Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Discussão sobre 'toma-lá-dá-cá' domina sabatina com Alvaro Dias

Candidato do Podemos falou em barrar indicações partidárias para ministérios e criticou desigualdade entre candidaturas nas eleições

O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2018 | 12h41

A discussão sobre trocas de favores entre governo e sua base no Congresso dominou a sabatina com o candidato à Presidência pelo Podemos, Alvaro Dias, nesta segunda-feira (27). O presidenciável prometeu convocar ministros apenas com base em competência técnica, em vez de indicações partidárias, em um eventual governo sob sua liderança. "Acredito que o Congresso vai dançar a música que toca a Presidência", disse o candidato, quando questionado sobre como manter a governabilidade sem ceder à fisiologia com parlamentares.

O candidato do Podemos enquadrou a promessa como uma "refundação da República", em que funcionaria um "governo suprapartidário" em vez de uma coalização com partidos aliados ao presidente. A ideia encontrou ceticismo entre os jornalistas que participaram da sabatina, que questionaram sobre como manter a governabilidade sem troca de favores. Mediadora da sabatina, a colunista Eliane Cantanhêde lembrou que Jânio Quadros e Fernando Collor enfrentaram o Congresso em seus respectivos governos e não completaram seus mandatos (ambos renunciaram, isolados politicamente). Dias respondeu que, nesse caso, também poderia ser retirado do governo – mas argumentou que teria apoio da população na formação de um governo técnico.

 Assista a sabatina na íntegra:

"Teríamos que celebrar um pacto nacional de governabilidade. A mudança no sistema se desenha quando convoca os ministros. Que ministros? Indicados pelas siglas que se juntam numa Arca de Noé? Ou os ministros escolhidos pela capacidade técnica?", questionou Dias. Ele diz que uma reforma política deve servir de "matriz" para outras reformas de um eventual governo.

Ele ainda falou sobre segurança pública, descriminalização de drogas, aborto, política externa e geração de empregos.

Economia

Com a promessa de criar 10 milhões de empregos em quatro anos, Dias foi questionado sobre a formação de sua equipe econômica e propostas que expliquem a cumprir a meta seria cumprida. Perguntado especificamente sobre quem seria escolhido para o ministério da Fazenda, Dias desconversou e não citou nenhum nome.

Há algumas semanas, o candidato fez um convite público ao juiz Sergio Moro para o Ministério da Justiça de seu governo, que reiterou durante a sabatina. Ele citou ainda os nomes de Modesto CarvalhosaMiguel Reale Júnior, que também fariam de seu governo. "O convite foi feito e não será retirado. Eu anunciei porque posso fazer isso. Os outros candidatos, não", disse após ser questionado sobre a indicação. 

Sobre geração de empregos, o candidato diz que o ajuste fiscal e o aumento dos investimentos são fundamentais para isso, e defende a desburocratização do sistema econômico, dando como exemplo um maior dinamismo na obtenção do CNPJ para as empresas.

"Com a reforma tributária, a roda da economia vai girar com mais força", disse.

Segurança

Alvaro Dias propôs a criação de uma frente latino-americana de combate ao tráfico e à produção de drogas e a ampliação do patrulhamento de fronteiras como parte de seu programa de segurança pública. O candidato disse também ser a favor da flexibilização da atual legislação sobre o uso de armas de fogo por civis, principalmente em áreas rurais.  É preciso adotar normas que credenciem, que autorizem o cidadão a usar as armas." 

"Cabe ao Estado garantir segurança à população. É preciso de política de Estado de segurança pública", disse Alvaro Dias. 

"Temos 17 mil quilômetros de faixas de fronteira abertas. Em 10 anos, de 2006 a 2016, o Brasil sepultou 342 mil jovens assassinados, sete vezes mais do que o número de soldados que morreram na Guerra do Vietnã." 

O senador ainda criticou a legalização de drogas como a maconha, com a exceção do uso para fins medicinais, e criticou a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro

"No cenário nacional, o que tenho que contemplar é o drama vivido pelas famílias, com farrapos humanos atirados às ruas", disse ele.  "A legalização, ao meu ver, estimularia o consumo. Não tenho nenhuma dúvida. É evidente que o uso para o tratamento de doenças graves é uma questão da ciência. Se a ciência entende que é necessário, haveria essa excepcionalidade", afirma Alvaro Dias. 

Crítica

O senador Alvaro Dias abriu a sabatina dizendo que as eleições 2018 são a "campanha mais desonesta, injusta e antidemocrática da nossa história". Segundo ele, a legislação eleitoral serve aos interesses "do status quo, do establishment". Dias criticava a competição desigual entre candidatos de partidos maiores e menores.

+ Eleições 2018: veja quem são os candidatos à Presidência da República

"Há um grande sistema operando nas sombras. Quando digo que é desonesta, injusta e antidemocrática, me refiro a uma competição desigual entre tubarões do fundo eleitoral, do tempo do rádio e da TV. Tubarões de recursos próprios aplicados na campanha eleitoral por permissão legislativa contra lambaris sem tempo de rádio e TV, com escassos recursos do fundo eleitoral e evidentemente sem recursos próprios para aplicação no processo eleitoral."

Dias é o primeiro candidato a participar da sabatina Estadão-Faap nas eleições presidenciais 2018, feita em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). A série de encontros com os Presidenciáveis ocorre na sede da fundação, em São Paulo, entre os dias 27 de agosto e 6 de setembro. Além dele, estão confirmadas as presenças, nesta e na próxima semana, de João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), vice na chapa do ex-presidente Lula, Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles(MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). O candidato Jair Bolsonaro (PSL) declinou do convite.

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