REUTERS/Leonardo Benassatto
REUTERS/Leonardo Benassatto

Bolsonaro tentará ‘humanizar’ imagem

Campanha buscará votos no Nordeste e atacará corrupção nos governos do PT

Leonencio Nossa e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 03h00

Logo que saíram as primeiras parciais da votação da disputa pela Presidência, no início da noite de domingo, 7, o candidato do PSL ao Planalto, Jair Bolsonaro, e os aliados mais próximos se levantaram para comemorar uma vitória ainda no primeiro turno. Na sala da casa do presidenciável, em um condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, palmas e gritos cessaram quando, minutos depois, o grupo percebeu que ainda haveria um segundo turno.

Bolsonaro só demonstrou estar convencido de que ainda disputaria um novo round com Fernando Haddad (PT) por volta de 19h30, quando a TV mostrava que 68,27% dos votos estavam apurados. Agora, a orientação da campanha é, nas palavras do presidente do PSL, Gustavo Bebianno, de “porrada” no rival, sem tréguas nas redes sociais e no horário eleitoral gratuito. Ao mesmo tempo, a equipe deve trabalhar na “humanização” da imagem do deputado. 

Às 21 horas, o clima não era mais de euforia completa – ainda que o candidato tenha ficado emocionado com as performances dos filhos: Eduardo, em São Paulo, foi o deputado federal mais votado do País, e Flávio foi eleito senador no Rio em primeiro lugar.

Bolsonaro acompanhou as apurações dos votos com a mulher, Michele, o filho Flávio, o candidato a vice em sua chapa, general da reserva Hamilton Mourão, o líder ruralista Luiz Antonio Nabhan Garcia, o economista Paulo Guedes, Gustavo Bebianno e seguranças.

Com o anúncio oficial de que haveria segundo turno, o capitão reformado começou a definir as ordens para a equipe. A campanha partirá para afagos no eleitor de Ciro Gomes (PDT) – sua equipe acredita que a migração de votos do terceiro colocado pode não ir totalmente para Haddad.

Corrupção

O restante do roteiro para o início do segundo turno já estava escrito: foco, ainda na noite de ontem, em escândalos de corrupção do PT, mas também uma humanização ainda mais forte da imagem de Bolsonaro. A campanha ainda desenvolverá peças sobre os planos do candidato para a segurança pública e para o aumento da oferta de emprego, segundo relatos de dois integrantes da equipe.

Bolsonaro se concentrará em entrevistas e publicidade exclusivas para o Nordeste, única região do País onde foi derrotado pelo petista.

Nos dez minutos que terá no horário gratuito da TV, o grupo definirá os espaços para ataques ao PT e para propostas de governo, segundo o general Augusto Heleno Ribeiro, um dos conselheiros do candidato.

Porrada

Ainda pela manhã, Gustavo Bebianno, um dos principais integrantes da equipe do candidato, planejava os próximos passos da campanha. Segundo ele, o tom da publicidade e dos discursos seria de mobilização e foco no ataque ao concorrente. 

“É porrada”, afirmou. “O confronto vai ser direto. Com o PT não tem conversa. Vamos com força, não vamos ter piedade com os erros e os males do PT.”

Bebianno afirmou ainda que, durante a campanha, os petistas foram “desleais” e “baixaram o nível”. Uma pacificação será necessária, na avaliação do presidente do PSL, mas isso deverá acontecer somente depois do resultado final das urnas, no dia 28. “Depois das eleições é diferente. É governar para todo o Brasil.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.