DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Rio Grande do Sul tem crise financeira como tema central

Estado terá candidaturas pulverizadas, do PSDB ao NOVO, após forte desgaste no governador atual, de José Ivo Sartori (MDB)

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2018 | 23h00

PORTO ALEGRE - A crise financeira no Rio Grande do Sul, 5.º maior colégio eleitoral do País, será tema central das campanhas para o governo do Estado. Com uma dívida na casa dos R$ 76 bilhões, 28% maior que em 2014, a atual gestão não consegue pagar em dia os servidores públicos e foi obrigada a buscar ajuda federal. O desgaste político promoveu uma debandada do apoio ao governador gaúcho, José Ivo Sartori (MDB), que ainda não anunciou se vai tentar a reeleição, e fez pulverizar candidaturas de oposição e propostas de soluções para o problema.

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PSDB, PP e PDT deixaram recentemente a base governista para lançar candidaturas próprias ao Palácio Piratini. Na opinião do analista político e professor da PUC-RS Augusto Neftali de Oliveira, os partidos já não enxergam a candidatura de Sartori como viável e querem evitar desgaste de suas imagens e buscar alternativas para a crise.

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O cientista político Aragon Dasso Júnior, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que está em jogo na eleição deste ano o modelo de Estado a ser adotado a partir de 2019 para tentar diminuir os efeitos da crise financeira gaúcha. “Temos dois lados. Um de caráter mais liberal, que trabalha com a discussão sobre o gasto público, e outro que discute principalmente como incrementar a receita”, disse.

PSDB e PP proporão ideias de tendências liberais para combater a crise gaúcha. Ex-prefeito da cidade de Pelotas, o pré-candidato tucano, Eduardo Leite, afirmou que pretende diminuir o peso do Estado realizando privatizações e parcerias com a iniciativa privada. "Precisamos promover a redução do custo do Estado."

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Já o pré-candidato do PP, Luis Carlos Heinze, deputado federal em seu quinto mandato, disse que reduzirá o número de cargos de confiança e secretarias, tentará privatizar estatais e renegociará a dívida com a União. “Minha ideia é trabalhar fazendo uma força-tarefa entre os Estados devedores, para fazer pressão no governo federal", afirmou.

O PDT terá o ex-prefeito de Canoas Jairo Jorge como postulante ao governo. Jorge afirmou que buscará um Estado mais “eficiente e rápido”, com menos burocracia, e que aposta em parcerias público-privadas para infraestrutura.

Voltado para um modelo de Estado que promova o desenvolvimento, o pré-candidato do PT, Miguel Rossetto, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, propõe renegociar a dívida gaúcha, mantendo - e até ampliando - o papel do Estado. “Temos de reconstruir as bases de um serviço público eficiente como forma de estimular a volta do crescimento econômico”, disse.

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PCdoB e PSOL lançaram, respectivamente, a servidora pública Abigail Pereira e o vereador de Porto Alegre Roberto Robaina. Os dois pré-candidatos possuem projetos semelhantes,  propondo diminuição de incentivos fiscais e combate à sonegação de impostos como soluções para ampliar as receitas estaduais.

Ex-secretário do Planejamento do Rio Grande do Sul Mateus Bandeira, pré-candidato do NOVO ao Piratini, possui tendências liberais, a favor de privatizações e Estado-mínimo.

‘Tradição’

"Não fugirei da raia", tem dito o governador José Ivo Sartori, que ainda não se lançou pré-candidato do MDB à reeleição oficialmente. Contra o emedebista, no entanto, pesa uma estatística desfavorável: o Rio Grande do Sul nunca reelegeu um governador.

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O eleitorado gaúcho, aliás, jamais elegeu dois governadores do mesmo partido consecutivamente. PT e MDB, por exemplo, já governaram mais de uma vez o Estado, mas nunca de forma consecutiva. Segundo o analista político Augusto Neftali de Oliveira, da  PUC-RS, o Rio Grande do Sul é tradicionalmente visto como um Estado dividido.

Para o cientista político Aragon Dasso Júnior, "a questão (dessa alternância) se explica historicamente". "Temos um quadro eleitoral que desde o fim da ditadura se divide entre um grupo mais progressista e mais conservador independentemente da legenda."

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