Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Bolsonaro está em 'estado grave, mas estável', diz junta médica

Candidato do PSL teve múltiplas lesões no intestino, hemorragia interna e foi operado

Constança Rezende e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 21h20
Atualizado 07 Setembro 2018 | 00h21

JUIZ DE FORA (MG) - O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, apresentava quadro grave de saúde, segundo a equipe da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora que o atendeu. Após ser atacado em campanha, ele sofreu múltiplas lesões no intestino, teve hemorragia extensa, foi operado e encaminhado para a UTI da unidade, onde deve permanecer pelo menos até a manhã deste sábado.

“As lesões colocaram em risco a vida do paciente. O quadro é naturalmente grave, pela magnitude do traumatismo, mas ele está estável”, afirmou o cirurgião Luiz Henrique Borsato, da Santa Casa. Os médicos disseram ainda que não há previsão de alta antes de “uma semana ou dez dias”, tampouco de possibilidade de retomada da campanha nas ruas. A equipe afirmou que candidato poderá ter “recuperação boa a curto prazo”, mas cirurgiões ouvidos pelo Estado dizem que pacientes com lesões como as de Bolsonaro levam de um a dois meses para retomar a rotina.

A família do candidato queria transferi-lo para o Hospital Sírio-Libanês aindanesta quinta-feira, mas não havia condições, devido ao estado delicado do paciente. Uma equipe do hospital viajou a Juiz de Fora para avaliar in loco o quadro de saúde do candidato. No início da madrugada, a junta médica concluiu que ele não poderia ser transferido. Uma nova avaliação será feita neste sábado pela manhã. 

Bolsonaro chegou ao hospital em estado de choque, com a pressão muito baixa. Ele sofreu três perfurações no intestino delgado, que foram suturadas, e uma lesão grave no intestino grosso, que foi retirado, em parte. O candidato chegou a perder três litros de sangue.

Candidato passou por uma colostomia

Bolsonaro passou por uma colostomia, procedimento em que o intestino grosso é exteriorizado para a criação de uma saída para as fezes na parede abdominal. Ele deverá permanecer com a bolsa externa de coleta de fezes por dois meses.

De acordo com Guilherme Cotti, cirurgião do aparelho digestivo do Instituto do Câncer do Estado de SP, a colostomia nesses casos costuma ser necessária para desviar a passagem de fezes das áreas lesionadas, diminuindo, assim, o risco de infecções. “É necessário abordar o paciente imediatamente para estancar a hemorragia e promover a limpeza da cavidade abdominal em virtude da contaminação por material fecal.”

Um dos médicos que operou o político esclareceu que o risco de infecção persiste no intestino delgado. “Trabalhamos na remoção dessas fezes”, afirmou Borsato.

Bolsonaro sofreu ainda uma lesão na artéria mesentérica superior, que leva sangue da aorta ao intestino. “É a principal artéria de irrigação de sangue para o intestino delgado e para parte do intestino grosso. Uma perfuração nela gera muita perda de sangue. A conduta é abrir o paciente imediatamente senão sangra demais e pode gerar consequências”, disse Antonio Luiz Vasconcellos Macedo, cirurgião geral e oncológico do Hospital Albert Einstein. Segundo os especialistas, se o sangramento não é interrompido prontamente, a pressão arterial pode cair a um nível tão baixo a ponto de causar lesões cerebrais ou parada cardíaca.

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