com resistências dos convencionais do partido a Meirelles e mais com a falta de protagonismo do candidato do governo. Até agora, o ex-ministro já visitou 14 dos 27 diretórios estaduais. Não conseguiu, porém, firmar composições, embora o MDB ofereça como dote o maior tempo no horário eleitoral gratuito, que começa em agosto.

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Nos bastidores, até mesmo integrantes da coalizão governista atribuem as dificuldades ao desgaste do presidente Michel Temer. A avaliação é a de que colar a imagem de qualquer concorrente a Temer, campeão no quesito impopularidade, equivale a um “suicídio político”.

O figurino que o MDB quer vestir em Meirelles é o de candidato de centro com bom trânsito em várias alas, além de “equilíbrio” e “pulso firme” para apagar incêndios. Não sem motivo a campanha é ancorada pelo mote #ChamaOMeirelles. O problema é que, ao contrário do que ele próprio previa, a economia não reagiu nos últimos meses e o desemprego continua muito alto

Veja o vídeo:

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