Tadeu Brunelli/Estadão
Tadeu Brunelli/Estadão

'Defendo o direito de propriedade', diz pré-candidato do PP ao governo gaúcho

Ruralista Luis Carlos Heinze pretende tirar o Rio Grande do Sul da crise financeira por meio de parcerias com a iniciativa privada

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 05h00

PORTO ALEGRE - O deputado federal Luis Carlos Heinze é o pré-candidato do PP ao governo gaúcho. Da bancada ruralista, Heinze defende parcerias com a iniciativa privada para aliviar as contas do Estado e já se envolveu com polêmicas relacionadas a terras indígenas e o Código Florestal. Está no quinto mandato em Brasília e foi prefeito de São Borja (1993-1996). O pré-candidato conversou com o Estado. A seguir, os principais trechos da entrevista:

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O PP tem tamanho (no Rio Grande do Sul) para não ficar a reboque de qualquer outro partido, como o MDB, pelo número de prefeitos, vices, vereadores. Seguramente, o PP mais forte é o gaúcho. Mas nada contra o (governador gaúcho, José Ivo) Sartori (MDB).

O Rio Grande do Sul vive um período de crise financeira. Como o sr. pensa em resolver essa questão?

Já estou trabalhando para construir uma frente parlamentar dos Estados devedores. Então, não vai ser o governador do Rio Grande do Sul, com três ou quatro deputados, quando for discutir com o presidente da República. Será uma força dos 31 deputados do Estado e dos três senadores.

Daqui a pouco, já tem 200 deputados federais, 30 senadores, 15 governadores de outros Estados. Se eu acertar a dívida e a Lei Kandir (que isenta de ICMS produtos destinados à exportação), começo a acertar o Rio Grande do Sul.

O fato de os servidores estarem recebendo o salário parcelado não é urgente?

Eu espero que o Sartori me entregue o Estado melhor do que ele recebeu, porque ele aumentou o ICMS, aumentou o IPVA. Se ele diz que aumentou imposto, eu não quero aumentar imposto. Penso diferente. Vou fazer de tudo para honrar os salários dos servidores. Como é que vou exigir de um professor uma educação de qualidade se eu não pago em dia?

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Esse é o primeiro ponto que eu vou me esforçar para fazer. Venho da iniciativa privada e vejo que dentro do serviço público eu tenho que fazer a mesma coisa, como eu faço na minha fazenda. Não vou contratar gente que não precisa, porque a minha margem é escassa. É fundamental reduzir cargos de confiança e secretarias.

E as privatizações que são discutidas no Estado?

Eu vou fazer isso no meu primeiro ano de governo. Tenho que fazer um plebiscito para o povo me ajudar a decidir. Vou colocar tudo à disposição e o povo vai dizer "quero ou não quero".

O sr. é da bancada ruralista e foi um dos grandes defensores do Código Florestal. Houve muita polêmica com relação a isso. O sr. acredita que possa lhe causar problemas?

Eu respeito o direito de propriedade - é sagrado. Ninguém vai investir se não tiver segurança jurídica. Esses movimentos existem, contra isso e contra aquilo. São gente que não quer que o Estado ande para frente. Eu vou enfrentar o que tiver que enfrentar. Nenhum País tem a legislação ambiental que o Brasil tem.

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Qual é o País que tem reservas florestais como o Brasil? Nenhum. E organizações internacionais vêm falar de mim aqui no meu País? Por que não falam na Europa? Lá, não preservaram nada. Isso é um debate que nós vamos ter um enfrentamento para que essas coisas possam andar.

Em 2013, o sr. declarou num encontro sobre demarcação de terras indígenas que gays, quilombolas e índios ‘não prestavam’ e provocou polêmica nacionalmente. O que o sr. tem a dizer?

Eu respondi dois processos em cima desse assunto. Fui absolvido. Defendo as bandeiras do direito de propriedade. Nada contra os índios, contra os gays e contra as lésbicas. O que eu sou contra é a ideologia no processo. Eu ataquei Gilberto Carvalho, ministro da Dilma e do Lula.

E eles usavam o dinheiro público para poder estar com índios na mão, gays na mão, fazer movimentos políticos em cima dessa situação. Então, não tenho nada contra índio, contra gay. Eu sei que vão me atacar, mas a fala é essa. Usaram aquilo politicamente contra mim para que eu não me elegesse. Eu sou contra pegar dinheiro público para fazer movimentos ideológicos e políticos, como o Gilberto Carvalho fazia.

Como o sr. está trabalhando as alianças?

O Democratas já é um partido fechado, já mais de direita e tem uma posição fechada conosco. O PROS e o Solidariedade, também, e estamos buscando outros pequenos partidos.

E para presidente? Tem alguma preferência?

Já recebemos aqui no partido o Flávio Rocha (PRB). O (Jair) Bolsonaro (PSL) é um nome apoiado pelo Onyx Lorenzoni (deputado federal, DEM) e pelo PSL, partido que vai estar conosco. Tem também o Alvaro Dias (Podemos). O Cajar Nardes (deputado federal, Podemos) quer vir conosco para ter um palanque para o Alvaro.

Expliquei que hoje não estamos fechados com ninguém. Daqui a pouco. se eu fecho, já perco outros partidos. Não temos preferência por A ou por B, estou montando um grupo partidário. Mesmo dentro do partido tem divergência. Tem gente aqui que quer fechar com o (Geraldo) Alckmin (PSDB).

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