Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Em Minas, pré-candidatos cobram governo federal após greve dos caminhoneiros

'Não é responsabilidade do Estado, muito menos do povo, pagar essa conta', diz Pimentel, que deve tentar a reeleição

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 07h30

BELO HORIZONTE - Os principais pré-candidatos ao governo estadual e ao Senado em Minas utilizaram as redes sociais para criticar medidas anunciadas pelo governo federal em resposta à paralisação dos caminhoneiros e cobraram o presidente Michel Temer pelo aumento crescente dos preços dos combustíveis.

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Pré-candidato à reeleição, o atual governador Fernando Pimentel criticou a postura do presidente Michel Temer de passar para os Estados a responsabilidade pela redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Minas Gerais foi um dos estados que recusou a proposta do governo federal.

“O Governo Federal não pode continuar aceitando uma política de reajustes automáticos, que só visa lucro e acúmulo de receita para os acionistas da Petrobrás. E não é de responsabilidade dos Estados, muito menos do povo, pagar essa conta”, afirmou o governador em sua página no Facebook, citando que houve “11 aumentos nos combustíveis em 17 dias”.

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Já o senador Antônio Anastasia (PSDB), principal pré-candidato de oposição ao governo de Minas, preferiu dizer que estava trabalhando para colaborar com o fim da greve e comemorou a votação no Senado, ocorrida no dia 29 de maio, de medidas provisórias que tentavam atender as reivindicações dos grevistas. “Ninguém quer saber de partidos, de posição de direita ou de esquerda, de brigas e discussões políticas. Todos precisamos agora de soluções. O Brasil clama por pacificação, por eficiência, por justiça social”, afirmou em postagem no Instagram.

Ao Estado, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), afirmou que os cofres do governo estadual sofrerão com os impactos das duas semanas de paralisação. “O principal impacto é um agravamento da situação financeira do Estado e portanto, no desempenho do governo, que já vem sofrendo muitas críticas e problemas de imagem, por atraso de pagamento de salários, atraso de repasse de recursos para municípios”, explicou o nome indicado pelo PSB para concorrer ao Palácio da Liberdade.

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Pelo MDB, que tenta lançar candidatura própria em Minas Gerais, o deputado federal Leonardo Quintão, um dos possíveis nomes do partido para as eleições, comparou as políticas de preços da Petrobrás, praticado pelos governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer. “Precisamos achar o equilíbrio de mercado. Queremos sim uma empresa que dê lucro, mas não queremos uma empresa que sacrifique o povo brasileiro”.

Outro que utilizou as redes sociais para comentar sobre a crise, foi Rodrigo Pacheco, pré-candidato do DEM. “Essa indignação é legítima, por parte dos caminhoneiros, mas isso está gerando um problema social no Brasil todo”, afirmou. “Vamos encontrar uma medida que passa pelo governo federal, de redução da incidência tributária, e pelo governo do Estado ajudar a de ser menos voraz na incidência tributária nos combustíveis de nosso estado”, afirmou o deputado federal.

A professora Dirlene Marques, pré-candidata do PSOL ao governo de Minas, preferiu atacar a política de preços da Petrobrás e as medidas provisórias anunciadas por Temer para garantir o fim da greve. “Isso não mexe no essencial, que seriam mudanças na política de preços da Petrobrás. Isso vai mexer nos impostos que recaem sobre o governo federal. Vai recair sobre a sociedade brasileira”, disse ela ao Estado.

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Já o pré-candidato da REDE, João Batista Mares Guia, preferiu não se manifestar. Em nota, a REDE destaca que o governo federal demonstrou insensibilidade com a greve e que a alta dos preços dos combustíveis está relacionada com a falta de uma reforma tributária, além de cobrar por “diversificação na matriz energética brasileira, para além da utilização de combustíveis fósseis”.

Mesmo com o processo de normalização do abastecimento das cidades no estado, especialistas em política ouvidos pelo Estado concordam que a paralisação dos caminhoneiros não deve impactar o cenário político mineiro. “Nacionalmente os efeitos são pequenos, não tem ganhos diretos para nenhuma candidatura. Em Minas, menos ainda”, indica o professor de ciências políticas da PUC-MG, Malco Camargos.

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