Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Convenção que lançou candidatura de Bolsonaro atrai de 'Robocop' a 'Trump'

PSL confirma deputado como nome do partido à Presidência nas eleições 2018

Constança Rezende, Daniela Amorim e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

22 Julho 2018 | 20h29

RIO - Militantes pela volta da monarquia, um motoqueiro com capacete, máscara de gás e armadura apropriada para enfrentar manifestantes, motorista fantasiado de Jair Bolsonaro, já com faixa presidencial, e máscaras do presidente norte-americano Donald Trump. Esses foram alguns dos personagens que povoaram a convenção que sagrou o deputado pelo Rio candidato a presidente pelo PSL - no evento, ele disse que é o 'patinho feio' da eleição 2018. O encontro reuniu uma plateia predominantemente masculina, estimada pelo parlamentar em 3 mil pessoas, em um auditório no Centro de Convenções SulAmérica, no Estácio, região central da cidade.

A propaganda monarquista foi feita pelo médico Bruno Hellmuth, de 68 anos, e pelo artista plástico José Geraldo Farjado. Diretores do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, os dois foram à convenção levando uma bandeira do Brasil Império. Contaram que 20 pessoas do movimento foram ao lançamento de Bolsonaro. Hellmuth admitiu, porém, que o deputado não tem nada a ver com o movimento pela monarquia. Disse que foi ao lançamento porque há muitos monarquistas candidatos pelo PSL.

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“Provavelmente, nem todos nós vamos votar em Bolsonaro presidente”, confessou. Afirmou, porém que o candidato é uma “boa alternativa”. “Ele é um contraponto aos governos anteriores. Com o alto grau de corrupção do Brasil, Bolsonaro é um candidato que não está envolvido em nenhum escândalo”, ponderou. O médico também argumentou que defende a restauração da monarquia no Brasil “porque a República evidentemente não deu certo”.

Outro que chamou atenção foi o empresário Safe Saffam, de 32 anos, que chegou com o corpo envolto em uma espécie de armadura de plástico. Ele afirmou que usa a roupa em protestos a favor de policiais e outros servidores públicos. Neste domingo, a fantasia tinha o objetivo de dar apoio a Bolsonaro. Para Safe, o candidato do PSL é o único que poderá diminuir os impostos cobrados do trabalhador. “O trabalhador trabalha muito e não sobra quase nada para ele mesmo. Parece que nós servimos apenas para votar e pagar impostos”, afirmou.

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Já o motorista de ônibus Gilcimar Jasset, de 35 anos, morador de Nova Iguaçu, tentou se fantasiar de “Bolsonaro Mito presidente”, segundo esclareceu. Muito mais jovem que o deputado e sem nenhuma semelhança física com o “homenageado”, vestiu terno e gravata, uma faixa presidencial desproporcionalmente grande e colocou óculos escuros típicos de memes . Não ficou nada parecido. “Ele (Bolsonaro) é a nossa esperança. O povo está muito desmotivado. Tanta corrupção, tantas coisas acontecendo, que nós vimos nele a esperança de mudar esse quadro”, disse.

Panfletos anticomunismo marcam convenção 

Em meio à polêmica sobre a menina que posou com Bolsonaro simulando – por indução do candidato – o cano de uma arma com a mão, circulavam pelo auditório crianças paramentadas como militares. Muitos ativistas usavam camisetas com o foto do rosto do deputado, também reproduzido em um painel atrás do palco na convenção. Outra cara que aparecia em camisas era a do herói da Revolução Cubana Ernesto “Che”Guevara. Com uma diferença: era retratado em uma placa de proibido.

Em meio à idolatria ao candidato, marcada por gritos de “Mito”, um grupo distribuía panfletos contra o comunismo. Segundo o texto, PT, PDT, PSOL, PC do B, PCO, PSTU, PSB e Rede são membros da Internacional Socialista. Na verdade, o PDT é o único partido brasileiro filiado à organização. O panfleto também acusa o Foro de São Paulo, de ter a filiação do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa sem objetivos políticos.

O texto diz ainda que PSDB e PT ignoraram o resultado do referendo de 2005, quando, afirma, “o povo escolheu pela (sic) permanência do direito do cidadão a portar armas para sua defesa, e impuseram o desarmamento à população brasileira”. Desde então, dizia o texto, os índices de criminalidade dispararam. A votação de 2005, porém, não abordou porte, mas comércio de armamento, que continuou liberado. “Hoje, a ameaça comunista é maior do que em 1964”, afirma o panfleto.

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