TV RECORD/Reprodução
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Bolsonaro diz que vai a Brasília para aprovar parte da reforma da Previdência

Em entrevista para a Record, Bolsonaro disse que medida serviria para evitar problemas no futuro governo; ele também afirma que, com a imposição de idade mínima de 65 anos, chance derrota no Congresso é grande

Fernanda Nunes e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 20h15
Atualizado 30 de outubro de 2018 | 13h06

RIO - O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista para a TV Record, quer ir a Brasília na semana que vem para destravar a pauta da Previdência. Ele espera destravar ao menos parte da reforma projetada pelo atual governo de Michel Temer, como afirmou na primeira entrevista exclusiva concedida desde que foi eleito, neste domingo

"Semana que vem estaremos em Brasília e buscaremos junto ao atual governo, de Michel Temer, aprovar alguma coisa do que está em andamento lá com a reforma da Previdência, se não com todo, com parte do que está sendo proposto, o que evitaria problemas para o futuro governo", afirmou ele a TV Record

Depois, em entrevista ao Jornal da Band, Bolsonaro afirmou que, com a imposição de idade mínima de 65 anos para a aposentadoria, a chance de derrota da reforma da Previdência no Congresso seria muito grande. Questionado pelos jornalistas se iria propor a idade mínima de 61 anos, Bolsonaro sugeriu que o limite seja elevado em um ano a cada ano a partir desse patamar. 

"A melhor reforma da Previdência é aquela que passa no Parlamento. Se quiser impor 65 anos, a chance de derrota é muito grande. Se nós dermos um ano agora, no ano que vem propor mais um ano, vamos para 62 anos. Afinal, a proposta de 65 anos não é para agora, tem um espaço de tempo para entrar em vigor. Então o que passe agora, no meu entender é muito bem-vindo", diz, referindo-se, como já disse em outras entrevistas nesta segunda-feira, à possibilidade de realizar a votação da reforma da Previdência ainda este ano. "Qualquer passo que seja dado agora, já ajudará muito no ano que vem."

No entanto, mais cedo, o deputado federal e futuro ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), disse que não houve nenhuma tratativa para usar proposta da reforma da Previdência do governo Michel Temer. "Não se pode olhar caixa de curto prazo, como na proposta de Temer", disse o futuro chefe da Casa Civil, afirmando que fala apenas em seu nome. "Defendo reforma Previdência que se faça de uma única vez. O atual governo propôs apenas um remendo, mas a reforma tem de ser de longo prazo", disse.

Sérgio Moro é cotado até para ministério da Justiça   

Mais uma vez, ele demonstrou vontade de ter o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, em sua equipe, no Supremo Tribunal Federal (STF) ou no ministério da Justiça. "Se eu tivesse falado isso antes (durante a campanha) soaria como oportunismo. Pretendo conversar com ele (Moro) para ver há interesse da parte dele", disse Bolsonaro.

O coronel da Aeronáutica Marcos Pontes deve assumir a pasta de Ciência e Tecnologia, segundo Bolsonaro. Falta um "pequeno detalhe" para que seja confirmado, disse ele. Essa seria a quarta definição da equipe do próximo governo. Pontes já havia dito que só falta o anúncio oficial para ser confirmado no ministério.  

Bolsonaro disse ainda "que ficou no passado" a ideia de aumentar o número de vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). "Domingo conversei com Dias Toffoli (presidente do STF), chegando a Brasília conversarei com o presidente do Supremo. Tenho certeza de que teremos uma convivência extremamente harmônica." 

'Ninguém quer implodir o Mercosul', diz Bolsonaro em entrevista à TV Record

A entrevista de Bolsonaro à Record durou 30 minutos. Durante a conversa, em tom informal, o presidente eleito disse que irá aos Estados Unidos neste ano ainda, acompanhado de assessores que farão parte da equipe que está montando, como Onyx Lorenzoni. Já a relação comercial do Brasil com o Mercosul deve perder importância.

"Ninguém quer implodir o Mercosul, mas queremos dar a devida estatura para ele", afirmou. Ele ainda defendeu ainda a saída da Venezuela do Mercosul, com o argumento de que fere as exigências democráticas para permanecer no grupo. 

Ele contou ainda que, no domingo, recebeu telefonemas protocolares de presidentes de outros países, como da Colômbia, Uruguai, Argentina, Chile, Israel e Espanha. "Obviamente, estou muito feliz porque, apesar de protocolares, houve demonstração de que vamos caminhar juntos desses países", disse Bolsonaro na entrevista para a Record. 

O presidente eleito citou especialmente o contato com os Estados Unidos, para onde viajará neste ano ao lado de assessores. "Temos muito de ampliar comércio com Estados Unidos", sem depreciar as negociações com outros países, segundo Bolsonaro.

Bolsonaro ainda disse que iniciou a conversa com parlamentares que estarão no Congresso a partir do ano que vem e que aposta na negociação com esses políticos para que tenha seus projetos aprovados. Ele defendeu mais uma vez que a presidência da Câmara não seja ocupada pelo seu partido. E ainda demonstrou disposição de dialogar com candidatos à Presidência com os quais concorreu.

Bolsonaro volta a defender flexibilização do posse de armas

Na entrevista para a Record, Bolsonaro defendeu a flexibilização da legislação relativa à posse de armas. Ele disse que a "arma de fogo garante a liberdade de um povo". "Queremos dar o porte definitivo à população. Não podemos criar mais um encargo para quem quer ter arma dentro de casa para defender sua família", afirmou, argumentando que dois terços da população decidiu ter o direito de comprar armas e munições em referendo popular de 2005. "Então temos que respeitar a vontade popular", complementou.

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