Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Bernardinho desiste de concorrer ao governo do Rio

No ano passado, ex-técnico das seleções brasileiras masculina e feminina de vôlei já havia afirmado que resistência da família e compromissos profissionais eram entraves para a candidatura

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2018 | 18h51

RIO - Apesar de não ter anunciado oficialmente a sua candidatura, o ex-técnico do vôlei brasileiro Bernardinho desistiu de concorrer ao governo do Estado do Rio nas eleições de 2018. A possibilidade de o esportista participar do pleito foi aventada no ano passado e ele era uma das grandes apostas do Partido Novo. Procurado pelo Estado, não deu entrevista. 

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O Partido Novo divulgou que foi uma decisão pessoal dele e que por ora não há substituto. Atualmente técnico do time Sesc RJ, deverá participar da campanha comparecendo a eventos de candidatos a deputado – será uma espécie de “embaixador” da legenda, por ser seu nome mais conhecido.

No fim do ano passado, Bernardinho havia dito que até abril confirmaria se aceitava ou não o convite do Novo, ao qual se filiou em 2016. Ele disse na ocasião que compromissos profissionais já assumidos e a resistência da família eram fatores que levaria em consideração.

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A mulher dele, a ex-jogadora de vôlei Fernanda Venturini, deu entrevista à revista Época em março em que afirmou ser contra a candidatura do marido. Ela chegou a dizer que se mudaria do Estado e até do Brasil caso ele concorresse, e que levaria consigo as filhas do casal, de 8 e 12 anos. Fernanda alegou que a disputa poderia trazer riscos para a família.

Ex-técnico das seleções brasileiras masculina e feminina, ouro olímpico em 2004 e em 2016, entre muitos outros títulos, o carioca Bernardo Rocha de Rezende é também empresário. Filiou-se ao partido com base no argumento de que não basta falar mal dos políticos, é preciso partir para atuação na política.

O ex-atleta é um integrante ativo do partido, e participa de eventos da legenda. No Rio, chegou a ter o nome incluído em pesquisas eleitorais e aparecia com cerca de 9% das intenções de voto. Ele próprio dizia, no entanto, que governar o Rio é um desafio para o qual não estava preparado, tamanha a complexidade dos problemas do Estado.

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O próximo governador terá a tarefa de tirar o Rio do atoleiro financeiro em que se encontra há mais de dois anos, e lidar com a profunda crise da segurança pública que vem de pelo menos quatro décadas. O Rio vive também um momento político delicado, com o ex-governador Sergio Cabral (MDB) na cadeia e o ex-presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani (MDB) em prisão domiciliar. Ambos são acusados de corrupção.

Registrado no fim de 2015, o Novo terá nesse ano sua primeira eleição nacional. Espera contar com algo entre 60 e 70 nomes disputando vagas de deputados, entre estaduais e federais, disse o presidente regional, o engenheiro Luciano Carvalho, e eleger pelo menos seis deles.

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“A gente vem conversando há bastante tempo com Bernardinho e tornamos a decisão dele pública agora. Não temos nenhum nome na mesa. Ele não disse o porquê, isso é preciso perguntar a ele. Ele é muito comprometido com o nosso projeto, está conosco desde o começo de 2016. A ideia é que agora participe de reuniões com candidatos a deputados”, disse Carvalho.

As próximas eleições serão um ano decisivo para o crescimento do Novo. O partido acredita que a revolta dos brasileiros com denúncias de corrupção envolvendo partidos hegemônicos resultarão em votos para si. O pouco tempo de TV será um entrave.

“As pessoas estão indignadas, buscando algo novo. O desafio é fazer isso chegar aos eleitores. Só trabalhamos com doações, será uma briga desigual”, afirmou Carvalho. Hoje, a legenda tem quatro vereadores no País.

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